Império de Casa Verde impecável domina o sábado e duela com Dragões e Tatuapé pelo título em São Paulo

Por Guilherme Ayupp e Vinicius Vasconcelos

O Grupo Especial de São Paulo conhece na próxima terça-feira a grande campeã do Carnaval 2018. Depois das passagens das 14 agremiações pela pista do Anhembi nas últimas duas noites surgem três destacados favoritismo pelo título. O Império de Casa Verde, que foi soberano na segunda noite, surge como o principal postulante ao segundo título nos últimos três anos. A campeã de 2017, Acadêmicos do Tatuapé também exibiu suas credenciais ao dominar a sexta-feira. Junto a elas a Dragões da Real, vice-campeã do ano passado e que fez uma forte apresentação na noite de sábado.

O desfile deste sábado teve um nível mais elevado que a primeira noite. As multi-campeãs Vai-Vai e Mocidade Alegre apresentaram desfiles competitivos em homenagem a dois ícones da música brasileira: Alcione e Gilberto Gil. Os desfiles destoantes nesta segunda noite ficaram com a X-9 Paulistana, que abriu, e a Unidos de Vila Maria, que fechou a noite. Ambas devem duelar com a Independente Tricolor pela permanência no Grupo Especial.

Confira como foram os desfiles deste sábado no Grupo Especial de São Paulo:

X-9 PAULISTANA

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De volta ao Grupo Especial depois de vencer o Grupo de Acesso no ano passado, a X-9 Paulistana não teve um regresso como gostaria à elite do carnaval paulistano. O desfile sobre os provérbios e ditos populares foi tenso e confuso. A escola apresentou um carnaval com muitos problemas plásticos principalmente em seu conjunto de fantasias em um padrão abaixo do que exige o Grupo Especial. O samba também acabou não acontecendo durante a passagem da agremiação pelo Anhembi.

IMPÉRIO DE CASA VERDE

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Se era necessário superar o desfile grandioso do Tatuapé na primeira noite dos desfiles de São Paulo, essa tarefa foi cumprida pelo Império de Casa Verde em seu desfile. A escola passou perfeita em todos os quesitos do julgamento. Um desfile sem erros, que pode ser chamado de campeão. Um conjunto de alegorias e fantasias de fazer o queixo cair de tão belo. Uma escola que rasgou o chão do Anhembi com uma atuação impecável da bateria Barcelona do Samba e do intérprete Carlos Junior. Fatores que credenciam a escola ao seu segundo campeonato em três carnavais. Tantos acertos foram retribuídos pelo público na maior comunicação entre arquibancadas e desfile do carnaval paulista neste ano.

MOCIDADE ALEGRE

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A Mocidade Alegre levantou o Anhembi nesta madrugada com a homenagem mais que merecida à cantora Alcione. O samba foi o grande destaque da apresentação, junto com a bateria Ritmo Puro, que causou frisson ao público na avenida. Com bandeirinhas distribuídas pelas arquibancadas a Morada do Samba empolgou com sua passagem como de costume. Mas o desfile não deve brigar pelo campeonato. A parte plástica da escola deixou a desejar. O conjunto de alegorias e fantasias ficou aquém do esperado e a agremiação pode perder pontos nesses quesitos. Alcione começou emocionando ao cantar um alusivo com ‘Não Deixe o samba morrer’. Ela veio na última alegoria acenando para um público enlouquecido, demonstrando o quanto é querida.

VAI-VAI

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O Vai-Vai fez uma bela homenagem ao cantor Gilberto Gil neste sábado de carnaval no Anhembi. A escola se colocou como uma das mais fortes apresentações da segunda noite de desfiles do Grupo Especial. O grande mérito da passagem da alvi-negra pelo Sambódromo esteve no chão da pista. O samba-enredo apresentou excelente rendimento com um canto muito forte da comunidade do Bixiga e Bela Vista, o melhor deste ano no Grupo Especial. Deixou a desejar o conjunto de fantasias que se mostrou irregular, com um setor muito bom e outros nem tanto. Os carros, problemas nos últimos carnavais, apresentaram um conjunto satisfatório. Gil veio na última alegoria vestido de filho de Gandhi portando um apito e demonstrando muita emoção por mais essa homenagem.

GAVIÕES DA FIEL

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Havia uma expectativa maior com relação aos Gaviões da Fiel este ano se comparado ao últimos carnavais. Com um dos melhores sambas do carnaval a escola fez um desfile comprometido em alguns quesitos, principalmente os visuais. O conjunto de alegorias e fantasias da escola apresentou problemas de acabamento. Os figurinos em algumas alas tinham pouca decoração. O terceiro carro passou apagado pelo Anhembi e o abre-alas, que era belíssimo, tinha composições sem fantasia. Os problemas prejudicam a intenção da escola de desfilar na próxima sexta-feira entre as primeiras colocadas.

DRAGÕES DA REAL

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A Dragões da Real foi a sexta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial de São Paulo. A apresentação da tricolor comprovou a incrível ascensão da agremiação desde que chegou ao Grupo Especial. Com um desfile sem erros e percalços e com o samba se destacando a escola entrou na briga pelo campeonato da elite do carnaval, o que será um feito inédito para a escola. A Dragões apresentou o conjunto alegórico mais didático dos dois dias de desfile. Bastava olhar para entender toda a proposta. Fantasias leves e que seguiam a mesma linha objetiva dos carros completaram o bom trabalho da Dragões nos quesitos plásticos. No aspecto de pista também passou bem tecnicamente. Renê Sobral teve mais uma grande noite.

VILA MARIA

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A Unidos de Vila Maria encerrou de maneira dramática os desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Uma fatalidade atingiu a porta-bandeira Laís Moreira. Sua saia se soltou quando eles entravam na avenida. O desespero tomou conta da equipe de apoio da escola que em vão tentou encaixar a saia em seu corpo. Ela se apresentou de short, em uma imagem chocante e entristecedora para quem ama e respeita qualquer pavilhão. Sem qualquer solução para o drama a agremiação teve de mudar o casal que defenderia o quesito. Laís seguiu sua apresentação com um pano improvisado no local da saia e foi muito aplaudida por toda avenida.