Expressões do interior podem estar no samba da Vila Isabel

Plantar e colher bons frutos. Baseando-se na figura do agricultor brasileiro, a Vila Isabel tornou o enredo também seu lema para o próximo carnaval. Foi utilizando essa figura de linguagem que a diretoria da escola expressou a essência para as composições que disputarão o hino de 2013.
 
Depois do elogiado samba de 2012, todos da escola esperam que os compositores estejam igualmente iluminados para escrever suas letras. O diretor Evandro Bocão pediu aos compositores para não fazerem suas composições arbitrariamente, mas sim irem aos encontros com a carnavalesca e, antes de finalizá-la, certificarem-se da bela obra que irão inscrever. Ele enalteceu a qualidade da ala de compositores da Vila Isabel e pediu parcimônia aos competidores. – Analisem, perguntem aos amigos o que acharam, pesquisem… Aqui ganha o samba que tem história, o que a escola acha que é realmente o melhor – ressaltou o presidente da ala. Ainda segundo Bocão, na última disputa, os sambas finalistas que não levaram poderiam ter virado o hino de outras agremiações, de tão forte que é a ala dos compositores da Vila.
 
Empolgado com o enredo, um dos diretores de carnaval da escola, Júnior Schall, acredita que o trabalho de Rosa Magalhães vai ajudar e muito a agremiação para a tentativa da conquista do título de 2013:

– Eu estou aprendendo a observar com a Rosa, devido a sua capacidade intelectual e seu gabarito. Ela é extraordinária, a visão dela já foi aguçada por este enredo. Dos três últimos anos, este é o que ela tem mais à mão os elementos que todos nós conhecemos da Rosa. Se isso é ter algo a mais na frente das co-irmãs, é principalmente devido ao trabalho dela, que sabe tratar muito bem do tema.
 
O historiador Alex Varella destacou o caráter regional da temática escolhida pela escola: – É um enredo brasileiro, de fácil entendimento, e vocês vão ver que essa sinopse é diferente das outras porque mistura prosa e versos de músicas conhecidas, o que facilita nas composições. O enredo fala sobre o homem do campo como agricultor e agente cultural, que faz música com instrumentos próprios, sendo um produtor de cultura também, com um linguajar próprio.
 
A carnavalesca Rosa Magalhães explicou aos compositores tópicos que merecem destaques nas obras. – Na sinopse, vocês vão ver trechos com formas de expressão típicas dos sertanejos, que a princípio podem parecer erros de português, mas é um hábito deles, uma forma de ser mais coloquial que caracteriza uma pessoa que não vive – ou pelo menos não nasceu – na cidade. Esse é um ponto interessante que pode ser usado nas composições – explicou, a respeito de expressões como "óia" e "muié" (olha e mulher, respectivamente), utilizadas no texto, que substituem o dígrafo -lh e exprimem o sotaque do interior.
 
Ainda de acordo com a carnavalesca, vale destacar que, embora o campo transmita simplicidade, há elementos eruditos no universo sertanejo que podem ser considerados pelas parcerias. – A viola e a sanfona que acompanham a música é antiga. Pode parecer simples, mas ao mesmo tempo tem características operísticas – ressaltou Rosa Magalhães.

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