Grande Rio faz seu maior desfile em alegorias e fantasias, mas peca na apresentação do enredo

 

 

A Grande Rio talvez tenha feito o maior desfile de sua história no aspecto plástico, com fantasias impecáveis e alegorias muito bonitas e bem acabadas, causando impacto. Um trabalho que coloca o carnavalesco Fábio Ricardo no hall dos grandes artistas da folia.

O que se imaginava quanto ao enredo, acabou se concretizando na passagem da escola. Ao inserir a cantora Maysa no contexto do tema, não ficou claro qual seria sua função na história. Grande parte do desfile retratou uma apresentação típica dos enredos CEP, com índios, religião e cultura locais. Maysa estava presente apenas através do piano no carro abre-alas e na última alegoria.

A Grande Rio trouxe uma alegoria imensa para a apresentação da Comissão de Frente. Apesar disso conseguiu conquistar o público no momento em que um canhão arremessava um dos piratas para o alto e ele caia numa cama de elástico. O grupo exibiu uma teatralização com piratas e integrantes vestidos de siris. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luís Felipe e Verônica, teve problema ao apresentar o pavilhão para o 3º módulo de julgadores. Eles se posicionaram de maneira que Verônica encobria o pavilhão.

Apesar de os primeiros setores da escola cantarem com força o samba, depois da entrada da bateria no recuo, as alas que sucederam a Invocada pouco cantaram. Bem diferente do que se viu no ensaio técnico da escola.

A evolução no desfile caxiense esteve bastante satisfatória, mas passou por alguns percalços. A comissão de frente, com seu show de pirotecnia, fez apresentações muito lentas nos quatro módulos de julgamento e chegou a fazer uma quinta para os setores 12 e 13 das arquibancadas. Com isso o abre-alas ficou cerca de 10 minutos parado na altura do último módulo. O excesso de camisas nas laterais da escola também atrapalhou o conjunto e a evolução.

O conjunto de fantasia era requintado, cheio de detalhes e de fácil leitura. Destaque para o setor "Das noites negras, uma nova visão". O excesso de adereços de mão e outros componentes das fantasias fez com que alguns integrantes de algumas alas não os usasse de maneira correta. Na ala "A lenda do lobisomen", que trazia na cabeça dos componentes uma estrutura que simulava o abrir de boca do animal, muitos integrantes passaram com a estrutura desmontada.

As alegorias da escola seguiram o excelente nível das fantasias, com destaque para o abre-alas, "O início de uma história à Beira-Mar", e o carro 04, "Noites da Fazenda". O tripé da comissão de frente, que mais parecia uma alegoria, estava também muito bem acabado. No fim, a última alegoria, "Só fui feliz em Maricá", que trazia Maysa, destoava do conjunto, trazendo rostos muito sisudos da cantora.

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