Fred Soares: ‘O espírito de 1988’

Lembro-me de 24 anos atrás… Os programas de rádio especializados em carnaval decretavam: a Vila corria sério risco de rebaixamento. O portão abriu-se, a campanhia soou e a escola deixou na pista um verdadeiro rastro de sonho que lhe rendeu o primeiro campeonato da sua história.

Aprendi uma lição com aquela Kizomba. O ditado de que "carnaval se ganha na Avenida" estava mais do que comprovado.

A roda do tempo girou, chegamos a 2012, a Vila prepara mais um enredo de temática africana, e eis que o destino da escola é novamente foco de discussões. Por um lado, as conversas giram em torno dos dois excelentes ensaios técnicos feitos pela escola, embalados por um samba-enredo notável. O outro lado desta conversa, reconheço, foi-me alertado por um alto membro da direção da escola. Ele me avisou que, nas redes sociais, fóruns e afins que povoam a Internet pululavam mensagens detratórias a respeito do trabalho de barracão da escola. Diziam respeito a supostos carros mal-acabados e atrasos na confecção das alegorias.

Antes de qualquer verificação, duas coisas me vieram à cabeça: ora, a Vila Isabel tem uma carnavalesca que é reconhecida exatamente pelo seu esmero e, em condições normais de pressão e temperatura, jamais se submeteria a fazer um trabalho "meia-boca". E também me lembrei de uma entrevista do Júnior Schall, um dos integrantes da comissão de carnaval, à Rádio Arquibancada. Ele disse: "Não conhecem o organograma de trabalho, e como podem dizer que estamos atrasados?".

Não precisei procurar muito. Logo, várias fotos do barracão chegaram à minha caixa postal. E, pelo se vê, beleza, cuidado e, principalmente, adequação são os itens que pontuam na decoração das alegorias que a Vila vai levar para a Avenida. O porquê de tantas mensagens na Internet dando conta exatamente do contrário? Não sei.

O que sei é que o trabalho "de chão" somado à preparação das alegorias e fantasias faz da Vila uma séria candidata ao título, sim. Como qualquer concorrente, a escola se submete a acertos e erros que só acontecem no dia de desfile (lembram da história do "carnaval se ganha na Avenida"?). Assim como corre sempre o risco dos infortúnios – dá para esquecer a pane do sistema de som no ano em que a azul-a-branco prometia um grande desfile em homenagem a Noel?

Aos boleiros de plantão (e eu já fiz as minhas apostas no bolão), uma dica. O espírito de 1988 parece pairar sobre o ar.
 

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