Focada no estilo afro, Cubango monta equipe para brigar pelo topo da Série A

 

 

O primeiro passo para o sucesso no Carnaval de 2015 já foi dado pelo Acadêmicos do Cubango. Na noite deste sábado, a escola de Niterói apresentou seu enredo e equipe para o desfile do ano que vem. De volta, o carnavalesco Jaime Cezário terá a missão de desenvolver o enredo "Cubango, a realeza africana de Niterói". Ainda foram contratados, o coreógrafo Roberto De La Costa para comandar a comissão de frente, o intérprete Nêgo, mestre Maurão para bateria, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Falcão e Jackeline Gomes.

– 2015 é o ano da África em Niterói. Como filha legítima, a Cubango sempre levantou a bandeira da cultura afro brasileira, e pleteia ser a embaixadora do evento para o Brasil e mundo. Vamos dar um mergulho no nosso próprio nome. Começamos na busca da ancestralidade, nossa herança real que está no império negro. Aqui no morro do Cubango existiu um quilombo e isso qualifica mais que tudo a personalidade da escola – disse o carnavalesco Jaime Cezário, que não fará uma África focada na religião.

– Nós queremos e necessitamos a proteção de todos os orixás e deuses, mas vamos sair desse lugar comum no desfile. Queremos mostrar muito coisa da África que ainda não foi apresentada – citou o carnavalesco, que entrega a sinopse do enredo no dia 11 de junho.

Jaime Cezário afirmou que lida com tranquilidade a pressão de levar o Cubango para o título e o acesso ao Grupo Especial. Ele ressaltou a ótima relação com toda agremiação.

– Tenho uma química boa com a escola. É minha terceira passagem. Sempre sai grandes e bonitos carnavais. O clima é de família. Vencer é um mistério, mas apresentar um trabalho vitorioso é um dever. O enredo é a cara da escola, de busca de identidade, o ano é da Àfrica em Niterói. A Cubango tem um somatório de ingredientes e parece que será um enredo bem açucarado.

O carnavalesco comentou o percebeu em 2015, quando não trabalhou em nenhuma escola no Rio Janeiro. – Vi que o carnaval diminuiu em alegorias e alas. Gosto de coisas mais grandiosas e terei que me adequar. Vou fazer dentro da realidade para ser tão grandioso do que já apresentei. Na estética, a mudança sempre acontece anualmente. Será uma Cubango e Jaime mais maduros, modernos e acredito que vai dar uma coisa muito legal para escola.

Pelé, presidente do Cubango, disse que o enredo terá o apoio da prefeitura de Niterói. – A ideia desse enredo veio do prefeito Rodrigo Neves e a escola topou. O ano será da África em Niterói. Estamos trabalhando quesitos para 2015 e se carnaval é com a soma de quesitos, eu sei que vou brigar para ganhar o título – disse Pelé, que deseja desfilar no sábado de carnaval, sendo a quarta ou quinta escola. O sorteio da ordem de desfile acontece no dia 31 de maio, na quadra da Viradouro.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira entra no clima do enredo

Diego Falcão e Jacqueline Gomes, novo casal de mestre-sala e porta-bandeira do Cubango, dançaram pela primeira vez com o pavilhão da escola e se apresentaram vestidos nas cores verde e branco. Diego, inclusive, caprichou no cabelo. Os dois contaram que entraram no clima do enredo.

– Verde é a cor da esperança – disse Jackeline. – Tudo foi muito casado. Nosso sonho sempre foi dançar em um enredo afro, que nunca dançamos, e quando chegamos a escola tinha passado assim em 2014. Pensamos que a gente tinha chegado atrasado, mas quando soubemos que 2015 também seria afro, eu resolvi aderir ao modelito afro, porque me identifico muito com esse tipo de enredo – explicou Diego.

