Fred Soares: ‘Análise dos desfiles de sexta-feira da Série A’

 

 

UM DESFILE PELA METADE

O desfile de uma escola é um somatório de fatores dos quais os mais preponderantes são o samba e todas as suas vertentes – a bateria, o canto, a dança e a disposição do desfilante em se dor por completo naqueles verdeiros minutos de sonho. Nesta mistura, entram também o desenvolvimento de um bom enredo e um apurado trabalho plástico. É na tecla desta último item que vou tocar o dedo para dissertar sobre o primeiro dia das agremiações da Série A. No geral, faltou apuro, faltou bom gosto, faltou criatividade. Compreendo que a falta de dinheiro é um problema seríssimo. Mas a guerra é árdua e quem não consegue driblar este empecilho dificilmente segue vivo na disputa.

Por isso, ao fim da apresentação das oito primeiras, acredito que apenas duas seguem vivas no páreo pela vaga no Grupo Especial de 2015: Inocentes de Belford Roxo e Paraíso do Tuiuti. A escola da Baixa primou pelo belíssimo enredo que nos foi mostrado. Realmente a vida de Joaquina Lapinha rendeu uma boa história, com um bom toque de apuro na confecção das alegorias e fantasias. E a agremiação de São Cristóvão deu uma roupagem, digamos assim, mais moderna à Kizomba da Vila de 1988. Desfiles absolutamente incomparáveis. Mas o Tuiuti se valeu da força de seu componente para nos proporcionar um interessante espetáculo.

A Porto da Pedra ficou, na minha opinião, um pouco abaixo dessas duas. Porém, acima de tudo foi nos apresentou um desfile que serviu como uma verdadeira recuperação de sua auto-estima, que andou em baixa nos dois últimos anos. Com um emocionado canto e garra de seus componentes, marcou bem a sua presença na Avenida, num espetáculo que começou muito bom plasticamente, mas que foi piorando até o seu fim.

A surpresa favorável foi a Em Cima da Hora. Além de entoar gloriosamente o seu clássico "Os Sertões", nos brindou com uma boa organização e, acima de tudo, um bom aproveitamento do material que teve à sua disposição para fazer o seu carnaval.

Deixou-nos com um gosto de quero mais a Renascer de Jacarepaguá. Um grande samba e componentes bem dispostos e até relativamente bem fantasiados. No entanto, pecou, e demais, na mostragem das suas alegorias. Muito aquém do padrão estabelecido pela própria Renascer nos últimos anos.

A decepção suprema da noite, porém, foi a Acadêmicos da Rocinha. Um desfile que sequer bate à porta das suas últimas e excelentes performances. Contou com um dinheiro que não veio e o que se viu foi uma escola se desmilinguindo em plena Avenida. Uma tristeza só. Dificilmente terá condições de permanecer no grupo.
O Império Serrano também foi outra decepção. Mais pela própria expectativa que ela nos cria. O que se viu na pista foi uma escola que pouco tinha a ver com aquele conjunto de componentes que rasgam a Avenida com garra e amor. Fazia tempo que não via tanta frieza numa apresentação da verde-e-branco. E olha que não faltou canto. Mas faltou alegria, explosão.A impressão é que o samba nãio rendeu. E o enredo… bem, o enredo foi mais um dos mesmos sobre cidades a que a gente já assistiu ao longo dos anos e nada ou pouco contribui para a escola de samba.

A União de Jacarepaguá não se apresentou no mesmo nível de 2013. Teve muitos problemas ao longo de seu desfile, o que a deixa em situação de perigo com relação à permanência no grupo.

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