‘Independente na Identidade: 1460 dias de resgate’: CARNAVALESCO apresenta série de reportagens sobre gestão da Mocidade

mocidade_final2018_091Uma decisão liminar da juíza Adriana Costa dos Santos, da 12ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, em 30 de janeiro de 2014, afasta da presidência da Mocidade Independente de Padre Miguel o então presidente Paulo Vianna. A verde e branca estava há 31 dias do desfile do Grupo Especial quando apresentaria o enredo ‘Pernambucópolis’. Com o barracão em estado caótico os independentes estavam em pânico. O temor era de rebaixamento. Sem saída, Paulo Vianna renunciou no dia 06 de fevereiro de 2014.

A Mocidade realizaria seu ensaio técnico preparatório para o desfile no dia 03 de fevereiro. Com um intenso sentimento de libertação a Estrela Guia rasgou o chão da Sapucaí e com um esquenta antológico parecia dar sinais de que uma nova era nascera naquela data. Quatro anos se passaram. A escola conquistou um título, que naquele 2014 era pura utopia, e resgatou sua auto-estima. Chegou a hora do site CARNAVALESCO apresentar esse processo na série de reportagens ‘Independente na Identidade: 1460 dias de resgate’.

mocidade_final2018_087Nossa equipe ouviu os personagens centrais na retomada da agremiação. A longa apuração se debruçou em longas horas de conversas com personagens que devolveram à escola não apenas os seus dias de glória, mas inseriu uma das mais modernas identidades do carnaval na era de gestão do século XXI. O site CARNAVALESCO foi o primeiro veículo de imprensa a entrevistar o responsável pela condução dos rumos da escola a partir daquele momento: Rodrigo Pacheco, hoje vice-presidente da escola.

Carnaval erguido em 30 dias

Rodrigo Pacheco possui o perfil do bom gestor, independente da instituição que comanda. Segundo os pares que o cercam suas principais características são a discrição, o senso de justiça e a responsabilidade fiscal com que gere os destinos de sua escola de coração. Pacheco, que na ocasião era uma espécie de assessor da presidência, atendeu uma equipe de reportagem pela primeira vez no dia 13 de fevereiro de 2014.

mocidade_final2018_073Naquela entrevista, ele deu o tom do que foi encontrado no barracão. Sem um rompimento na gestão do antigo presidente, a Mocidade corria o sério risco de não conseguir desfilar em 2014.

– Assumimos em uma situação crítica, mas muito crítica mesmo. Muita coisa parada, muita coisa atrasada. Funcionários sem receber há vários meses, pessoal terceirizado também sem pagamento. E ainda estamos vivendo isso. O recurso que estamos recebendo não é mais o mesmo que a escola recebia antes de assumirmos. Graças a Deus e com muita conversa, com a ajuda de muitos torcedores da escola, estamos conseguindo tocar o carnaval – comentou Pacheco, na entrevista realizada na época.

A Mocidade desfilou e a história todos conhecem. No peito e na raça a agremiação passou ainda sem condições de fazer frente às grandes favoritas daquele ano. Mas um desfile que resgatou a auto-estima do independente, com destaque para o canto e o rendimento do belo samba-enredo da escola. O oitavo lugar veio com gosto de alívio para quem, 30 dias antes de desfilar, não sabia nem se colocaria a escola na avenida.

Ano da ilusão e do aprendizado

Terminado o desfile e com o apoio de Rogério Andrade, sobrinho do lendário Castor de Andrade, a Mocidade, de quase sem nenhum recurso, saltou para uma praticamente condição de ‘cheque em branco’. Disposto a tudo para voltar a vencer, Rogério viabilizou a contratação de ninguém menos que Paulo Barros. A Mocidade voltava a viver os áureos tempos de Castor de Andrade?

mocidade_final2018_039Um ano cheio de expectativas acabou frustrando a público e crítica. O desfile sobre o fim do mundo, vitimado por um temporal que caiu na concentração da escola, não conseguiu mais que um 7º lugar. A colocação, melhor que a obtida em 2014, esteve muito longe de agradar a exigente nação independente.

Observando aquele contexto três anos depois, Rodrigo Pacheco aponta os erros que inviabilizaram que a escola disputasse o título naquela ocasião. Segundo ele, o principal equívoco foi passar ao público essa impressão de poder ilimitado, que nem sempre foi verdadeira.

– Isso não ajuda sob nenhum aspecto, pois sabemos que qualquer agremiação possui dificuldades. Essa falsa impressão criou uma expectativa não atendida, gerando uma frustração. Não é a toa que a escola terminou em uma sétima colocação. Na minha forma de ver esse tipo de coisa não tem nada de positivo, só atrapalha – destaca Rodrigo Pacheco.

mocidade_final2018_020Mesmo campeã do carnaval, a gestão da Mocidade ainda precisa alcançar novos patamares de crescimento, segundo o próprio vice-presidente. A principal meta é tornar-se auto-sustentável, um desafio e tanto para quem ainda necessita de subvenção para realizar um carnaval competitivo.

– Acho que o desafio é o mesmo desde que assumimos, mas existem as etapas. A única meta naquele momento era colocar o carnaval na avenida. Não tínhamos nada. Conseguimos até ir um pouco além, evitamos a penúltima colocação. A partir daí, começamos o desenvolvimento de tornar a escola auto-suficiente. Temos um trabalho ainda a médio e longo prazo a cumprir. O título veio antes do planejado, mas conseguir se manter no topo é mais difícil que se manter. A Mocidade não está totalmente saneada. Ainda recebemos surpresas com ações judiciais contra a escola. Estamos longe daquilo que considero o ideal em relação à auto-suficiência – pontua.