Sobre a mudança da Caprichosos para o Cubango, a dupla ressaltou a maior estrutura para desenvolver o trabalho. – Nosso lado profissional mudou completamente. Vamos melhorar mais nossa estrutura de dança em busca dos 40 pontos. Como dizia o samba de 2014, a demanda da Cubango é vencer. Estou muito feliz que a Cubango está me recebendo de braços abertos e com liberdade para trabalhar – afirmou Jackeline. – A escola soube chegar, conquistar o nosso carinho e colocou coisas importantes para o nosso trabalho. O carnaval de hoje é profissional e se queremos ser assim, tem que investir no profissional. Estamos primando pela integração e a boa estrutura que a escola nos oferece – contou Diego.

O casal já iniciou a temporada de ensaios para 2015. – A gente cria nossa própria coreografia. Um ajusta a dança do outro. Gosto de coreografia presa ao samba, mas não pode ser só isso. Tem que ter o mix da coreografia com os passos tradicionais.Jacakeline tem formação clássica e eu na dança afro – disse Diego Falcão.

Nêgo comemora volta ao carnaval do Rio

Afastado do carnaval do Rio, o intérprete Nêgo foi apresentado como novo cantor do Cubango. Em 2014, ele esteve em Manaus e não cantou no Sambódromo. Nêgo disse que ficou muito triste, mas teve que cumprir uma promessa para um amigo de Manaus.

– Em 2015, eu vou ter a felicidade de passar com a Cubango no Sambódromo. Eu já queria desfilar aqui faz tempo. A escola fica próxima da minha casa. É uma grande escola de samba, tem um povo maravilhoso, que sabe desfile, e merece chegar ao Grupo Especial – disse Nêgo.

Rainha de bateria e o samba no pé

Com muito samba no pé e carisma, a rainha de bateria Cris Alves compareceu na quadra e disse que está sempre presente em todos os eventos. – É preciso conhecer todos. Desde o primeiro ensaio, eu já estou presente. Sou rainha de comunidade e venho da classe das passistas – afirmou Cris, que disse ser fã de Viviane Araújo e Luma de Oliveira.

Perguntada sobre a polêmica dos passistas que estão dançando como mulheres, Cris Alves disse que o fato acontece. – O passista masculino tem que apresentar a malandragem. Os homens estão se perdendo, querendo requebrar e não estão dançando com os pés, mas com o quadril. Eles estão muito femininos. Não tem problema a opção sexual, porque não precisa estar na dança, é saber incorporar o malandro da Lapa, aquele que risca o chão com a dança.

Mestre Maurão pensa em aumentar número de ritmistas

Uma das revelações do carnaval, mestre Maurão, que estava na Rocinha, era muito cobiçado por diversas escolas e o sim foi dado para o Cubango. – Minha intenção era parar com o samba, mas aí recebi o convite, conversei com a família e aceitei o desafio. Já tivemos três ensaios, acertei o andamento da bateria, estamos padronizando a batida de caixa e surdo, praticamente fazendo uma escolinha. É trabalho e gosto muito de trabalhar. Fiquei impressionado que o primeiro ensaio que já teve 120 ritmistas. Cheguei falando para o presidente que queria 260 ritmistas na Avenida, mas já conversei novamente e acho que terei 280  – disse.

Maurão elogiou o trabalho do comentarista do site CARNAVALESCO, Rodrigo Coutinho, que analisa todas bateria. – Gosto de padronizar a minha bateria. Não falo mal de jurado, porque pego a justificativa e vou trabalhar em cima dela. Acho os jurados do Acesso mais coerentes que o do Especial. Falta mais comunicação dos jurados com os mestres. Era legal ter uma conversa para cada um explicar a característica de sua bateria. Acho fantástico o trabalho do Rodrigo Coutinho no site. Acho muito válido. Em 2012, o Rodrigo colocou o que errei e trabalhei em cima do que ele falou. Não tenho vaidade, gosto disso – afirmou Maurão.

A direção da escola anunciou o nome do novo coreógrafo da comissão de frente, Roberto De La Costa. Além das apresentações, o Cubango realizou a festa de entrega do prêmio Jorge Lafond, dado aos melhores do Carnaval de 2014

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