Homenageando Ziraldo, Tradição faz mais um desfile mediano

Quem esperou que a Tradição fosse se inspirar na bela história de seu homenageado, o cartunista Ziraldo, para retomar o seu caminho de glórias se enganou. A escola do Campinho voltou a mostrar os mesmos erros que pautou seus desfiles nos últimos anos – falhas na evolução, alegorias mal acabadas e um conjunto de fantasias  sem muita criatividade – e deve, mais uma vez beliscar uma posição intermediária após a divulgação do resultado nesta quarta-feira. Como também vem acontecendo desde que mestre Léo assumiu o comando da bateria Explosão de Elite, os ritmistas da Azul e Branco foram os destaques do morno desfile.

Esperava-se que o carisma de Ziraldo fosse injetar uma dose a mais de ânimo no componente da Tradição, mas o canto da escola esteve na média da maioria das outras escolas da noite: bem fraco. Apenas na metade final do desfile, o samba parece ter caído nas graças da escola, que cresceu um pouco neste sentido nos dois últimos módulos de julgadores. No carro de som, um problema com o microfone do intérprete Lico Monteiro acabou atrapalhando um pouquinho, já que os demais microfones estavam em um volume bem mais baixo. Depois de dez minutos o problema foi resolvido e o bom intérprete pôde ser ouvido em toda a Avenida.

A comissão de frente da Tradição não foi feliz nesta noite. O grupo apresentou coreografia bem simples e levemente dessincronizada. Os componentes encontraram problema com a fantasia – o chapéu caia toda vez que faziam certos movimentos com a cabeça –  e isso acabou afetando um pouco o emocional deles. Em todos os módulos de julgadores o problema ocorreu e a escola deve ser bem penalizada no quesito.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Chocolate e Patrícia, mostrou também falta de sincronia em duas exibições da coreografia. Na primeira cabine ele bateu com o esplendor da fantasia próximo ao rosto dela. Já na terceira, a bandeira tocou por diversas vezes o chapéu do mestre-sala. Uma pena, pois Patrícia mostrou bastante elegância e simpatia em sua dança.

A evolução da Tradição apresentou problemas na medida que a escola percebeu que o tempo de desfile poderia apertar. Depois da passagem da segunda alegoria pelo meio da Avenida, as alas praticamente não pararam mais e a precipitação fez com que alguns buracos e o famoso espaçamento nas alas aparecesse. No final do desfile, um fato curioso: os diretores de harmonia apontavam para o relógio e diziam para os componentes que faltava apenas dois minutos, quando, na verdade, o cronômetro marcava 48 minutos, sete para os 55 minutos de limite máximo.

A leitura das alegorias também foi um pouco confusa. Nota-se claramente a escassez de recursos para fazer o carnaval deste ano. Alguns materiais usados nas alegorias eram de baixíssima qualidade e outros pareciam estar ali somente para tapar o ferro e a madeira dos chassis das alegorias. Ziraldo desfilou no abre-alas e o cantor Agnaldo Timóteo esteve na segunda alegoria. O jornalista Sérgio Cabral e o ator Antônio Pitanga também prestaram homenagem ao nome tema do enredo.

Nas fantasias, o mesmo cenário das alegorias foi visto. Pobreza na concepção e na realização das indumentárias e fantasias com legenda passaram no desfile da Tradição. Um trabalho bem aquém daquilo que Ziraldo merecia.

De destaque, ficou a bateria da escola que, comandada por mestre Léo, mostrou um bom andamento e a afinação entre os surdos de primeira e segunda bem definida. Não foi uma apresentação do mesmo nível que a bateria Explosão de Elite mostrou nos últimos dois anos, mas os ritmistas sustentaram bem o samba e trouxeram uma bossa em que a volta ao ritmo se dava no tempo do surdo de segunda, artigo raro no Grupo B.