Glaucio Guterres analisa o primeiro dia de desfiles em Uruguaiana

 

 

Uruguaiana precisa definir algumas situações que acabam por diminuir o brilho de seu carnaval fora de época. Existem três grupos distintos totalmente destoantes. Onde temos o 2º Grupo (terceira linha) com três escolas de samba, que nem deveríamos chamá-las assim, com uma pobreza gigantesca, componentes em número de bloco de sujos, estragando o início das noites de desfiles. Se pegarmos as três agremiações, colocarmos num liquidificador e ligá-lo, a mistura final será insuficiente para tentarmos classificá-la como escola de samba. Nada se salva. Temos uma agremiação neste grupo, a Unidos da Toca do Lobo com 34 anos de vida, que a cada ano consegue apresentar um carnaval pior que o outro. E o pior: são estas que acabam atrasando o início dos desfiles numa total falta de respeito com o público que paga seu ingresso. Em contra-partida, no Grupo de Acesso, outra agremiação, Pantera Negra que completa apenas seu terceiro ano, que apresenta um carnaval digno de escola de samba. Mas aí entra o quesito "ser do tatâme". Gente vivida no carnaval da cidade. Não são apenas aqueles ditos sambistas que militam no momento de pegar o repasse financeiro da prefeitura, mas sim aqueles que estão em quadras, barracões e ateliês, envolvidos durante o ano todo. É preciso mudanças. Chega de bloquinhos de sujo abrindo os desfiles do Carnaval de Uruguaiana. Chega!

Bom, agora vamos falar dos desfiles do Grupo Especial. Na noite de quinta-feira (20) três agremiações passaram pela avenida Presidente Vargas: Acadêmicos de São Miguel, Bambas da Alegria e Ilha do Marduque.

ACADÊMICOS DE SÃO MIGUEL – A campeã do Grupo de Acesso no último ano chegou com força no Especial. Entrada com pegada forte, componentes empolgados e muito embalados pelo samba de autoria de Leonardo Bessa, Serginho Aguiar e Diego Nascimento que funcionou muito bem na avenida. Comissão de frente comandada por Renato da Rosa fez muito boa apresentação aos jurados paulistanos destacando a religiosidade no enredo "Africanidade". O casal de mestre-sala e porta-bandeira Gustavo e Suelene chegaram da União da Vila do IAPI, de Porto Alegre, e realizaram uma apresentação razoável diante do júri. Alguns pequenos problemas de sincronia que podem render alguns descontos. Na parte visual surpreendeu positivamente. Alegorias com bom acabamento e fantasias totalmente adequadas ao tema. Destaque negativo para a última alegoria da escola que quebrou e não entrou na avenida. Por ter a segunda noite de desfiles, peculiaridade local, já estão trabalhando na recuperação do carro.

BAMBAS DA ALEGRIA – Atual quarta colocada do carnaval da cidade, a águia se recuperou do desfile problemático do ano passado, mas ainda assim deixou a desejar na parte plástica. Principalmente duas das quatro alegorias que levou para a avenida. Algumas fantasias sem uniformidade, com desfilantes de bermudas. No enredo "Axé na Casa dos Bambas – Batuque, Magia e Raiz", com cunho totalmente religioso, a comissão de frente sob o comando de Diego Gorges realizou uma apresentação comum diante dos jurados, porém com muita imposição, vigor e energia dos componentes. Apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira foi prejudicada no final pela coordenação da escola que não segurou a ala de baianas, e pela comissão de frente ter avançado antes do término da dança da dupla Marcelinho e Gisa, de Porto Alegre, que mais uma vez deu show na avenida Presidente Vargas. O casal desde que pisou em Uruguaiana pela primeira vez há 5 anos, não conquista outra nota que não a máxima. Bateria Sensação do mestre Hérton bem afinada e cadenciada, complementada por ritmistas da cidade vizinha de Paso de Los Libres (Argentina). Apenas faltou um pouco mais de ousadia durante o desfile, principalmente em frente ao módulo de julgamento. O chão da escola respondeu muito ao samba de Marcelo Demétrio, Samir Trindade e Júnior Trindade, com a força de Tinga (Unidos da Tijuca) à frente do carro de som.

ILHA DO MARDUQUE – Indiscutivelmente a melhor escola da noite. A largada foi forte, vigorosa e empolgante. Quando os primeiros componentes da comissão de frente pisaram na avenida, sentiu-se uma vibração diferente na passarela do samba. Representando espantalhos, os comandados de Fábio Madeira e Henrique Talmah (Grande Rio), não puderam contar com o tripé, que apresentou problemas e que está sendo consertado para o segundo desfile no sábado. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Estandarte de Ouro 2014, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro deslizaram com muita beleza, elegância e leveza pela pista. O bailado levou o público ao delírio e aos jurados aplaudirem de pé a apresentação e a condução do pavilhão azul e branco. O abre-alas da escola passou por dificuldades no gerador no início do desfile e entrou apagado. Porém, conseguiu solucionar a questão com alguns metros já na passarela do samba e chegou ao módulo de jurados funcionando perfeitamente. Mestre Zeca bastante ousado em bossas da "Baterilha Caldeirão". Ritmo e cadência perfeitos. Com tudo isso, o destaque principal foi o chão da escola. A comunidade cantou com força e fluidez o samba de Jéferson Lima, Gláucio Guterres, Adonai e Tuninho Professor no enredo "Terra, Vida e Esperança". Conjunto alegórico bastante uniforme. À contestar, apenas algumas fantasias que destoaram do brilho da maioria das alas. Ilha do Marduque vem pro título.

E vem aí a segunda noite de desfiles. Confira a ordem:

20:25 – Bloco Afro Aruanda (Convidado)
21:00 – Unidos da Mangueira (2º Grupo)
22:00 – Imperadores do Sol (Acesso)
23:15 – Apoteose do Samba (Acesso)
00:30 – Deu Chucha na Zebra (Grupo Especial)
01:55 – Os Rouxinóis (Grupo Especial)
03:20 – Cova da Onça (Grupo Especial)

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