Imperatriz começa bem, mas problemas na evolução comprometem desfile da escola

 

A perfeição técnica, tão comum aos desfiles da Imperatriz Leopoldinense, não foi vista durante a passagem da escola pelo Sambódromo na noite deste domingo. Com problemas na entrada das alegorias 2 e 7 e na saída do abre-alas da pista de desfiles, a Rainha de Ramos terminou o seu desfile com 82 minutos cravados e muitos problemas em evolução. As alegorias, apesar de muito bem concebidas por Max Lopes, apresentaram alguns problemas de acabamento e isso deve render alguns décimos para a escola. O canto da Imperatriz foi bom, principalmente a partir do segundo setor, e os componentes evoluíram de maneira alegre e espontânea. A comissão de frente da escola se destacou mais uma vez e, como movimentos acrobatas, arrancou muitos aplausos da arquibancada. O enredo cumpriu àquilo que se propôs e mostrou uma explanação mais intimista da vida e da obra de Jorge Amado. 

* Clique aqui e veja galeria de fotos da Imperatriz Leopoldinense

Análise das cabines 1 e 4 

Grande destaque do desfile, a comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense repetiu o bom desempenho e a criatividade do ano passado. Inspirada no livro Capitães de Areia, a comissão comandada pelo coreógrafo Alex Neoral apresentou movimentos acrobáticos e usou um tripé em formato de carrossel para que a performance ganhasse ainda mais brilho. O elemento girava e fazia com que os componentes rodassem juntos em alta velocidade e a alguns metros do chão. A coreografia fazia menções à cultura baiana. As apresentações nos dois módulos transcorreram sem problemas, para a felicidade do diretor de carnaval Wágner Aaraújo, que acompanhou tudo de perto e com um largo sorriso no rosto.

* Diretor de carnaval da Imperatriz acredita que a escola agradou o público

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz, Phelipe Lemos e Rafaela Teodoro, mostrou classe e elegância no bailado, mas não foi uma apresentação brilhante em nenhum dos dois módulos. Ocorreram alguns erros no momento de pausas para oferecimento do pavilhão ao corpo de julgadores no primeiro módulo. Já no quarto, a dupla mostrou-se claramente cansada, mas a dança fluiu melhor, sem maiores problemas. A fantasia de ambos esteve belíssima, representando a Rainha e o Rei do Ilê Ayê. No quarto módulo, os guardiões que cercavam Phelipe e Rafaela se posicionaram muito perto do local da dança.

Exceto no primeiro setor, quando praticamente todas as alas apresentaram mais do que a metade dos componentes sem cantar o samba, a Imperatriz cantou com força o seu bom samba-enredo e fez com que a obra rendesse durante todo o desfile. A interpretação de Dominguinhos e a afinação dos demais cantores e músicos do carro de som também rece destaque. No último módulo de julgadores, mesmo com os problemas enfrentados com a evolução, o ânimo não diminuiu.

A evolução foi o calcanhar de Aquiles do desfile da Imperatriz. O primeiro problema ocorreu durante a apresentação do primeiro casal no primeiro módulo. A ala da frente andou e um pequeno buraco foi formado. O maior problema, porém, ocorreu após a dificuldade das alegoriass 2 e 7 entrarem nan Avenida e a demora para o imenso abre-alas deixar a pista. Com isso, a Imperatriz ficou praticamente durante praticamente dezs minutos. Depois, como não poderia ser diferente, a escola foi obrigada a acelerar o seu ritmo de evolução, o que causou uma impressão geral bem irregular do quesito. No último módulo, diversas alas acabaram embolando umas nas outras.

* Na dispersão, diretor de harmonia da Imperatriz aprovou todo o desfile da escola

As alegorias da Imperatriz impressionaram pela bela concepção. Max deixou um pouco de lado as críticas de desenvolver todos os anos alegorias bem parecidas, para apresentar um trabalho que evidenciou um sopro de rejuvenescimento nesse sentido. Pena que a realização não tenha sido tão eficiente em alguns deles. O abre-alas e a segunda alegoria apresentaram falhas no acabamento e ferros aparecendo nas saias. A quarta alegoria também seguiu o modelo e a escultura de um burro passou no quarto módulo bem torta. Destaque para o terceiro carro, que representava o País do Carnaval, muito claro e bem iluminado.

No quesito fantasia, a Imperatriz mostrou um conjunto bem interessante. A escola esteve bem vestida, mas a renovação vista nas alegorias não foi acompanhada pelas fantasias. Algumas delas parecem ter passado na Avenida na própria Imperatriz em outras ocasiões. Ourtro problema foi o excesso de legenda em algumas indumentárias. A fantasia do Cacau foi exemplo claro disso. Destaque para a fantasia da bateria, da ala das baianas e do setor dos orixás, que destoou do resto da escola, foi um setor mais luxuoso.

A bateria da Imperatriz, que teve a estreia de mestre Noca em seu comando, fez um bom desfile. Manteve o mesmo andamento e a afinação dos surdos esteve impecável. Os deslizes foram cometidos dentro dos recuos. No primeiro, a bateria apresentou falta de precisão na retomada de uma bossa feita na segunda parte do samba. O mesmo problema se repetiu aos 71 minutos de desfile, mas dentro do segundo recuo. Apesar de um naipe de caixas não muito coeso e um naipe de chocalhos com falha na execução do toque, o todo da bateria não foi prejudicado.

Cabine 2

Comissão de Frente maravilhosa. Recordaram personagens do livro Capitães de Areia, de Jorge Amado. Eles fizeram coreografia de capoeira e tinham um tripé em formato de carrossel. O público veio abaixo com a apresentação da Comissão de Frente da Imperatriz Leopoldinense.

* Porta-bandeira da Imperatriz compara a emoção do carnaval com a do futebol

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira se apresentaram com perfeição na cabine 2. A bandeira sempre esticada e o Mestre-Sala sempre reverenciando a Porta-Bandeira defendendo muito bem o pavilhão.

A Bateria ficou muito tempo parada em frente da cabine 2. Devido ao tempo, ela fez duas bossas diante dos jurados.

As fantasias estavam bonitas, com leituras fáceis, porém, era perceptível ver pedaços de fantasias caindo no segundo módulo.

No quesito alegorias, destaque para o abre-alas muito grande. Todos os carros estavam bem acabados, porém, na segunda alegoria, o lado direito (Igreja) estava apagada. Na penúltima alegoria, o chafariz parou de funcionar a frente da cabine. A sétima e última alegoria entrou torta.

Devido aos problemas com as alegorias, a Imperatriz pecou na evolução ficando muito tempo parada diante da segunda cabine. A primeira metade da escola foi tímida e o restante cantou um pouco mais.

Cabine 3

A Comissão de Frente passou pelo módulo com 21 minutos. Eles dançavam capoeira e subiram num tripé e fizeram vários malabarismos. Único setor da escola que recebeu aplausos do público próximo da terceira cabine. Os passos eram densos e muito bem ensaiados. Movimentos rápidos e precisos. A escola apresentou quatro tripés, que possuíam quatro rodas, simulando barquinhos. Pelo roteiro, o elemento cenográfico era um tripé, mas no desfile apresentou quatro rodas. Personagens de Jorge Amado, Tieta, Dona Flor, Tereza e Gabriela.

No abre-alas, a caixa de luz estava descoberta. O carro era acoplado, com água. A coroa estava presente neste carro em movimentos giratórios. O carro 2, as luzes da igreja estavam apagadas. A escola ficou muito tempo para no terceiro módulo. O jurado de harmonia olhou diversas vezes para o relógio e o de evolução fotografou. O terceiro carro apresentou um componente com calçado rasgado. Aparentemente ele tentou consertar com uma fita.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira realizaram coreografia quase perfeita. Na saída da apresentação, a bandeira bateu na cabeça do Mestre-Sala. Destaque positivo para o figurino.

A Bateria parou na cabine 3 e executou bossas, mas não demorou.

No carro 4, as lâmpadas do destaque central estavam apagadas. No carro 5, a luz do destaque (Gabriela) apagada. Carro teatralizado, mas as luzes da lateral estavam apagadas.

Com 1 hora dois minutos a escola começou a correr. Atrás do quinto carro estavam as fantasias mais luxuosas do desfile. Houve um buraco na frente do carro 6. A ala da frente não esperou o carro. A alegoria apresentou vazamento de água e molhou a pista. As alas subsequentes vieram muito espaçadas, mas a escola parou novamente com 1 hora e seis minutos.

Carro 7, desfilou todo apagado. Acima dele o cantor e torcedor Elymar Santos. Atrás desse carro desfilou a Velha Guarda e a ala dos compositores. Houve buraco entre as duas alas. A Velha Guarda parou para reverenciar os jurados, enquanto os compositores continuaram com o desfile. Ao longo dessa ala estavam dois integrantes com a camisa da diretoria, que nada fizeram para controlar a situação.

Com uma hora e dezesseis minutos a escola passou totalmente pelo terceiro módulo. No geral, o enredo foi de fácil compreensão.

 

Comente: