Grupo Especial lança CD e precisa virar a chave da crise e focar na produção dos desfiles para o Carnaval 2018

festa_cd_grupo-especial_2018_298O Dia Nacional do Samba chegou e com ele fica a expectativa que a partir desta data o mundo das escolas de samba mude a chave, toque o barco da produção dos desfiles e esqueça o que ficou para trás (na verdade, esquecer é impossível, mas agora o tempo é importante, por isso o necessário é trabalhar). Na noite desta sexta-feira e madrugada de sábado, as treze agremiações do Grupo Especial lançaram o CD oficial, em festa na quadra do Salgueiro, e que contou com excelente público e alguns protestos contra a Prefeitura do Rio de Janeiro e o prefeito Marcelo Crivella pelo corte de um pedaço da verba para 2018.

– Somos muito bem recebidos no Salgueiro. É uma festa aberta ao público e com a característica de ter uma divulgação. Tivemos um belo show do Xande. Todo mundo fala da crise e das dificuldades, mas as escolas vão se superar e fazer o maior carnaval de todos os tempos. Vamos fazer como a água, contornar os obstáculos e fazer um grande espetáculo – disse o presidente Jorge Castanheira.

Veja abaixo a análise de cada apresentação:

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Império Serrano: Na sua volta ao Grupo Especial, o Império Serrano ainda tem muito espaço para crescer. O samba na festa sentiu a pouca presença de imperianos na torcida e não teve grande rendimento. Destaque para a ótima apresentação do casal Feliciano e Raphaela Caboclo. Marquinho Art Samba está totalmente familiarizado com a obra, mas o seu talento nos leva a crer que o sucesso do Império Serrano em 2018 ainda tem um caminho para ser construído.

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Paraíso do Tuiuti: Uma das grandes apresentações da noite. A abertura com Grazzi Brasil já desponta com um dos momentos mais bonitos do Carnaval 2018. Celsinho Mody e Nino do Milênio conduziram o samba com perfeição e muita garra. Impressiona a grande sincronia do trio, apesar do pouco tempo de trabalho. Foi um dos sambas mais cantados pelo público. Além do belo samba, o Tuiuti também está bem servido com o seu casal e mestre-sala e porta-bandeira Marlon e Danielle Nascimento.

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Unidos da Tijuca: Outro exemplo de samba-enredo que ainda pode crescer muito até o carnaval. Com a força da comunidade tijucana, a obra sobre Miguel Falabella tem espaço para ganhar o coração do público. Tinga, o maior vencedor de finais em 2017 para 2018, já possui grande afinidade com a composição. Muita atenção com o casal tijucano. Alex Marcelino e Jacke fizeram uma apresentação de “dar água na boca”, uma beleza de sincronia, cortejo, garra e amor ao pavilhão da Tijuca.

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Vila Isabel: Igor Sorriso foi o destaque valorizando a apresentação. O cantor sabe como poucos conduzir uma apresentação. Também tem espaço para crescer e ganhar o coração e o canto do povo do samba. Raphael e Denadir formam um dos casais que já nasce com a cara da nota máxima.

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São Clemente: Leozinho Nunes, mais uma vez, roubou a cena fantasiado de pintor. Uma atuação de gala do cantor da São Clemente. Demonstra muita maturidade em seu terceiro ano apenas como o intérprete oficial. O samba teve ótimo rendimento e foi muito bem acompanhado pela dança do casal Fabricio e Amanda Poblete.

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União da Ilha: Ito Melodia é um dos grandes intérpretes do carnaval. Empolgou o público primeiro cantando o inesquecível ‘É Hoje’ de 1982. Sua atuação foi impecável e valorizou muito um samba que poderia ter um rendimento apenas de mediano para bom e foi uma das grandes surpresas da noite. Phelipe Lemos e Dandara Ventapane formam um dos casais principais do Grupo Especial.

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Imperatriz: Samba que demonstra toda a sua qualidade a cada apresentação. Arthur Franco demonstra muita segurança na condução da obra. Muito cantado pelo público presente na quadra do Salgueiro. O casal Thiaguinho e Rafaela é sinônimo de beleza, na união, na dança e na elegância de sua exibição. A Imperatriz promete ser uma das escolas mais aguardadas de 2018. Escola recuperou seus tempos de ótimos desfiles, embora, tenha sido injustamente julgada em 2017 e tenha ficado fora do sábado das campeãs.

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Beija-Flor: Sem Neguinho da Beija-Flor, a escola não abaixou a cabeça e mostrou todo o potencial de sua composição. Como é um samba muito conhecido já do público geral praticamente toda a quadra cantou o samba junto do intérprete Bakaninha, que cresce a cada ano e já tm o DNA nilopolitano. Claudinho e Selminha Sorriso são impecáveis. Dança, canto do samba, amor ao pavilhão, e, acima de tudo, muito respeito ao samba e ao carnaval.

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Grande Rio: Muito criticado pela sua qualidade, o samba foi o que mostrou maior valentia em sua apresentação. Méritos para o intérprete Emerson Dias e o mestre de bateria Thiago Diogo. A apresentação enlouqueceu o público presente na quadra e demonstrou o que pode ocorrer na avenida. Apesar disso, a escola esqueceu do limite de três passadas e cantou por quatro vezes seu samba-enredo. É necessário recuar o preconceito contra a Grande Rio. A comunidade é muito forte e a escola possui em seus quesitos grandes componentes e que estão sempre nas listas dos melhores.

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Mangueira: Também muito popular, a obra mangueirense teve uma forte apresentação, principalmente, pelo seu refrão principal, que deve ser o mais entoado do próximo carnaval. A bateria se apresentou com um andamento bem adequado à melodia do samba. Evelyn Bastos, como sempre, um colírio na dança e na beleza. Impressiona, a perfeição da dança do mestre-sala Matheus e da sincronia com a porta-bandeira Squel.

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Salgueiro: O fator ‘casa’ influenciou é claro. Mas a comunidade salgueirense mostrou seu valor cantando muito o bom samba da Academia, que foi muito bem interpretado pela trio Leonardo Bessa, Hudson Luiz, é Tuninho Junior. A bateria Furiosa deu um gostinho do que vai apresentar na avenida com uma condução excelente da composição. O refrão se mostrou muito forte. Vai ser difícil segurar o Salgueiro em 2018. Sidclei e Marcella Alves seguem perfeitos. É uma das fortes candidatas, sem dúvida, ao título de 2018. Tem samba, enredo, quesitos fortes e desfila na segunda-feira.

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Portela: Gilsinho demonstrou toda sua categoria na condução. o samba ainda pode ter um melhor rendimento com a presença maior dos componentes portelenses. Novamente, a obra deve ajudar e muito para o sucesso da Águia. Marlon e Lucinha Nobre dançam demais. Que casal! Dignificam a arte do mestre-sala e da porta-bandeira.

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Mocidade: Encerramento digno do grande CD de 2018. O samba já é muito conhecido até por torcedores de outras escolas. Wander Pires encantou com sua inconfundível interpretação daquele que deve ser um dos sambas mais premiados do carnaval. Praticamente toda a obra fez o público cantar a plenos pulmões. A polêmica introdução do CD foi repetida no palco do Salgueiro e funcionou muito bom. Marcinho e Cris Caldas foram feitos um para o outro. A Mocidade não sentiu a troca de seu mestre-sala. O título de 2017 fez renascer uma das maiores escolas de samba do carnaval. O clima é de total alto astral em Padre Miguel. Realmente, a Mocidade voltou. Bom para os independentes e bom para o carnaval.