Gláucio Guterres analisa o segundo dia de desfiles em Uruguaiana

A segunda noite dos desfiles do Carnaval de Uruguaiana teve uma maior presença de público na avenida Presidente Vargas. Com total estimado em 15 mil pessoas, a passarela do samba recebeu as duas principais rivais na pista: Os Rouxinóis e Cova da Onça, que busca o pentacampeonato. Abrindo os desfiles do Grupo Especial, tivemos a Deu Chucha na Zebra.

DEU CHUCHA NA ZEBRA – No primeiro ano sob nova diretoria, a escola mostrou velhas dificuldades. Embora o novo ar dentro dos segmentos da escola, os problemas plásticos permaneceram. Com o enredo “Sucatas”, destacando a sustentabilidade, a preto e branco realizou um desfile modesto, porém superior ao dos últimos anos. A comissão de frente de Dalan Machado foi um dos destaques da passagem pela avenida. Coreografia bem elaborada e executada. Um pequeno detalhe negativo foi a dificuldade de seu integrante principal da apresentação com parte de sua fantasia. O casal João Boff e Juliana, de Porto Alegre, realizaram uma boa apresentação diante dos jurados. Bailado leve e elegante. Pequenas dificuldades de sincronismo devem comprometer a nota máxima. Bateria bastante cadenciada porém sem ousadia. Podia arriscar mais. Isso certamente é prejudicial quando a bateria é preenchida com ritmistas de Paso de Los Libres (Argentina) pela falta de ensaios para entrosar. O samba de Daniel da Ilha, Preto Ortiz, Danilo Oliveira e Lucas Monzon, turma toda de Uruguaiana, cumpriu bem o seu papel. Proporcionou boa evolução e harmonia dos componentes da escola. Com alegorias esteticamente prejudicadas e fantasias modestas, a escola disputa apenas a parte de baixo da classificação. Ares novos, problemas antigos.

OS ROUXINÓIS – A mais antiga e maior detentora de títulos da cidade também foi a escola que teve mais problemas internos no período pré-carnaval. Desde discussões e brigas dentro da própria diretoria até a discórdia com o carnavalesco contratado no início do trabalho, Jaime Cezário, que anunciou não estar assinando os desfiles da escola neste ano. Em meio à todos os problemas a escola buscou na superação, compensar todas as dificuldades. E em termos conseguiu. No enredo exaltando a cor da escola, o verde, a nova coreógrafa, Tatiane Serres conseguiu realizar um bom trabalho na sua comissão de frente. Com pintores e um grande latão de tinta, seus comandados com roupas modestas realizaram uma apresentação sem erros, porém sem muitas surpresas, o que causou estranheza para quem conhece o trabalho de Rodrigo e Priscila, da Unidos da Tijuca, responsáveis pelo projeto deste ano. Na sequência, apresentaram-se Mosquito e Débora, casal do Rio de Janeiro que deve ter garantido a nota máxima pelo bailado elegante e entrosado diante dos jurados. Com o apoio de Luizinho Andanças no carro de som, o intérprete oficial Wantuir com toda a sua competência levou o samba de Claudinho HP, Vicente Felisberto e Delson Patricio. A bateria Galáctica do mestre Alexandre mais um ano dá show. Afinação, bossas ousadas, variadas e totalmente entrosadas com o samba. Provavelmente nota máxima. O canto e a evolução da escola se apoiaram nestes destaques para passar com uniformidade. Toda a dificuldade da escola ficou nos quesitos plásticos. Principalmente em fantasias visivelmente aquém do padrão Os Rouxinóis. Alegorias em nível médio mas com boas soluções salvarão décimos importantes. Disputa a parte intermediária da classificação.

COVA DA ONÇA – O grande desfile da noite, porém com alguns problemas. A cabeça da escola deu show. Comissão de frente de Cristina Fernandez voltou a realizar apresentações para nota máxima. No último carnaval, algumas dificuldades não permitiram a pontuação almejada. Só mesmo com muito ensaio o grupo conseguiu executar sua coreografia com exatidão e entrosamento. Com um enredo infantil “Era Uma Vez’, a coreógrafa utilizou-se de uma apresentação teatralizada, fugindo do corriqueiro passo marcado e excesso de fileiras que, quando necessárias, não tiveram nenhuma dificuldade em seu alinhamento. O casal Sidclei e Marcela Alves, da Acadêmicos do Salgueiro, com toda a competência em seu bailado garantirão a nota máxima no quesito, já que a apresentação aos módulos de julgamento foram corretas com muita elegância. O samba de Evandro Bocão, André Diniz, Leonel e Junior Escafura entoado pelo brilhante Ito Melodia levantou o público empolgado nas arquibancadas, frisas e camarotes. Porém na pista o resultado deixou a desejar. Algumas alas com pouco canto. A explosão se dava no refrão. A bateria Furiosa dos mestres Lucas e Júnior, teve o reforço de Marcão, do Salgueiro à sua frente. Outro show na avenida. Bossas ousadas e executadas com brilhantismo pelos ritmistas. No recuo, apareceram as dificuldades da evolução da escola. Pelas cabines de imprensa, localizadas muito próxima ao espaço destinado ao recuo da bateria, passaram ao menos seis alas e uma alegoria num passo muito acelerado. Na plástica, as fantasias destacaram-se pela criatividade e beleza. Não se pode dizer o mesmo de alegorias, que se comparadas com o último ano, foram modestas. Inclusive a utilização de um tripé, que fazia referência à uma baleia, onde além de fraco visualmente foi totalmente desnecessário. Mas é a escola que busca o 5º título consecutivo. E mesmo não sendo a Cova da Onça dos últimos anos, pintou como a grande favorita.

E neste sábado encerram-se os desfiles do Carnaval de Uruguaiana. As seis agremiações do Grupo Especial retornam à passarela do samba para seus segundos desfiles. Confira a ordem:

21:00 – Acadêmicos de São Miguel
22:25 – Deu Chucha na Zebra
23:50 – Bambas da Alegria
01:15 – Os Rouxinóis
02:40 – Ilha do Marduque
04:05 – Cova da Onça

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