Imperatriz passeia pela história em desfile caprichado na arte, mas com falhas em evolução

Por Geissa Evaristo

imperatriz_desfile_2018_09-1Penúltima escola a se apresentar no Carnaval 2018, a Imperatriz Leopoldinense voltou a desfilar como em seus grandes carnavais, ou seja, com um enredo apresentando viés histórico. A agremiação apresentou o enredo ‘Uma noite no Museu Nacional” contando a história de um dos museus mais simbólicos do país fundado há 200 anos pelo Rei D. João VI.

Pelo terceiro ano consecutivo à frente da Swing da Leopoldina, mestre Lolo tinha a missão de manter um desempenho fabuloso. Nos dois anos anteriores a Imperatriz só teve notas 10 no quesito e 2018 promete não ser diferente. A bateria, mais uma vez, fez a diferença e funcionou muito bem com o samba-enredo novamente bem conduzido pelo intérprete Arthur Franco e o chão da comunidade. Outro ponto positivo foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro.

imperatriz_desfile_2018_25-9Por outro lado, houve falhas que podem prejudicar a escola na avaliação dos jurados. A coroa, símbolo da Imperatriz, não subiu no abre-alas e passou “tombada” dentro da alegoria, o mesmo problema também ocorreu no último carro, cuja partes engrenagens tiveram problemas. A escola também abriu alguns “clarões” na primeira cabine de julgadores, em frente aos carros 2 e 4, e correu no final do desfile, onde as duas últimas alegorias e a bateria passaram muito aceleradas pelo último módulo de julgadores e em frente à ala 22.

Comissão de Frente

imperatriz_desfile_2018_09-10Uma comissão com indumentária oponente, relembrando momentos históricos da verde e branco quesitos. A Imperatriz trouxe plumas e exuberância, com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Chiquinho e Maria Helena. Eles evoluíram em uma comissão com sincronia, coreografia bem executada, e o ponto alto quando surgiu o pavilhão da Imperatriz para o casal evoluir, e o nome da escola apareceu nas capas dos componentes. O grupo representava “A nobreza dos pássaros em cortejo para o rei e rainha” e foi integrada por 15 pessoas, sendo 14 homens e apenas 1 mulher. No entanto, a comissão apresentou algumas falhas: a indumentária dos integrantes que representavam os castiçais, algumas lâmpadas estavam amassadas ou apagadas. Na apresentação no terceiro módulo de julgadores, um dos integrantes perdeu o sapato e terminou de se apresentar usando apenas a meia.

imperatriz_%c2%addesfile_2018_17Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Em um bailado perfeito, Thiaguinho e Rafaela mostraram segurança e leveza, assim como um bom entrosamento. Utilizando bem os espaços, o mestre-sala cortejou com graciosidade a porta-bandeira. Excelente apresentação, indumentária também estava bela e favoreceu o bailado. A dupla representava “O brilho reluzente dos Cristais”. Alguns trechos do samba foram cantados por ambos.

Alegorias e Adereços

Com alegorias belas e bem concebidas, o conjunto foi muito bom. O abre-alas trouxe “O palácio real da Quinta da Boa Vista – O Versalhes Tropical”. O segundo carro, denominado “O santuário dos ossos”, reproduziu um sítio arqueológico onde são encontradas ossadas de dinossauros e outros animais pré-históricos. Impactou!

imperatriz_%c2%addesfile_2018_20A terceira alegoria mostrou diversas coleções ligadas a animas expostos no museu. O quarto carro alegórico “Tesouros arqueológicos da antigas civilizações” reuniu o Egito Antigo e a civilização greco-romana mostrando produtos típicos desses povos.

Fechando o quinto setor, o carro 5 “A antropologia e a Etnologia tribal pré-colombiana” mostrou a multiplicidade cultural da América antes da chegada dos europeus e a sexta e última alegoria, denominada “Gira a coroa da majestade no bicentenário do Museu Nacional”, trouxe a coroa, símbolo da escola. O último carro mostrou a beleza e os encantos da Quinta da Boa Vista.

imperatriz_%c2%addesfile_2018_19Fantasias

A Imperatriz apresentou um conjunto de fantasias de fácil leitura e com excelente gosto e realização. As baianas, como a Imperatriz Leopoldina, estavam um primor. Ponto positivo para o setor de animais do terceiro setor, principalmente, a ala 13: “Os Tucanos”. Vale ressaltar que a Imperatriz apostou em muitas alas com perucas. A fácil leitura das fantasias proporcionou o entendimento do enredo.

Enredo

Dividido em seis setores, o enredo da Imperatriz foi apresentado seguindo a ordem do samba, facilitando o entendimento. As baianas tiveram uma função fundamental: representar Leopoldina, a Imperatriz que dá nome à escola, além de ser a princesa da Independência, das artes e da ciência.

imperatriz_%c2%addesfile_2018_06Seres do mar compuseram o início do segundo setor, trazendo estrelas do mar, corais e medusas que deram um colorido todo especial. No início do terceiro setor, os insetos foram os protagonistas. Aranhas, borboletas e besouros integraram as três primeiras alas dessa parte do desfile. Em seguida, animais de maior porte completaram o setor.

O quarto setor teve início na África, trazendo alas sobre tambores africanos, o trono de Daomé e também o Egito. Os primeiros habitantes da América apareceram no quinto setor que trouxe Incas e Karajás entre outras civilizações. O setor que fechou o desfile divertiu o público mostrando opções de lazer com as quais as pessoas que frequentam a Quinta da Boa Vista costumam se divertir.

imperatriz_desfile_2018_84-8Evolução

A escola teve problemas de evolução no primeiro módulo de julgamento. Um clarão ocorreu em frente a segunda alegoria. Aconteceu o mesmo problema em frente a alegoria 4 e em frente a ala 22. Apesar isso, a evolução dos componentes foi mais do que positiva. A ala 13 “Os Tucanos” e todo o setor 4 brincaram durante o tempo inteiro. No fim, as duas últimas alegorias e a bateria passaram pelo quarto módulo de julgamento de forma acelerada demais.

Harmonia

No que depender do canto o quesito será nota máxima. O componente cantou com o pulmão cheio o samba da Imperatriz. Foi homogêneo e avassalador. Arthur Franco e seu carro de som tiveram atuação impecável.

imperatriz_desfile_2018_74-6Samba-Enredo

O samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense possui nuances melódicas que são perfeitamente adequadas ao canto e a dança da escola. Ele mostrou que no aspecto de funcionalidade para desfile (canto e dança) é excelente e provou na pista do que é capaz. A obra rendeu bem, com partes melódicas perfeitas e letra dentro do enredo.

Outros Destaques

A ala de passistas da Imperatriz Leopoldinense merece elogios. Bem vestida, simpática e com todo aquele samba no pé tradicional.