Fred Soares elogia samba de Zé Katimba na Imperatriz

Olá, amigos leitores do "Carnavalesco". Demorei, mas estou de volta. Peço desculpas a todos pelo longo período afastado do blog. Só que a maratona olímpica (não a propriamente dita, mas a do trabalho na cobertura dos Jogos) tomou absolutamente meu tempo e não houve mesmo como conciliar.

Mas Olimpíada agora é coisa do passado – ou melhor, do futuro, daqui a quatro anos, por aqui. O negócio é falar de carnaval 2013, que já está bem pertinho. Estamos a menos de seis meses do desfile e as escolas de samba já se movimentam com seus concursos de samba-enredo. Agora e nos próximos posts, vou dar a minha impressão sobre o que rola nas quadras.

E vou começar pela Imperatriz Leopoldinense, que vai trazer o enredo "Pará, o Muiraquitã do Brasil", do carnavalesco Cahê Rodrigues. E sem ficar em cima do muro. Ouvi os concorrentes. Há quatro composições de boa qualidade. Mas, para mim, a briga acabou no nascedouro. Meu voto é para Zé Katimba! Aliás, vale salientar, um samba de compositor único (pelo menos no papel). Algo cada vez mais raro nas disputas pelas quadras afora.

É muito bom ver que o velho Katimba de volta com a corda toda. O samba tem a cara do compositor de "Martim Cererê", com a melodia quebrada ao fim de cada verso, característica presente em tudo o que ele fez para a agremiação de Ramos desde os anos 70.

E seguindo a máxima do grande Chacrinha ("Nada se cria, tudo se copia"), Katimba usou a estratégia da Portela-2012: emplacou um samba com três refrões, o que certamente o deixou mais leve.

O resultado final é uma letra bastante didática; poética (muito feliz o trecho "O sonho não deriva, fez-se perpetuar / Na raça dessa gente de lá / Tanta fartura a escorrer / Seiva da cobiça sangra nos seringais / Enquanto em lustres, brilham os cristais); além de uma melodia que embala um samba de verdade sem ser cansativa ou entediante.

Repito: não estou a desmerecer nenhuma das outras concorrentes da Imperatriz. Dignos de irem à Sapucaí são os sambas do Jefferson Lima, do Me Leva, do Josimar e do Marquinho Lessa. Mas, na minha opinião, a composição de Zé Katimba é o que há de diferente nas eliminatórias que rolam na quadra da Rua Professor Lacê.

E você, meu amigo leitor? O que acha? Vamos promover esse debate? Quem ganha na Imperatriz? O que há de bom em cada um dos sambas que por lé concorrem? O fórum é livre e toda opinião é válida.

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Meus cumprimentos ao amigo – e blogueiro do Carnavalesco – Gustavo Melo. É dele a sinopse que vai ajudar os compositores do Império Serrano a fazerem os sambas concorrentes para o enredo "Caxambu, o milagre das águas na fonte do samba".

Sinceramente – perdoem-me o trocadilho -, achava que dessa fonte não sairia água, não. Mas a beleza e o didatismo da proposta do enredo já me fazem começar a mudar de ideia.

Tomara. O Império merece.

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Fiquei muito feliz com a escolha Viradouro. Homenagear o Salgueiro, uma das maiores escolas de samba que Deus já pôs na face da Terra, é uma tremenda justiça. Por tudo o que a escola proporcionou para a evolução do carnaval, principalmente no que diz respeito a levar ao grande público personagens do povo que eram marginalizados pela História oficial. Isso sem contar a infinidade de sambas antológicos perpetuados na discografia carnavalesca.

Torço sinceramente para que, no desenvolvimento do enredo, a virada proporcionada por "Chica da Silva" tenha um carinho especial. Exatamente em 2013 comemora-se 50 anos daquela conquista (confira a cobertura do extinto jornal "A Noite", de 28 de fevereiro de 1963, em http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=348970_06&PagFis=7857) que mora firmemente em todos os corações salgueirenses.

E ninguém melhor do que a Viradouro, também vermelha-e-branca, e conhecida – principalmente nos tempos em que desfilava do outro lado da Baía – como o Salgueiro de Niterói.

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