Fantasias da Unidos da Tijuca esbanjam leitura e divertem a Sapucaí

Por Gabriel Leal

noivasdecopacabanaA Unidos da Tijuca conquistou o carinho do público com uma homenagem irreverente à Miguel Falabella, um dos artistas mais multi facetados do entretenimento brasileiro. Com fantasias de fácil leitura que lembravam personagens conhecidos do público, a agremiação levantou as arquibancadas.

O primeiro setor da escola trazia um mundo de fantasia fazendo uma referência à infância do artista. Além de homenagear o teatro, início da carreira do homenageado, ainda como ator. Conforme o desfile avançou, as obras que marcaram a carreira de Miguel Falabella foram ilustradas na Sapucaí. Nesse momento o trabalho de figurino da escola brilhou, num show de leitura e criatividade.

Para ilustrar a faceta de escritor, o enredo teve passagens como a ala 10, “A partilha”, primeiro texto escrito por Miguel Falabella com montagem no teatro e adaptação para o cinema. A fantasia toda preta e com saia esvoaçante agradou aos desfilantes, entre eles Vanessa.

– Vamos representar as quatro irmãs que lutam pela herança de “A partilha”. Achei super interessante o enredo. A escola conseguiu trazer bastante coisa da carreira do Miguel. Estava muito ansiosa para desfilar. Esse ano eu consegui – comemorou a estreante pouco antes de pisar na Avenida.

Outro figurino criativo e que deixou os componentes satisfeitos foi o da ala de baianas. As mães do samba representaram a minissérie “As noivas de Copacabana”. Mas se a fantasia agradou, já não se pode dizer o mesmo do posicionamento da ala.

magda– Esta fantasia é para deixar o Paulo Barros com inveja porque está leve. Eu achei muito bonita. Só acho que baiana tem que vir logo no início. Isso aqui é muito pesado, somos todas sexagenárias. A gente não pode ficar tão atrás. A fantasia simboliza as noivas de Copacabana. Só espero que o Miguel Falabella não nos mate como ele fez na televisão – brincou Temis Muniz, 67, desfilante há dez anos da Unidos da Tijuca.

Cala a boca, Magda!

O ponto alto da noite em termos de figurinos criativos foi o dos ritmistas da “Pura Cadência”. A bateria veio vestida de um dos personagens mais conhecidos do homenageado, Caco Antibes. Ao lado da Rainha de bateria Juliana Alves que trajou um figurino conceitual representando a Avareza, a atriz Marisa Orth desfilou revivendo a saudosa Magda.

– Achei muito chique. Sou pouco conhecida, Miguel é mais conhecido, mas nós dois juntos geramos uma terceira coisa que é Caco e Magda que é muito bonita. Fiquei feliz dele reconhecer isso. O teatro e o carnaval são dionisíacos. O carnaval é primo no teatro – celebrou a atriz.