GRES Inesperado

Quando ingressei no jornalismo, logo aprendei um conceito que vai ficar para toda a vida: "notícia é aquilo que é inusitado, fora do corriqueiro, do usual, do tradicional. Aquilo que não nos pega a todos de surpresa não é notícia".Com base neste preceito, começo meu comentário com o inesperado que tomou conta da União da Ilha do Governador ao amanhecer deste domingo. Durante várias semanas, tínhamos a certeza de que a disputa estava polarizada entre o samba de Marquinhos do Banjo & Cia. e Carlinhos Fuzil e seus parceiros.

As duas obras tinham um bom equilíbrio de letra e melodia, além de atender os tópicos do enredo. Só que a diretoria da União da Ilha resolveu tomar uma audaciosa decisão: optou pelo concorrente que tinha a melhor melodia, embora a letra deixe um tanto a desejar. E, deste forma, a zebra atendeu pelos nomes de Guinho, Junior, Vinicius do Cavaco, Eduardo Conti, Professor Hugo e Jair Turra.

Os derrotados não esconderam a sua revolta no fim da disputa. O que é absolutamente normal. Mas tratemos de nos ater no samba vencedor. Repito: era a melhor melodia dentre os concorrentes. Mas mudanças devem ser feitas na letra. Principalmente para deixá-la com um melhor resultado poético. E também para adequá-la com mais precisão ao conteúdo do enredo. Com isso feito, a União da Ilha terá um samba digno das suas melhores tradições no carnaval 2013.

Queria falar agora um pouco da Acadêmicos do Grande Rio. Por lá, venceu a parceria de Mingau, que tantas vezes já foi campeão na escola. Mereceu. Principalmente porque era o único dos finalistas que ainda tinha um samba com alguma qualidade melódica. Quanto a letra, uma verdadeira colcha de retalhos. Não só o dele. Todos os finalistas apresentaram um conteúdo que ficou bem abaixo da crítica. Talvez nem tanto por culpa deles. Muito mais pelo enredo: uma bandeira político-partidária que não é assunto para o samba, para a cultura popular. A defesa dos royalties do petróleo pelo carioca é uma causa justa para todos saiamos às ruas para cobrar e protestar. Mas samba é uma outra história… E, infelizmente, a Grande Rio não se apercebeu disso.

Sobre a Vila, o que mais dizer? Assim como na Portela, a vitória da super-parceria de André Diniz, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Leonel e Tonico transncendeu os muros daquela escola de samba. Foi um triunfo do carnaval, que ganhou para a sua discografia uma obra que, na minha opinião, vai figurar entre as maiores de todos os tempos. Sabe aquele samba que vai ficar no imaginário popular depois que o carnaval for embora? Pois é… Acho que é exatamente isso o que vai acontecer com a querida Unidos de Vila Isabel que, para mim, já parte neste início de período pré-carnaval como a maior favorita para o título de 2013.

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Nesta madrugada, também escolheu o seu samba-enredo o Império Serrano. Venceu a composição de Paulinho Valença e seus perceiros. Uma obra que tem como ponto alto o seu refrão (E vem de lá / O Povo a cantar / Pode acreditar / A cada ano / Renasce na fonte do samba / Um novo Império Serrano). Outra escola que terá as águas como fio condutor de seu enredo e que escolheu o samba nesta madrugada foi a Unidos de Vila Santa Tereza. Venceu a perceria de Carlos Ferreira, Rafael Gigante e Robert Farrow.

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