Império de Casa Verde faz desfile ‘campeão’ e levanta o Anhembi

imperio_desfile2018_-23Se era necessário superar o desfile grandioso do Tatuapé na primeira noite dos desfiles de São Paulo, essa tarefa foi cumprida pelo Império de Casa Verde em seu desfile. A escola passou perfeita em todos os quesitos do julgamento. Um desfile sem erros, que pode ser chamado de campeão. Um conjunto de alegorias e fantasias de fazer o queixo cair de tão belo. Uma escola que rasgou o chão do Anhembi com uma atuação impecável da bateria Barcelona do Samba e do intérprete Carlos Junior. Fatores que credenciam a escola ao seu segundo campeonato em três carnavais. Tantos acertos foram retribuídos pelo público na maior comunicação entre arquibancadas e desfile do carnaval paulista neste ano.

imperio_desfile2018_-27Enredo

O desenvolvimento do enredo da Império de Casa Verde obedeceu à seguinte setorização: na abertura abordaram-se os reinos. No primeiro setor a selva de poder, no segundo setor o povo, no terceiro a revolução, e no último setor a festa da vitória. Ambientado no fictício país do reino das regalias e dos miseráveis, o enredo aludiu aos poderes da nobreza e do povo revolucionário francês fazendo uma analogia ao ‘desconfortável’ momento social e político vivenciado pelo Brasil.

Comissão de Frente

imperio_desfile2018_-34Apresentou-se em uma coreografia teatralizada tendo, por um lado camponeses e o “bobo da corte” simbolizando o povo. O bobo da corte com a cabeça posta na guilhotina pelo carrasco todos os dias, enfrentando humilhações e desigualdades sociais e, por outro o rei, o clero, soldados do rei e a nobreza num grande baile representando o poder e determinando as rígidas regras para o povo. Em partes do desfile alguns componentes trocaram de roupa transformando-se em outro personagem. A coreografia foi sincronizada nos momentos distintos da apresentação. Em uma segunda parte os integrantes colocavam máscaras carnavalescas.

imperio_desfile2018_-52Alegorias e Adereços

Abrindo o conjunto alegórico do Império de Casa Verde o carro abre-alas fez alusão às riquezas da Corte Real. Inspirada no contraste da vida cotidiana dos nobres e dos pobres, a segunda alegoria encenou dois momentos marcantes: um nobre e luxuoso banquete, e um baquete de migalhas. Com o caos personificado em pobreza, a terceira alegoria fez um “tributo ao povo”. Sua estética plástica foi concebida com a representação dos ‘personagens’ do reino dos Miseráveis. A quarta alegoria passou pelo Anhembi representando a força e a coragem do povo, tendo de forma cênica um monumento central (elefante) para representar a queda da Bastilha. A alegoria que encerrou o desfile do Império de Casa Verde coroou o Tigre, símbolo da escola, representando a coroação do Povo, que segue em um cortejo carnavalesco, fazendo menção à comemoração dos foliões vitoriosos. O melhor conjunto alegórico a cruzar o Anhembi até então, com carros gigantescos e em perfeito acabamento. A facilidade na compreensão do enredo destacou ainda mais o conjunto. O único senão foi a última alegoria, que passou apagada na parte final da pista.

imperio_desfile2018_-73Bateria

A Barcelona do samba desfilou representando a personificação da pobreza e da miséria do povo, vítima da ganância e do poder da nobreza. A atuação da Barcelona do Samba foi fundamental para fazer o samba ter um excelente rendimento no Anhembi. Manutenção do ritmo e andamento perfeito para o canto e a dança da escola. Um autêntico show.

imperio_desfile2018_-60Fantasias

A tradicional ala das baianas do Império de Casa Verde representou as damas da corte, fazendo alusão às damas de companhia, que também pertenciam à nobreza e/ou uma família bem conceituada do reino das regalias, e atendiam os desejos das rainhas ou princesas. Os passistas, com figurinos diferentes, representaram nobres prostitutos e prostitutas. No afã da miséria, homens e mulheres se prostituíam em troca de alguns trocados, trapos de panos e até alimentos. Até terminar o seu desfile o conjunto do Império de Casa Verde esteve impecável, o melhor até então do carnaval paulistano. Fantasias bem acabadas e figurinos com leitura e variação de materiais.

imperio_desfile2018_-49Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Inserido no contexto do enredo em que incorpora a ganância dos nobres pela riqueza e a pobreza do povo, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império de Casa Verde, Rodrigo Antônio e Jéssica Goiz, representou a nobreza e a miséria do povo. Na avenida a atuação foi perfeita. Destaque para o figurino apresentado. A roupa de Rodrigo estava “suja” enquanto a de Jessica impecavelmente luxuosa.

imperio_desfile2018_-50Samba, Evolução e Harmonia

Carlos Júnior deu nome e sobrenome na avenida mais uma vez. A sua condução foi fundamental para que o samba tivesse o rendimento perfeito no Anhembi. Durante o desfile emitiu cacos de protesto, alertando o público para o ano eleitoral. A escola deu uma aula de técnica desfile como é habitual. Alas brincando, sem perder a consciência de existem quesitos em julgamento.