Grande Rio ainda precisa acertar alguns pontos para o desfile oficial

No seu segundo ensaio técnico no Sambódromo, na noite de sexta-feira, a Grande Rio não conseguiu se superar. Pelo contrário, a escola esbarrou na falta de vibração dos seus componentes e nem de longe repetiu a boa atuação do primeiro ensaio técnico. Sempre candidata ao título, a tricolor caxiense não pode ensaiar sem "rasgar o chão da Sapucaí". Sua comunidade é imensa, forte e totalmente diferente da apatia mostrada no segundo treino na Avenida. Com raras exceções, a Grande Rio pode comemorar que o seu samba-enredo estava na boca dos integrantes, mas a evolução comprometeu o melhor rendimento do ensaio. Repleta de coreografias, que não precisam ser realizadas no ensaio técnico, ela ficou travada e cansativa, os componentes andavam e não sambavam e nem pulavam.
 

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Problema costumeiro na Grande Rio, os bicões tomaram conta do ensaio. Eles estavam na cabeça da escola, ao lado do carro de som e por toda parte da pista. São figuras folclóricas, quem podem até agitar o público nas arquibancas, mas que não contribuem em nada para o sucesso técnico da escola na Avenida.
 

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– A escola está muito unida e em busca do tão sonhado título. Nós sabemos que têm outras escolas se preparando com grandeza, com brilhantismo, mas estamos fazendo o nosso dever de casa e hoje provamos isso: o canto da escola evoluiu em relação ao primeiro ensaio. Ainda mais porque a Grande Rio entrou na Avenida às onze e meia da noite, em plena sexta-feira, um dia de trabalho para muitos. E a escola quebrou um tabu, um paradigma, pois sempre falaram que a Grande Rio não ensaiava na sexta-feira – disse Tavinho, diretor de carnaval da Grande Rio.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Luis Felipe e Squel ensaiaram novamente com a fantasia usada em 2011. A dupla usou guardiões para marcar seu espaço na pista. Faltou sincronia entre o casal e a comissão de frente. No setor 7, eles faziam a apresentação e a comissão, sem esperar, continuou andando pela pista deixando buraco. Atrás da comissão de frente, Luis Felipe e Squel dançaram, mas sem explodir. Squel, estranhamente, rodava de forma bem lenta. Ponto forte, a sua bandeira estava sempre lá no alto e esticada. Mais vibrante, Luis Felipe vem melhorando consideravelmente e não desgruda o olhar da sua porta-bandeira.

Bateria
É difícil não gostar de mestre Ciça e do som feito pelos seus ritmistas. Sambista, criativo e bastante sincero, o comandante cativa e está no hall dos melhores. Porém, a perfeição não acontece sempre. Neste sábado, a bateria errou algumas vezes, principalmente, no início do ensaio e quando estava no segundo recuo, e mesmo com paradinhas e coreografias não balançou o público da forma que sempre faz. O andamento foi bom e afinação melhor do que a do primeiro ensaio. Só que uma bossa feita em frente ao setor 3 trouxe um erro que comprometeu toda apresentação. Dentro do segundo recuo, a bateria também variou demais o andamento, dando várias aceleradas.

– Achei que a bateria estava boa de uma maneira geral. Gostei do ensaio. É claro que poderia ser melhor, mas infelizmente o primeiro cavaquinho da escola não veio hoje e estamos acostumados a fazer essa bossa nova com uma participação dele. Como o rapaz que estava no lugar dele não sabia fazer houve uma certa dúvida, mas depois fizemos de novo e acertamos – explicou mestre Ciça, que ainda tem muito crédito e competência.

Comissão de Frente
Comandada por Jorge Texeira, a comissão de frente respeitou o público presente e trouxe uma coreografia especial para o ensaio técnico. Nos dois últimos módulos de jurados, o grupo fez os movimentos que vão ser realizados no desfile oficial.

Samba-Enredo e Harmonia
A obra musical da Grande Rio não figura na relação das melhores para 2012, mas tirando alguns componentes de alegorias, um grupo que estava na terceira ala, e as baianas, o samba-enredo para esse ano foi cantado forte pelos caxienses. Essa foi a principal conquista da harmonia. Sempre ensaiando com um número grande de integrantes, mais de três mil pessoas, a escola sofria com o canto nas últimas alas, fato que não aconteceu neste segundo ensaio, pelo contrário, no fim era possível ouvir ainda mais forte o canto dos componentes. O intérprete Wantuir é sempre uma referência de qualidade, mas ainda precisa recuperar o posto que tinha na Unidos da Tijuca, quando era apontado como uma das molas que impulsionavam ainda mais os tijucanos. Hoje, ele canta com a perfeição de sempre, só que falta um algo a mais, difícil de ser explicado, que é mais sentido na emoção do momento.

Evolução
Com mais de três mil componentes ensaiando, vários diretores de harmonia espalhados na pista, sistema de comunicação e tudo perfeito para realização de um trabalho com sucesso, a Grande Rio não pode ensaiar com tanta apatia como fez na noite deste sábado. Após o incêndio em seu barracão e os problemas enfretados pelo presidente com a polícia, o mínimo que se espera é ver um verdadeiro show de alegria, emoção e espontaneidade. As coreografias podem surtir o efeito desejado no desfile oficial, já que vão estar acompanhadas do figurino ideal, mas nos ensaio técnicos precisam ser melhor conduzidas. Como foram apresentadas e quase sem o canto desses integrantes coreografados, parecia mais uma aula de ginástica, sem nada de samba no pé ou alegria. Ficou chato. A Grande Rio pode sacudir o público e seus componentes. É o ano certo para mexer com os brios e entrar que nem um trator no desfile oficial. Caxias não pode mais esperar é hora da Grande Rio usar toda sua comunidade, que ama e curte o carnaval, e sacudir. No sábado foi apenas um treino, onde é possível e permitido errar, agora é estudar o que foi feito e dentro de casa, ou seja, na quadra e nas ruas de Caxias, reunir toda força e superar todos os obstáculos.
 

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