Feiras ao ar livre, típico programa dominical carioca, ganham espaço na 20ª ala da Estácio de Sá

Por Marina Magalhães

aladafeiraCom o enredo “No pregão da Folia sou comerciante e com a Estácio boto banca na Avenida”, a Estácio de Sá atravessou a Marquês de Sapucaí apresentando a história dos mercados populares do Rio de Janeiro, fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Nesse contexto, a 20ª ala da escola representou as feiras ao ar livre, indispensáveis à cultura carioca.

Entitulada “Feiras”, a ala da última escola a desfilar na madrugada deste sábado exibiu como figurino calças que mesclavam o branco e o vermelho, somadas a bananas, abacaxis e melancias, representando as frutas da feira. Para acompanhar as calças, os integrantes da ala vestiram blusas brancas nas quais foram colados cachos de banana, mais uma vez fazendo alusão às frutas do comércio ao ar livre. O toque final da fantasia foi dado por um chapéu branco, com traçados em preto que lembravam o corpo do abacaxi, sobreposto por um arco amarelo que remetia aos espinhos da fruta. Preso ao chapéu, ainda havia notas de dinheiro em dólar, uma referência ao lucro do feirante.

Apesar da abundância de cores, trazendo alegria para a Sapucaí, e da beleza da vestimenta, o material sintético, no entanto, deixou a fantasia quente, provocando calor em quem se preparava para desfilar.

– A roupa está confortável para a gente atravessar a Marquês, principalmente porque estamos calçando sandália rasteira, mas esse pano é quente. O calor é inevitável – lamentou Márcia Correa, que desfila pela Estácio há sete anos.

feiraNo entanto, apesar do calor, a moradora de Jardim Clarice, em Jacarepaguá, ressaltou o alinhamento da fantasia ao discurso do enredo da escola para este ano.

– A Estácio veio falando dos comerciantes populares do Rio e o ciclo econômico gerado por esse tipo de comércio na cidade. Não tem nada mais popular do que as feiras de domingo. É aonde o carioca vai em busca de preços mais baixos, e consegue, uma vez que os feirantes, focados na quantidade das vendas, oferecem um preço mais em conta – destacou ela, que admitiu frequentar a feira de Rio das Pedras todo domingo.

– É vou porque é mais barato – disparou, rindo.

Para Cristiano Luís Menezes, não é diferente. Já tendo desfilado na Estácio de Sá em 2016, o morador do bairro onde está localizada a escola voltou à Sapucaí este ano para defender a agremiação da Zona Norte, e apostou na sincronia entre as alas e o enredo.

– A ala das feiras é o retrato da história que a escola quis contar neste carnaval. Além disso, tem tudo a ver com povo carioca – apontou ele, que também confessou ir sempre às feiras de domingo realizadas próximo ao Clube de Futebol América, na rua Campos Salles, na Tijuca.

– Eu trabalho em um restaurante. A minha profissão me fez criar o hábito de ir ao comércio ao ar livre, onde as mercadorias costumam ter preço mais baixo – justificou.

Cristiano ainda levantou a bandeira a favor da Estácio de Sá e mandou avisar.