Final da Vila Isabel: Sem Leonel, André Diniz pode vencer com samba em homenagem ao amigo

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vila_selo_final_andre_400x560_Com um currículo de 13 composições já assinadas na Unidos de Vila Isabel, o compositor André Diniz dispensa apresentações. Porém, esse ano é diferente. Em dezembro de 2015, o amigo e compositor Leonel foi assassinado. Com o intuito de homenageá-lo, a parceria trouxe algo inédito para o carnaval. Pela primeira vez na história do carnaval, um samba-enredo conta com um acróstico, que é a primeira letra de cada palavra formando uma frase ao final da composição.

Em conversa a nossa equipe, André confessou que apesar de já ter sido campeão diversas vezes, cada ano é diferente.

– Mais uma vez estou ansioso, por mais que esteja por muito tempo nisso, cada samba é um samba e um filho. É uma obra que nas redes sociais e a crítica especializada derrama elogios. É apontado como um dos 3 melhores sambas pro carnaval do ano que vem, mas a gente só consegue ser caso ganhe a disputa interna. Não adianta ter o melhor samba e não chegar ao carnaval. Estamos ansiosos para que possamos ser protagonistas do desfile da Vila e colocá-la de volta onde ela merece.

Com um samba diferenciado, e um refrão que “vai e volta” o samba tem causado impactos positivos e negativos em cada apresentação.

– Além da homenagem para Leonel, contamos com várias inovações e a Escola gosta disso, está acostumada a desafios. Samba com contra cantos e sem rima, apostamos mais uma vez de não ter um samba mais do mesmo. Choca um pouco as pessoas, o que é normal. Todas as minhas grandes referências elogiaram, incluindo o próprio Martinho, que me enviou um e-mail dizendo que se emocionou ao ouvir, ele que não é de chorar ouvindo composições alheias, mas dessa vez foi diferente. Isso me deixa satisfeito e realizado.

Sem destacar um ou outro trecho, André Diniz chama o samba de indisciplinado e com o jeito que o torcedor gosta.

– Geralmente, falamos que tal parte é melhor. Mas eu acho a primeira linda e rica, quase que declamada. Mas vai pro refrão do meio que é arrojado e totalmente indisciplinado, tanto na letra que bate e volta, quanto na divisão que fica provocando, parece que vai sair do tempo, é maravilhosamente belo. A segunda é toda alegre, feliz, dinâmica e rápida. Termina com um refrão explosivo, é uma síntese completa a obra. Dizem que nós só fazemos samba de maluco, e isso resume bem nosso samba. Não só pela homenagem, mas por tudo que temos feito. Independente da vitória, ou não, já é um samba mágico que marca esses 25 anos de parceria. Acho que nenhuma outra equipe dentro do carnaval está junta há tanto tempo como eu e Bocão.

Com uma “dívida pessoal” com o carnavalesco Alex de Souza, a parceria se viu com a necessidade de fazer um samba-enredo à altura do talento do carnavalesco. Visto que, segundo eles, mesmo as outras obras que foram campeãs com o artista, não tinham todo potencial que o desse ano possui.

– Eu acho que tinha uma dívida com o Alex. Já fiz alguns sambas legais tendo ele como carnavalesco. Em 2008, o samba era legal, porém não era brilhante. 2009 tinha um samba bom, mas depois demos umas derrapadas, principalmente na hora da gravação da LIESA, era até interessante já que saiu da disputa como um dos melhores, e quando foi para o disco se tornou um dos piores do carnaval, e eu assumo a culpa disso. O desse ano era bonito, ma demorou a acontecer. Então a primeira coisa que me provocou nesse enredo foi a vontade de fazer um samba para o talento do Alex. Arrojado e bonito, como é o trabalho dele, que fosse digno da obra do nosso carnavalesco. Não que nos outros anos eu não tivesse tentado fazer isso, mas dessa vez quis caprichar mais. Tanto que fiz questão de não levar para ele avaliar antes, queria surpreende-lo como ele costuma fazer na avenida. Fiz muito direcionado para essa junção do meu trabalho com o dele de maneira elegante, caso a parceria seja campeã, será meu quarto trabalho com ele. E tenho convicção que o samba está preparado para explodir na avenida, foi um dos sambas que eu debrucei em cada linha com os parceiros.

André ainda destaca a importância das redes sociais para a disputa de samba-enredo, e afirma que com elas, a construção é 24h por dia.

– Com o WhatsApp você faz samba 24h por dia, a gente cria o grupo e vai conversando. Pensamos no samba o dia todo, e vamos construindo. É um samba que toca muito no coração porque quando começou a ser feito o Bocão estava operando, quando cheguei na casa dele ainda estava em recuperação. Cantei o início do samba, só umas frases, e o choro dele foi imediato de emoção. Me tira muitos suspiros e fôlego, se Deus quiser vai levar à Vila para um grande desfile caso sejamos campeões. Acho que a safra melhorou bastante, mas nós também melhoramos em relação aos outros anos que competimos. O que mais nos fez falta nessa disputa foi o amigo Leonel. Não só como compositor, mas ele fazia todo o trabalho do bastidor, bandeira, bola, isso tudo o meu amigo fazia. Arrumava o cantor, ônibus, gravação, toda logística era ele, além da brilhante parte poética. Ele faz muita falta na disputa, por isso vamos fazer uma final digna de samba, digna da Vila e digna da memória de um grande amigo que está conosco de alguma forma.

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