Guerra na Rocinha inviabiliza eventos na quadra, afirma presidente

rocinhaO Rio de Janeiro tem acompanhado com apreensão a situação da violência na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro. A crise se agravou a ponto de forças de segurança do Exército ocuparem pontos estratégicos na comunidade. A guerra que afeta o dia a dia de milhares de moradores da Rocinha atinge também a agremiação oriunda do local. Em entrevista concedida ao CARNAVALESCO, o presidente da escola Ronaldo Oliveira afirmou que enquanto a situação não for normalizada os eventos estão suspensos.

– Nesse momento não há nenhuma condição de se fazer nada na quadra. Primeiro porque é uma falta de sensibilidade grande, com as pessoas sofrendo com o medo, e a gente ficar promovendo festa. Segundo pelo fato de que quando cai a noite todos ficam apreensivos em sair de casa, é prudente que fiquem abrigados nas suas residências por questões de segurança – justifica Ronaldo.

Ronaldo viveu por mais de 28 anos na favela da Rocinha. O dirigente fala de sua relação com a favela e tranquiliza a sua comunidade, afirmando que embora muitos integrantes da escola vivam no local, apenas uma diretora teve sua casa atingida pelos disparos.

rocinha_desfile_2017_025– Uma diretora nossa que eu prefiro não identificar teve a casa bastante atingida, mas tendo em vista a quantidade de pessoas da escola que residem na favela graças a Deus ninguém sofreu nada sério, bala perdida ou coisas mais graves. Vivi na Rocinha mais de metade da minha vida e sofro muito vendo essa situação. É muito triste ver tudo isso sem poder fazer nada – lamenta Ronaldo.

A quadra da Rocinha, embora fique localizada bem próxima à favela, está relativamente protegida em relação aos pontos de conflito. O presidente oferece o espaço para proteção a quem necessite em qualquer momento.

– Nossa quadra é utilizada pela brigada dos bombeiros em momentos de chuva. As forças de segurança não precisam pois existe uma delegacia bem próxima do acesso à favela. Todos os integrantes de nossa escola possuem meu telefone e sabem que podem se abrigar e usar nossa quadra em qualquer momento que acreditar ser seguro e necessário. Nós vamos sair desse momento difícil, se Deus quiser – promete.