Fred Soares comenta resultado da Portela

Confesso. Gostava muito do samba concorrente do Neyzinho do Cavaco na Portela. Achava que ele atendia melhor aos critérios técnicos tão exigidos atualmente para o quesito samba-enredo e tudo o que ele pode proporcionar para uma agremiação em desfile.

Mas não posso deixar de reconhecer: A composição campeã, de Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo & Cia. é uma verdadeira porrada (perdoem-me o termo pouco usual, mas é o que melhor se encaixa). Uma composição que, em termos musicais, beira à genialidade. Numa boa, não tem quem fique parado, sem reação, quando os primeiros versos são entoados.

Uma letra magnífica, com palavaras que se ressaltam pela sonoridade, e uma melodia com variações que demonstra toda o conhecimento musical dos compositores fazem do samba-enredo escolhido para 2013 uma obras daquelas sobre a qual vai se falar ainda por muito tempo.

A música mistura ginga, malandragem, ritmo, balanço e harmonia.. tudo numa só obra.

Outra coisa: aplausos para os compositores que conseguiram pasear por todos os tópicos abordados pelo enredo sem se prenderem ao texto da sinopse, que, por si só, já tinha um quê de poesia. Eles encontraram um caminho próprio, com soluções maravilhosas como "Tem mironga de jongueiro" ou "Que Madureira é muito mais do que um lugar / É a capital de sonho que me faz sambar".

Sem dúvida, vai se ombrear com a Vila Isabel na luta pelo status de melhor samba do próximo carnaval.

Só fica uma pontinha de tristeza porque o belo samba do Neyzinho do Cavaco vai para arquivo morto das disputas. Será que não poderíamos voltar ao passado e ver novamente uma escola de samba desfilando com dois sambas. No caso da Portela, isso se encaixaria como uma luva.

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Mudando de assunto. Recomendo a todos que ouçam o samba campeão da Unidos do Porto da Pedra. Feito às pressas, na correria mesmo. Mas com um resultado brilhante. Uma letra incrivelmente criativa e uma melodia de grande valentia. É fortíssima candidata a ser a melhor composição da Série A.

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