Fred Soares: como foi o primeiro dia de desfiles do Carnaval 2014 de Uruguaiana

 

 

O carnaval popular de Uruguaiana vai bem além de tudo o que se discute tecnicamente para analisarmos o desempenho de uma agremiação. A participação popular na festa é algo para se louvar ao extremo. E lá fui, aplaudir uma a uma as oito escolas de sambas (dos grupos 2, de Acesso e Especial) que se apresentaram na Avenida Presidente Vargas até quase sete da manhã desta sexta-feira, Destas, as três últimas compõem o Grupo Especial.

A Acadêmicos de São Miguel – a prmeira a nos brindar com um enredo sobre África que parece ter tocado o inconsciente coletivo de algumas escolas de Uruguaiana. FIcou clara a dificuldade financeira de pôr o carnaval na rua. Mas valeram a disposição,a garra e a dignidade apresentadas pela escola, que nos trouxe uma bela exibição de comissão de frente,com uma coreografia ritualístca bem forte, em que uma das integrantes simulava receber uma entidade..

E seguida, mais África. Desta vez com a Bambas da Alegria. A simpática e emergente escola de Uruguaiana optou por desenvolver um tema em que se contava o surgimento e o desenvolvimento do Candomblé no Brasil. De acordo com a diretoria, 100% das fantasias foram confeccionadas aqui (é prática comum – e aceita pelo regulamento – o uso de figurinos que já desfilaram em outras cidades). No entanto, o forte da escola não esteve no visual. E, sim, na sua capacidade de cumprir à risca as máximas do samba: cantar, dançar, tocar e evoluir. Mais uma vez os componentes abusaram do direito de cantar (obra e graça do belíssimo samba-enredo, na minha opinião, o melhor de 2014). A bateria também teve um grande desempenho. O senão, infelizmente, foi a dificuldade do manejar de duas alegorias que atrapalharam a passagem desta agremiação.

O espetáculo terminou já de manhã, com uma das favoritas: a Unidos da Ilha do Marduque. A escola iniciou a sua apresentação já sob um toque de fortíssima emoção, proporcionado pelo siincero e tocante discurso de sua presidente. Na pista, o que se viu foi banho de categoria, motivado por uma escola que, evidentemente, passou com sua auto-estima nas alturas. A suntuosidade das fantasias e alegorias (importadas, diga-se de passagem) juntou-se a uma evolução firme e feliz segurada por uma bateria de respeito e por um Igor Sorriso, o puxador, pra lá de inspirado. 

A Marduque foi a campeã da noite, sem dúvida. Mas sábado já está aí. E com ele, mais emoções. Pra todos nós!

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