‘Independente na Identidade: 1460 dias de resgate’: Mocidade planeja efetuar compras na China

Por Guilherme Ayupp. Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação

O país está mergulhado em uma forte crise e não chega a ser um dado novo para ninguém. Que o momento financeiro das escolas de samba acompanha essa recessão também é conhecido. O que fazer para se alcançar um desfile que não perca a qualidade do espetáculo? Na série de reportagens ‘Independente na Identidade: 1460 dias de resgate’, o CARNAVALESCO vem mostrando como a Mocidade tem conquistado vitórias, através de uma gestão séria, responsável e criativa para encontrar caminhos sem perder o padrão dos bons desfiles.

pacheco_gestaoUm deles está baseado no sistema de compras da escola. O vice-presidente Rodrigo Pacheco revela um dado alarmante. Ao efetuar o mesmo volume de compras de materiais no Rio de Janeiro o valor é quase o dobro que em outros lugares. No ano passado a escola comprou muitas coisas em São Paulo e a intenção é intensificar ainda mais a economia para os próximos carnavais.

– O nosso sistema de compras é baseado em pesquisa de preços. Comprei praticamente tudo em São Paulo. Não preciso comprar praticamente nada agora. Mas eu planejo ir além e ir na fonte que alimenta esses mercados. Fiz um orçamento em São Paulo de R$ 171 mil e consegui reduzir para R$ 115 mil e aqui no Rio sairia por uns R$ 300 mil. Precisamos recuperar essa perda de receita, buscando caminhos. Comprando direto na China o custo cai 300% e é exatamente o mesmo material, pois vem de lá para os mercados brasileiros – explica.

Rodrigo Pacheco é um administrador apaixonado por carnaval. Embora tenha total confiança em sua equipe de trabalho, gosta de conduzir cada processo dentro do barracão sempre de perto. E revela que dentro da Mocidade não existe material descartável. Tanto que produtos utilizados no desfile de 2013, quando a gestão da escola ainda era outra, serão usados este ano.

– Temos uma equipe boa e azeitada. Os profissionais são conscientes da realidade do carnaval. O projeto deste ano foi feito totalmente com os pés no chão. Tenho material que estava parado desde 2013 utilizado nesse desfile. Eu sou um cara chato. Gosto de participar dos processos ativamente e eles já se acostumaram comigo. Tendo em vista a realidade eu não fico sonhando. O realismo e o pragmatismo te permitem colocar em prática aquilo que realmente é possível. Todas as escolas vão terminar seu carnaval na semana do desfile – conclui.

Louzada elogia gestão do barracão, mas revela que carnaval ainda engatinha nesse aspecto

Poucos artistas do carnaval podem opinar sobre a gestão de um barracão como Alexandre Louzada. Com mais de três décadas de carreira e com títulos conquistados pela Mangueira, Vila Isabel, Beija-Flor e Mocidade, ele revela ao CARNAVALESCO que muita coisa ainda precisa melhorar dentro dos barracões e acredita que o caminho a percorrer é longo. Principalmente no aspecto da liberação das verbas.

– Acho que muita coisa precisa melhorar. Na verdade, o carnaval engatinha nesse aspecto. É muito difícil gerir algo que você não sabe exatamente quando o dinheiro vem. É uma relação que não depende somente da escola de samba e da Liga. Depende da conscientização pública da importância que nós temos para a cultura e o turismo dessa cidade. Centenas de famílias tiram daqui o seu sustento direta e indiretamente. No momento que contarmos com isso de formar regular, as escolas que já tem esse caminho de uma gestão mais responsável vão se solidificar de forma mais rápida – acredita.

Buscando um bicampeonato que a escola não conquista desde os áureos anos 90, Alexandre Louzada faz elogios rasgados a Rodrigo Pacheco e considera que se o gestor da escola e o carnavalesco não falarem a mesma língua o trabalho não evolui.

– Facilita se falarmos a mesma língua. O Rodrigo joga aberto comigo sobre as condições de investimento da escola e com a minha experiência já faço um projeto que vá atender a essa demanda. O meu trabalho depende disso. A forma como a equipe vai desenvolver as coisas. Se não houver esta integração entre todos os setores e o entendimento não tem como dar certo – destaca.

Marquinho Marino, o elo entre criação e produção

marino_gestaoIndependente apaixonado e compositor campeão em um período dramático da história da Mocidade, Marquinho Marino é o diretor de carnaval da agremiação desde o ano passado. O dirigente revela que burocraticamente sua função é estabelecer uma comunicação tranquila entre a criação e a produção. Mas diz que na prática os processos se dão de maneira menos dura.

– O diretor de carnaval é o elo da criação com a produção e a diretoria. Mas na Mocidade não precisa ser tão engessado pois o nosso vice-presidente tem o entendimento dos processos. Isso faz com que a equipe não tenha essa divisão. Todo mundo junto faz o trabalho e mais rápido são resolvidas as pendências e isso faz toda a diferença – pontua.

A gestão da Mocidade busca a modernidade. Planilhas atualizáveis on-line facilitam a tomada de decisões. O diretor de carnaval conta que precisou aprender a manuseá-las para ter um bom rendimento na função.

– Para trabalhar na Mocidade tem de aprender a lidar com planilhas. O Rodrigo Pacheco é muito organizados com datas, pagamentos. Mesmo eu não gostando muito foi preciso aprender e realmente é mais rápido. Tudo que eu solicito para ele é pedido que seja feita uma planilha. Dessa forma trabalhamos aqui – conta.