Freddy Viana levanta Anhembi com samba da Mancha Verde mas problemas de plástica afetam desfile

vvr_9460A Mancha Verde promoveu uma grande batucada no Anhembi na noite desta sexta de carnaval para homenagear o grupo Fundo de Quintal. Como nos velhos tempos de Tamarineira no Cacique de Ramos a comunidade cantou muito o samba sob a batuta de Fredy Viana. O intérprete deu um show de interpretação impulsionando o canto da escola, se tornando o grande destaque da passagem da escola pela avenida. Entretanto os quesitos plásticos podem comprometer a intenção de uma boa colocação da verde e branca. Os conjuntos de alegoria e fantasia tiveram problemas de acabamento graves. Os homenageados foram ovacionados ao longo de toda a passagem na avenida. Tributo a quem tanto fez pela valorização do samba.

mancha_verde_desfile2018_-69Enredo

A verde e branca desenvolveu a homenagem ao Grupo Fundo de Quintal partindo do Cacique de Ramos, bloco onde surgiu um dos grupos mais importantes do samba brasileiro. Através da árvore sagrada da tamarineira, localizada na quadra do bloco, o enredo passa a se desenvolver. Os instrumentos criados exclusivamente pelos integrantes do grupo, como o banjo de braço curto e o repique de mão, passaram representados na avenida. A partir daí começou-se a contar os momentos de sucesso do grupo, a partir de 1980. A década de 90 se fez presente no enredo pela consagração de grandes nomes do grupo na cena do samba e do pagode do Brasil. Os prêmios, em especial os 18 “Prêmio da Música Brasileira”, receberam papel de destaque no desenvolvimento da homenagem da Mancha.

mancha_verde_desfile2018_-14Comissão de Frente

O grupo teatralizou a figura de Dona Conceição, mãe de Bira e Ubirany (fundadores e integrantes do grupo) e filha de santo de Mãe Menininha do Gantois, guiada pelos Orixás, recebeu a tarefa de colocar alguns preceitos e patuás na árvore, para que abrissem os caminhos espirituais do bloco Cacique de Ramos e de todas as pessoas que tivessem fé e talento que por lá passassem.

A apresentação usou a emoção como matéria-prima. Com a tamarineira em cena houve a mescla de integrantes do Cacique estilizadíssimo com orixás. A máscara de látex dos sambistas estava soltando durante a apresentação.

mancha_verde_desfile2018_-23Alegorias e Adereços

A primeira alegoria do desfile trouxe a representação do Cacique de Ramos, através de instrumentos criados por músicos do bloco, como o repique de mão e o banjo de braço curto. O Fundo de Quintal nasceu dentro do Bloco Cacique de Ramos, com variação rítmica, melódica e estilo próprio de fazer samba. O segundo carro do desfile trouxe o despontar do Grupo Fundo de Quintal nos anos 80, o que ajudou a alavancar o pagode em todo o Brasil. A fé se fez representar na terceira alegoria do desfile da Mancha Verde. A fé do grupo está em Oxóssi, o orixá que é o dono das matas e que no sincretismo religioso também é São Sebastião, o santo padroeiro do Fundo de Quintal. ‘A amizade’, música eterna do Fundo de Quintal, foi lembrada no quarto carro que fez uma homenagem a Moacir Banchi, torcedor símbolo da Sociedade Esportiva Palmeiras, que foi assassinado em 2017. A homenagem se encerrou com o Grupo Fundo de Quintal no carro 5, promovendo uma enorme celebração no Anhembi.

O primeiro carro usou praticamente toda a extensão da pista do Anhembi, mas tinha problemas de acabamento no revestimento da escultura que trazia um cacique. A segunda alegoria abusou do uso de plotters com a imagem dos homenageados. Os problemas de acabamento persistiram ao longo de todo o conjunto.

mancha_verde_desfile2018_-39Bateria

Os ritmistas de mestre maradona representaram na avenida uma das clássicas canções do repertório do Cacique de Ramos. A bateria representou ‘Caciqueando’, samba eternizado na voz de Beth Carvalho, a grande madrinha do Grupo Fundo de Quintal.

Os ritmistas realizaram algumas bossas que levantaram o Anhembi. A principal delas com uma paradona no trecho que falava da amizade, especificamente na parte que dizia “valeu por você existir amigo”.

Fantasias

O destaque do conjunto de fantasias da Mancha Verde coube às baianas da agremiação, que vieram representando a madrinha do grupo e do samba, Beth Carvalho. O figurino em verde e rosa remetia à Mangueira, escola da cantora. Uma homenagem emocionante. Os passistas passaram pelo Anhembi com a fantasia ‘Romantismo com Estilo Próprio’. O conjunto de fantasias abordou os sucessos do grupo.

O conjunto se apresentou se forma irregular com algumas alas excessivamente simples. O figurino das baianas foi um dos destaques com excelente leitura.

mancha_verde_desfile2018_-29Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A relação entre o Cacique de Ramos e a Estação Primeira de Mangueira esteve representada na fantasia do casal Marcelo Luiz e Adriana Gomes. A canção ‘Sou Cacique sou Mangueira’ é um dos primeiros sucessos do grupo presente no LP de estreia. Além disso no Carnaval 2012 a escola de samba carioca homenageou o bloco em seu desfile.

Uma brilhante apresentação do casal, com uma caracterização entre o Cacique e a Mangueira. Ele representando o índio e ela com uma indumentária toda em verde e rosa, remetendo à Mangueira.

Samba, Evolução e Harmonia

O experiente intérprete Fredy Viana deu o tom durante a apresentação do samba no desfile. Sua condução valorizou a boa obra da Mancha e permitiu um bom canto da comunidade. O samba teve ótimo rendimento devido a trechos que remetiam a clássicos do grupo Fundo de Quintal com uma melodia que propiciava o canto e dança.

A evolução se deu de forma irregular no desfile. O carro abre-alas teve algumas dificuldades de cruzar a pista, emperrando o andamento do desfile. Em contrapartida as alas estavam bastante soltas e dançando no ritmo do samba.

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