Grande Rio, cadê aquele banho de cultura?

Toda vez que eu ouço algum samba da Acadêmicos Grande Rio desde sua estreia até 2002, me vem essa questão na cabeça remetendo aos dias de hoje. Cadê aqueles enredos históricos, ricos, informativos e culturais? Cadê aquela fonte de cultura e informação que era tão bonito de se ver e dava à escola sambas enredos memoráveis que os de hoje em dia não conseguem chegar nem perto. Tivemos “No mundo da Lua”, “Os Santos que África não viu”, “Na Era dos Felipes o Brasil Era Espanhol”, “Prestes” e até “Gentileza”. Bons tempos que não davam à escola chances de chegar nem ao desfile das Campeãs, o máximo que a escola conseguiu
nesses anos foi o 6º lugar com “Chateau” e “Gentileza”.

Notório que a Grande Rio é uma das escolas que mais cresceu, se fortaleceu e profissionalizou-se nos últimos anos. Saiu lá do Grupo de Acesso, criou raízes e hoje está sempre entre as 5 campeãs. Mas por que será que a Grande Rio nunca leva o caneco? A quem diga que em 2011 – quando o incêndio acabou com seu carnaval – aquele seria seu momento. Será? Nunca saberemos.

Eu sou muito simpático à Grande Rio, costumo dizer que se eu não tivesse nascido Imperiano de fato, se pudesse escolher, eu seria Grande Rio. Incomoda-me demais ver alguns comentários negativos sobre a escola. Também pudera, nos últimos 10 anos a escola contou com 8 enredos patrocinados. De 2003 pra cá a escola exaltou a Vale do Rio Doce, a camisinha, os alimentos – Nestlé -, Amazonas, o Gás de Coari, a França, o Camarote nº1 e por último Yjurerê Mirim em Florianópolis. Nesses anos a escola alcançou resultados bem positivos entre Vice Campeonatos e colocação entre as 5 primeiras. Salvo apenas para o ano da “camisinha” que ficou em 10º.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Ficou bem claro que os enredos históricos, lindos e tudo mais não davam retorno no ranking da escola, logo por esse motivo ou por outros que não sei dizer – pode ser até que financeiros para suportar a profissionalização que alcançavam – plantou essa série de enredos pouco cativantes e crivou de vez sua bandeira no desfile das campeãs. Ou seja, obtiveram ótimos resultados.

Mas já que hoje em dia a escola encontra-se num nível organizacional elevado, com profissionais de alto gabarito no mercado carnavalesco, não seria agora – quem sabe até a chave para a vitória – voltar lá atrás e buscar enredos de cunho cultural, histórico e de apelo popular? Some toda a condição estética da escola com um enredo com os traços acima, um samba esplendoroso, a bateria “invocada” do Ciça e uma comunidade bem ensaiada como a da escola: não vejo outro resultado, campeã na certa. Torço pra isso!
 

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