Império Serrano sacode Sapucaí com aclamação à Dona Ivone, mas peca em evolução

 

A cena do presidente do Átila Gomes, ao final do desfile, se ajoelhando em frente a quinta alegoria da escola, que trazia a homenageada Dona Ivone Lara, e reverenciando-a, exprime de maneira perfeita o que foi o desfile do Império Serrano: emoção pura. A Verde e Branco da Serrinha, em balada pelo seu grande samba, deu um verdadeiro sacode na Sapucaí e parece pular na frente na corrida pelo caneco. Pelo menos até agora, nenhuma outra escola conseguiu emocionar o Sambódromo da maneira como a escola da Dama do Samba emocionou. O ótimo rendimento de chão, aliou-se à correção plástica e corrobora ainda mais a condição de favorito do Império Serrano.

* Clique aqui e veja galeria de fotos do desfile do Império Serrano

O samba da escola rendeu maravilhosamente bem na voz da dupla Tiãozinho Cruz e Freddy Vianna, apoiados pelos outros integrantes do carro de som. Ainda no esquenta, Arlindo Cruz, um dos autores da obra, e o presidente Átila externaram toda a emoção e vontade de fazer um desfile deste nível que estava entalada na garganta dos componentes e torcedores da escola. Átila agradeceu aos parceiros pelo investimento feito, aporte que proporcionou um Império Serrano plasticamente há muito tempo não visto. A clareza e o barroco requintado de Mauro Quintaes apareceram nas fantasias e alegorias imperianas.

* Mestre Àtila chora de alegria após desfile da Império Serrano


* Carnavalesco da Império Serrano diz ter a sensação de dever cumprido

Cabines 1 e 4

A comissão de frente, coreografada por Carlinhos de Jesus, teve um bom desempenho, mas a concepção coreográfica pareceu um pouco simples. Principalmente se tratando de um profissional do porte de Carlinhos de Jesus. O ápice da coreografia era as trocas de roupas entre os rapazes e moças do grupo. Eles representaram diferentes momentos, passagens e fatos marcantes da carreira de Dona Ivone. O público aplaudiu bastante a apresentação deles.

* Carlinhos de Jesus faz análise da apresentação da Comissão de Frente da Império Serrano

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelinho e Raphaela Caboclo, mostrou muito entrosamento e correção na execução da xcoreografia no 1° módulo. Os dois possuem estilo elegante e evoluem de maneira bastante tradicional. Na quarta cabine, a apresentação não manteve o mesmo padrão das anteriores. Ela resvalou com a bandeira no esplendor da fantasia dele em dado momento e teve dificuldades para controlar o pavilhão da escola.

O canto do Império Serrano não alcançou o nível mostrado pela Viradouro nesse quesito, mas chegou perto. O explosivo Lalalaiá, como não poderia ser diferente, foi o ponto alto do cantom, mas em todas alas foi possível notar pelo dois terços dos componentes cantando o samba todo. Na metade final do desfile, o samba subiu ainda mais de rendimento e a chegada da escola na Praça da Apoteóse foi bastante emocionante.

A evolução do Império Serrano transcorria sem praticamente nenhum problema. Não fosse um leve espaçamento das alas em frente à quarta cabine e um buraco entre a última ala e o último carro em frente ao segundo módulo de julgadores, a escola seria perfeita nesse quesito. A alegria dos componentes também deve ser considerada pelos julgadores. Como se diz na gíria do carnaval, o Império, principalmente depois de trinta minutos de desfile, rasgou o chão da Sapucaí. Um desempenho emocionante, mas imperfeito tecnicamente.

A bateria do Império Serrano mostrou a conhecida excelência no ritmo, na afinação e no andamento, mas acabou escorregando na apresentação para a primeira cabine de julgadores, houve um erro em uma das bossas feitas e isso pode comprometer a nota da Sinfônica na primeira cabine. No restante da pista, o show de sempre foi ouvido pela Sapucaí. Destaque para o desenho rítmico dos surdos de terceira no refrão do meio, em rítmo de jongo, e a perfeita sincronia entre os tamborins.

As fantasias do Império podem não ter sido as melhores da noite, mas não ficam tão abaixo das apresentadas pelas outras escolas. Destaque para a fantasia das baianinhas e a do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, um primor.

Na s alegorias do Império Serrano, o traço barroco de Mauro Quintaes ficou bem claro. Clara também foi a leitura de cada carro alegórico e o jogo de cores usado pelo carnavalesco. A iluminação das alegorias tamnbém funcionou de maneira perfeita. A terceira, que trouxe pianistas suspensos, e a quinta, com a grande Dona Ivone Lara e algumas baianas da escola foram os mais emocionantes. O abre-alas apresentou pequenas falhas no acabamento na frontal esquerda.

Cabine 2

Comissão de Frente do Império Serrano reviveu momentos marcantes da Dona Ivone Lara. Eram casais que dançavam e trocavam de roupa. Fantasia muito bonita e uma boa apresentação.

Mestre-Sala e Porta Bandeira dançaram muito bem com o pavilhão sempre muito alto e reto. Coreografia simples, que rebebeu aplausos do público presente no setor 6.

As alegorias contavam bem o enredo, porém, com algumas faltando partes. Vale destacara a última que destacou a Dona Ivne Lara e homenageou Joaozinho Trinta.

As fantasias não trouxeram luxo, mas retrataram muito bem o enredo, deixando os componentes em a vontade para a evolução.

A harmonia, na primeira metade da escola, cantou muito, mas o restante deixou a desejar e o samba caiu. A evolução foi perfeita até a última alegoria. O penúltimo carro deixou um buraco considerável bem em frente a cabine dos jurados. O samba deu um show e foi cantado pelo público. Em frente, a bateria realizou uma coreografia e uma bossa.

Cabine 3

Início confuso. Comissão de Frente passou com 19 minutos no pela terceira cabine de jurados. Coreografados por Carlinhos de Jesus, arrancou aplausos ao apresentar coreografia onde os componentes mudavam de roupa de baiana para casais de dançarinos.

Aos 23 minutos, o primeiro casal de Mestre -Sala e Porta Bandeira se apresentou com uma bela fantasia, bem elaborada e elegante.

O carro abre-alas apresentou problemas de acabamento no interior da coroa símbolo (fios pendurados e partes soltando).No segundo carro, a escultura da frente estava sem o lustre no lado direito, contendo apenas a lâmpada. O refletor da composição da estátua estava apagado. A batuta do Maestro Villa -Lobos não estava em duas mãos, restando apenas um pedaço de arame a mostra.

A Bateria do Mestre Gilmar executou bossas e coreografia aos jurados, arrancando aplausos do público das arquibancadas e frisas dos setores 8 e 9. Arlindo Cruz estava presente no carro de som, mas não puxou o samba. As fantasias apresentaram o predomínio das cores da escola em diversos tons.

O quarto carro teve a presença de Alcione, Mart'nália, Elza Soares e baluartes da escola.

Se o último carro emocionou ao trazer Ivone Lara homenageada, porém os refletores dos queijos e dos degraus da frente do carro estavam apagados.A saia da primeira escultura da baiana também estavam apagadas. Atrás do carro, uma homenagem a Joãozinho Trinta, vestido de gari, jogando água na última ala da escola.

 

Comente: