Imperatriz é ‘Jorge Amado, saravá’

Em uma das melhores disputas de samba do carnaval carioca, a Imperatriz Leopoldinense definiu que a obra dos compositores Jeferson Lima, Ribamar, Alexandre D'Mendes, Cristovão Luiz e Tuninho Profesor será o hino da escola no Carnaval de 2012, quando Jorge Amado será o enredo.

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O compositor campeão Jeferson Lima venceu pela quarta vez na Imperatriz e conversou com o CARNAVALESCO sobre a vitória e o que na opinião dele fez a diferença na final:

– Foi a vitória da comunidade. A escola abraçou o samba. Viemos com humildade, pois os outros concorrentes também eram muito fortes. É uma emoção grande saber que o nosso samba vai conduzir uma escola com o porte da Imperatriz e que tenho a certeza que vai fazer um belo desfile. Jorge Amado é um escritor com inúmeros personagens. Nós optamos em não homenagear um ou dois para não desprestigiar nenhum desses personagens. Conduzimos um caminho com mais poesia. Acredito que deu uma leveza ao samba e o enredo está contado por completo nas entrelinhas.

A parceria que ainda não tem ideia de quanto gastou durante essas eliminatórias da Imperatriz. Informaram apenas que gastaram muito, porém tudo é um sonho. É um investimento. Outra curiosidade, Jeferson disse que o ponto alto do samba é a linha melódica.

Wagner Araújo, diretor de carnaval da agremiação, comentou o resultado: – Um trabalho de pesquisa de procurar entender que aquela palavra tem o significado tal, além da melodia bastante para cima, agradável de cantar e o samba é bastante dividido. Isso pesou muito nessa final. Sobre mudança na letra, tem um pedaço só. Na primeira frase da segunda parte tem assim “O vento soprou”, que quer dizer a viagem dele para o Rio de Janeiro. Estamos estudando para ver se podemos colocar alguma coisa sem prejudicar a melodia. Se não der, nós vamos para o risco.

O diretor também aproveitou para explicar os burburinhos, que circularam essa semana, sobre uma possível saída sua da escola: – Primeiro quero deixar bem claro que já está tudo resolvido. Foi um momento de desacordo com o presidente de um fato dentro da própria escola. Não teve nada haver com o carnaval. E aí talvez estivéssemos naquele momento em desacordo muito forte. E não teve desligamento, eu apenas preferi ir para casa, para não desagradar ao presidente e conversamos depois que a poeira baixou. Fico tudo resolvido e vamos fazer o nosso 24º carnaval juntos em 2012.

O presidente da escola, Luiz Pacheco Drummond, falou sobre a importância de ter um grande samba para o carnaval: – Esse ano vamos um carnaval muito bonito, infelizmente, o incidente que aconteceu na Cidade do Samba em fevereiro, tirou a beleza de todo espetáculo. Vamos ter casa nova, o povo está abrilhantando ainda mais a festa. Tivemos sambas muito bons esse ano aqui na Imperatriz e tenho a certeza que o que venceu vai representar muito bem a nossa escola.

Diretor geral de harmonia Guilherme Nóbrega fez questão de falar sobre as obras que fizeram a finalíssima: – Quero parabenizar as escolas pelas suas escolhas. Nós tivemos quatro obras primas aqui na final. Ficamos muito felizes com essa final. O presidente sabe qual o melhor samba para a escola. Está totalmente dentro do enredo. Agora vamos trabalhar com a comunidade esse samba para entrarmos muito bem na Avenida.

A festa em Ramos

O samba começou cedo. Bateria já fazia seu aquecimento, enquanto a quadra ainda recebia um público razoável. Entretanto, a cada minuto que passava, a casa recebia um número cada vez maior. Durante a final a quadra da Imperatriz virou um “quintal dos sambistas”, pessoas de diversas agremiações estiveram presentes. Júnior Escafura (coordenador de carnaval) e Rogerinho (mestre-sala) da Portela, Júnior Schall (diretor de carnaval) e Décio (diretor de harmonia) da Vila Isabel, Bruno Ribas (intérprete) e Ricardo Fernandes (diretor de carnaval) da Unidos da Tijuca, foram algumas presenças. A escola logo começou a cantar seus sambas antigos e antológicos e com isso não deixou mais ninguém parado. Em seguida com o encerramento da apresentação dos segmentos na quadra, foi a vez de uma participação muito especial. Pessoas fantasiadas, dançando e apresentação de capoeira.

Depois a vez foi o samba e os quatro sambas finalistas tiveram 25 minutos cada para fazer suas apresentações, sendo três passadas sem bateria. O primeiro da noite foi da parceria de Marquinho Lessa. Com um refrão bem forte, Tinga, que defendeu o samba, cantou e não deixou a obra cair um minuto. Porém, o samba não animou os segmentos da escola, ainda parecendo receosos com o primeiro samba.

Em seguida, a parceria de Me Leva. Com um samba bem para cima o samba empolgou e muitos cantavam na quadra e nos camarotes, inclusive, as baianas vieram para frente do palco e começaram a rodar. O samba foi defendido por Nêgo. Vale destacar a coreografia da torcida que se distanciava do palco e depois vinha correndo em alusão a parte que dizia “Desce a ladeira”. A terceira parceria e campeã desse ano empolgou todos que estavam na quadra, com uma letra fácil e uma melodia muito bonita, Jeferson e parceria deixaram claro que a vitória seria concretizada. A torcida também esteve em sincronia total com o palco. Quando terminou a apresentação muitos gritavam “é campeão”, parecendo saber o que iria ocorrer mais tarde. O último samba da noite, não emplacou. Começar a apresentação depois de dois sambas que praticamente disputavam a vitória complicou um pouco a vida de Josimar e parceria. Mesmo tendo os dois refrões bons, o samba na metade da segunda parte em diante caia. Nesse momento, o presidente já não se encontrava mais em seu camarote – onde assistiu a quase todas os sambas desta noite.

Com o final das apresentações uma reunião de aproximadamente 20 minutos na sala da presidência, colocou ponto final da disputa em Ramos e por volta das 2 horas da manhã, o diretor de carnaval Wagner Araújo, com a permissão do presidente divulgou o resultado para alegria de todos na quadra. Vale destacar que o diretor de carnaval, o presidente e Max Lopes (carnavalesco) votaram e o samba vencedor venceu por unanimidade.

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