‘Firma o batuque que eu quero sambar’. Samba 65-A vence na Mangueira

A Mangueira fez o 'sonho da parceria 65-A acontecer'. Na madrugada deste domingo, no Palácio do Samba, a Verde e Rosa definiu que a parceria dos compositores Igor Leal, Lequinho, Junior Fionda e Paulinho Carvalho é a campeã na acirrada disputa de samba-enredo para o Carnaval 2012. A parceria, que foi a primeira a se apresentar e contou com o intérprete Tinga como voz-guia é velha conhecida na escola, já que Lequinho e Junior Fionda ganharam cinco vezes nos últimos oito anos. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, no momento em que o presidente Ivo Meirelles anunciou o resultado, a quadra explodiu de alegria e o contagiante refrão principal, assim como a bonita combinação de versos da segunda parte do samba, prometem ser o ponto alto do hino mangueirense em 2012. 

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A noite começou com uma roda de samba com o Grupo Partideiros do Cacique, que recebeu no palco, montado no centrro da quadra mangueirense, nomes como Alcione e Nelson Sargento. Não demorou para que a bateria Surdo Um começasse a tocar e levasse ao delírio o público. A quadra estava lotada. A lamentar, alguns problemas com o som, que chegaram a atrasar o início da disputa.

As apresentações dos sambas concorrentes começaram por volta das 2h20 da madrugada, e o samba campeão mostrou sua força. Bem interpretada por Tinga, a obra contagiou alguns segmentos da escola, como passistas e a ala de baianas. Logo depois, foi a vez do 107-E, que contava com Renan Brandão e Rodrigo Carioca, campeões em 2009. Ao contrário de outras ocasiões, a obra não empolgou o público e não conseguiu manter o mesmo andamento do início da apresentação.

Em seguida foi a vez do 64-A, samba que tinha em seus autores alguns nomes que compuseram o samba da Mangueira de 2001. Considerado por alguns o azarão da decisão, o samba surpreendeu. Com apresentação arrebatadora e efusiva participação da torcida, a mais vibrante da noite, se aproximou da obra campeã na preferência de alguns componentes da escola, pelo menos o número de pessoas, fora das torcidas, que cantou o samba foi bastante parecido.

Ao contrário do que a maioria das escolas faz na hora de anunciar o resultado, Ivo Meirelles não enrolou e às 4h30 usou um verso do samba para declarar o campeão.

– Respeitem quem pôde chegar onde a gente chegou! Vamos abraçar o nosso samba e levá-lo com muita garra para a Sapucaí. Estamos preparados! A Mangueira é uma escola de 84 anos e nunca teve dinheiro, continua não tendo, mas tem samba, tem chão – afirmou o dirigente, que chegou a cantar o samba após o anúncio e anteriormente havia pedido desculpas por alguns problemas ocorridos na quadra, como falta de espaço físico e estrutura para receber os visitantes.

Campeão pela quinta vez na escola do seu coração, Junior Fionda resumiu o que estava sentindo.

– Estou muito feliz por voltar a vencer na escola. Primeiro, porque sou Mangueira e segundo porque sou sambista. Esse enredo nos inspirou e conseguimos fazer esse lindo samba. Sem dúvida esta é a vitória mais emocionante. Foi uma final muito disputada, composta por parcerias que nós respeitamos muito e que também fizeram grandes sambas.

Já Igor Leal, que pela primeira vez assina um samba campeão na Mangueira, mas é velho conhecedor do sabor da vitória, pois já venceu concursos de samba-enredo em 14 ocasiões, não conseguiu conter a emoção.

– Ganhar um samba na Mangueira é inexplicável. A paixão verde e rosa invade o nosso corpo e toma conta da gente. É a maior escola de samba do mundo!

Outro que chegou a chorar no momento do anúncio do samba campeão foi Luizito, um dos três intérpretes da escola. Ele usou poucas, mas objetivas palavras para descrever o momento.

– Esse samba é maravilhoso! Ganhou o melhor e estou muito feliz por isso ter acontecido.

Já Zé Paulo, além de lembrar ser este o samba preferido da comunidade, elogiou a oportunidade de poder cantar os sambas concorrentes da escola em determinadas fases da disputa.

– Mais uma vez, o Ivo foi felicíssimo na escolha. Eram três grandes sambas, mas esse era o que nós queríamos, que a comunidade queria. Se apresentou muito bem. É bom termos a oportunidade de cantar o samba na eliminatória. Desta forma, o Ivo avalia e não corremos o risco de acontecer o que vem acontecendo com algumas escolas por aí, quando o cantor chega na final sem saber o samba campeão. Acho que Mangueira e Salgueiro estão à frente nessa situação.

Emoção também é a palavra mais adequada para descrever o que sentia o carnavalesco Cid Carvalho, responsável pelo enredo que dá vida ao samba campeão.

– Ele preenche sim todos os requisitos do enredo e é lindíssimo. Agora é só alegria. Isso é Mangueira! – afirmou Cid.

Braço direito de Ivo Meirelles, Jeferson Carlos, diretor de carnaval, além de elogiar a escolha do mandatário verde e rosa, exaltou o nível da final deste ano.

– Foi uma escolha muito inteligente. Basta olhar a quadra e ver a felicidade das pessoas. Temos um grande samba e vamos trabalhar para que ele renda e nos ajude ainda mais na Sapucaí. Não tenho dúvida que o sucesso das últimas escolhas do Ivo fez com que os compositores se superassem ainda mais. Essa era uma final diferente. Nos outros anos, tínhamos menos opções. O nível foi alto dessa vez.

Já um dos responsáveis pelo momento mais marcante da Marquês de Sapucaí em 2011, mestre Ailton, prometeu novas estripulias com seus comandados em 2012. Um dos autores do samba de 2011, ele aprovou o hino mangueirense.

– Gostei muito da escolha. O samba casou bem com a bateria e já estamos preparando algo novo para 2012. As pessoas vão aguardar depois do que fizemos em 2011, é normal, mas estamos tranquilos e vamos testar para ver se dá certo.

A Mangueira será a primeira escola a gravar a base de seu samba para o CD do Grupo Especial de 2012. Os ritmistas da bateria Surdo Um e o coro da escola gravam na tarde do dia 17 de outubro, na Cidade do Samba. Já os ensaios de rua, realizados em frente à quadra, devem começar somente em novembro.
 

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