Fred Soares: ‘Reflexões sobre 2012’

Amigos amantes do carnaval, passado cada desfile, ficam as reflexões. Para que sirvam de lição e de referência para que, nos próximos anos, tenhamos espetáculos ainda melhores. Como eu já esperava, tivemos, na minha opinião, o melhor desfile do Grupo Especial dos últimos 20 anos. Assim como foi flagrante a melhoria do nível das escolas do Grupo A, principalmente em relação a 2011. As minhas impressões relatadas abaixo já tinham sido compartilhadas com os amigos do Facebook e, agora, faço questão de dividi-las e deixá-las para debate com todos no CARNAVALESCO.

– O título tinha mesmo que ficar entre Salgueiro, Vila e Tijuca. Qualquer coisa fora disso seria piada;

–  Beija-Flor e, principalmente, Grande Rio não fizeram carnaval para voltar no Sábado das Campeãs. Sobre a escola de Caxias, impressionante a benevolência dos julgadores.

–   Se a São Clemente descesse, é porque o mundo iria mesmo acabar em 2012. Os rebaixamentos de Renascer e Porto da Pedra foram mais do que justos. Sobre a escola de Botafogo, o julgamento foi excessivamente cruel. Décimo-primeiro lugar foi um absurdo para uma escola que, na pior das hipóteses, deveria namorar com uma vaga no Sábado das Campeãs.

–  A Mangueira… Fica difícil até falar algo porque ela estabeleceu uma quebra de parâmetro. E, por isso, o engessamento dos critérios de julgamento acabou por puni-la, Achava que a ousadia apresentada deveria ser premiada;

–  Portela e Mocidade foram as ressuscitadas do ano. Mostraram-se no (novo) caminho certo; A Imperatriz também melhorou, mas talvez precise de um sopro de juventude (escrevi isso antes da notícia do desligamento do carnavalesco Max Lopes).

– Igor Sorriso é o novo grande puxador do Rio;

– Paulo Barros mostrou que é o grande carnavalesco do Rio. O ano em que ele acerta em cheio (como 2012) abafa completamente os erros (como em 2011).

– Fábio Ricardo é o novo talento entre os carnavalescos para se investir;

– Nossos casais de mestre-sala e porta-bandeira vivem grande fase;

–  No Grupo A, era indiscutível que o título deveria ficar com Império Serrano ou Viradouro. Deu Inocentes, como vociferavam as redes sociais há vários meses. Impressionou-me a parcimônia com que os presidentes das escolas mais prejudicadas receberam o resultado.

–  A bateria da Portela foi a melhor. Variaçöes de samba-de-roda, ijexá e olodum durante a melodia de um samba foram de uma ousadia que quase me matam do coração. Aplausos também para a ginga da bateria do Salgueiro e o andamento da da Tijuca (com direito a uma variação de forró pra nunca mais se esquecer);

–  Rosa Magalhães se reinventou ao desenvolver com maestria um tema afro.

–  No geral, tirando as da Vila e da Ilha, as comissöes de frente não me impressionaram. Quem mais me agradou estava no Grupo A: Rocinha, Viradouro e Império Serrano;

–  O Império da Tijuca fez novamente um bom desfile e mostrou que se prepara para subir muito bravemente;

–  Um espetáculo musical à parte os arranjos de cavaquinho e violões em TODOS os desfiles do Grupo Especial;

–  Depois de um grande desfile pelo segundo ano seguido, a União da Ilha mostrou que pode ser futuramente uma nova assídua frequentadora do Sábado das Campeãs.

–  Que o enredo do iogurte sirva de exemplo… vender a alma nunca é a mellhor opção para uma escola de samba;

–  A "camisolite" voltou a atacar na Grande Rio. Para cada destaque de chão, eu trombava com no mínimo dez cidadãos com a camisa escrito atrás "apoio" ou "diretoria";

–  O desfile das escolas de samba do Rio é mesmo o maior espetáculo cultural do mundo e que se destaca por ser o único em que há competição e, por essa razão, mexe tanto com nossos corações… Pena que só nos resta do Sábado das Campeãs… Pena mesmo.

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