Harmonia, Conjunto e Evolução abrem série sobre ensaios no Sambódromo

Está chegando a hora! A primeira semana de 2012 começa e, com ela, a expectativa pelos tão esperados ensaios técnicos, que terão o pontapé inicial no próximo domingo, com a atual campeã Beija-Flor de Nilópolis. Integrante cativo dos finais de semana do carioca nos meses de janeiro e fevereiro, os ensaios servem para divertir, entreter e aproximar os amantes do carnaval com as agremiações. Mas, para as próprias escolas, os treinos são usados como importante base de experimentos para o que deve ser feito ou não durante os 80 minutos do desfile oficial. Baseado nisso, o site CARNAVALESCO traz para você ao longo desta semana que antecede o início desta temporada, opiniões dos principais nomes do carnaval carioca sobre a funcionalidade dos ensaios técnicos.
 
Começaremos falando de evolução, harmonia e conjunto. E para isso convidamos Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor; Wagner Araujo, diretor de carnaval da Imperatriz Leopoldinense; e Ricardo Fernandes, diretor de carnaval da Unidos da Tijuca.
 
Participante de todos os 12 títulos conquistados pela Beija-Flor ao longo de sua história, Laíla sabe como poucos trabalhar os quesitos inerentes ao 'chão' de uma escola de samba. A agremiação de Nilópolis é a que mais trabalha nos ensaios técnicos de quadra, o que dá tranquilidade ao diretor de carnaval quando chega a hora do ensaio na Sapucaí. Ao contrário do imaginado, Laíla surpreende ao dar sua opinião sobre os treinos oficiais no Sambódromo.
 
– Evolução, harmonia e conjunto são quesitos integrados uns aos outros. Defendo os três em pé de igualdade. Não vou dar muitos detalhes de como gosto de trabalhá-los na Avenida, mas encaro o ensaio técnico como uma grande brincadeira. Na verdade, só é possível avaliar dois quesitos verdadeiramente falando: harmonia e bateria. Não dá para ser preciso ao avaliar a evolução. É diferente a evolução com fantasias e carros alegóricos. No dia do desfile muda tudo – garante ele.
 
Quem também tem currículo de sobra para opinar sobre a questão é Wagner Araújo, seis vezes campeão pela Imperatriz. Entre os três quesitos apontados, ele descarta a importância de um deles durante os ensaios técnicos.
 
– O conjunto eu não acho tão importante. A questão plástico-visual tem participação muito grande na nota de conjunto, ele não engloba só os quesitos de chão da escola. Considero muito importante sim o trabalho de harmonia e evolução. Tem a questão do canto do componente, o preenchimento da pista pela ala de passistas após o recuo de bateria e etc. No ensaio conseguimos avaliar também a empolgação do componente com o samba da escola. Na Imperatriz, muitas das pessoas que ensaiam na Sapucaí vão pouco à quadra. Essa é uma questão que ainda precisamos melhorar.
 
Outro que se destaca no trabalho dos três quesitos é Ricardo Fernandes, campeão com a Unidos da Tijuca em 2010 e com a Vila em 2006, o diretor de carnaval da agremiação do Borel também bate na tecla da integração dos quesitos harmonia, evolução e conjunto, além de exaltar o uso do ''campo de jogo'' para treinar.
 
– As três coisas são importantes e acontecem em conjunto. Treinar no local da partida oficial é muito benéfico e te dá a chance de colocar em prática tudo aquilo que vem sendo feito no seu local originário de ensaio. As dimensões são as oficiais e isso é importante para os componentes.
 
Assim como Wagner Araújo, Ricardo Fernandes acha que uma avaliação mais detalhada da nova acústica do Sambódromo ainda não será possível no próximo final de semana. Não só pelo fato da obra ainda estar incompleta, mas pela ausência de todo o sistema de som da Marquês de Sapucaí.
 
– Apesar de as obras ainda não terem sido concluídas não seremos atrapalhados por isso. A largura da pista continua a mesma. Dá para ensaiar sem problema. A questão da acústica só vai ser possível no teste de luz e som. Lá teremos uma ideia de como o som irá se propagar no Sambódromo – disse
 
Mesmo sendo um fato novo, a renovada acústica não preocupa tanto Wagner Araújo, que aponta outro fator preocupante.
 
– O que mais preocupa é a curiosidade do componente com o novo Sambódromo. As pessoas não podem desviar a atenção para observar como ficou e esquecer do desfile. Isso é necessário que se trabalhe muito. Pode parecer uma bobagem, mas não é. Torço para que no nosso ensaio do dia 11 de fevereiro já esteja tudo pronto e, as cerca de duas mil pessoas que levamos para ensaiar, já se habituem com o novo Sambódromo.
 
Já Laíla garante que tem direcionado seus ensaios de quadra, todas as quintas, para a adaptação de sua bateria à novidade.
 
– Acho que vai melhorar. Não haverá a reverberação daquele paredão e já ensaio pensando nisso sim. Sem dúvida será um dos pontos positivos do novo Sambódromo – afirmou.
 
Sobre o som no ensaio técnico, ponto de reclamação de diversos diretores de harmonia, Laíla disse não se preocupar tanto. Desde que começaram os ensaios técnicos, ele revela ter tido problema apenas uma vez.
 
– Não me preocupo com o carro de som do ensaio técnico. A falta de som nas últimas alas da escola, serve para um teste caso no dia do desfile o sistema de som pife. Só fiz uma ameaça de atravessar durante esse tempo todo de ensaio técnico. Foi quando pedi para a bateria não fazer uma convenção, o diretor insistiu e o canto da escola quase atravessou.
 
Como o carro de som fica próximo à bateria, muitas vezes as últimas alas da escola ficam tão longe que o atraso, natural pela propagação do som, faz com que alguns componentes atravessem o canto. Wagner faz um pedido para minimizar o efeito.
 
– Esse problema não tem solução, mas o que pedimos é que se coloque mais caixas na parte de trás do caminhão. Desse jeito, as pessoas que estão mais longe da bateria conseguirão ouvir o samba melhor. Acho válido parar o carro de som e deixar o canto só com os componentes ao som da bateria, já fiz isso, mas ainda preciso avaliar o rendimento na quadra para decidir se vale a pena fazer novamente nos ensaios da Imperatriz em 2012.
 
Para Ricardo Fernandes o teste de deixar o canto somente para os componentes em determinadas partes do ensaio técnico não é de grande valia técnica. Em sua opinião, isto valeria somente para avaliar o nível de canto de cada ala.
 
– Não vejo muita vantagem nisso não. As pessoas precisam entender que o ensaio técnico não conta com uma distribuição de som igualitária ao longo da Avenida. Vai de cada diretor saber onde vai colocar a bateria e o carro de som para equilibrar a propagação do som no decorrer da pista. Acho que jogar o canto somente para os componentes pode servir para mostrar que uma escola canta mais que outra e mostrar a temperatura de canto das alas, mas isso é obrigação do diretor responsável saber.
 
Antes do ensaio da Beija-Flor no próximo domingo, às 21h, haverá a lavagem do Sambódromo por parte das baianas e um grande encontro entre as baterias. A escola de Nilópolis voltará a ensaiar na Avenida no dia 12 de fevereiro, no teste oficial de luz e som. A Unidos da Tijuca ensaia nos dias 15 de janeiro e 05 de fevereiro. Já a Imperatriz nos dias 28 de janeiro e 11 de fevereiro.
 
Amanhã é a vez de sabermos como as baterias se preparam para o ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí.

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