Inocentes apresenta excelente samba, mas tropeça em seu ensaio técnico

Com um bom número de componentes, cerca de 1,5 mil pessoas, a Inocentes de Belford Roxo fez seu primeiro e único ensaio técnico na Marquês de Sapucaí neste sábado. Com evolução irregular e harmonia prejudicada pelo baixo número de componentes cantando o samba, a "Caçulinha da Baixada" mostrou que terá que trabalhar muito até o carnaval. De positivo, a comissão de frente da escola, que fez a coreografia oficial e arrancou aplausos do público presente, além do intérprete estreante na agremiação, Thiago Britto.
 

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– Na verdade, o ensaio foi melhor do a gente esperava. Ensaiar durante um feriado, num calor de mais de 30 graus, é complicado. Mas a gente viu que os componentes cantaram o samba e tenho certeza que a escola estará mais afiada ainda no dia do desfile. A Inocentes está fazendo o trabalho dela. Além da qualidade do samba e da harmonia, estamos preparando um carnaval belíssimo, com carros grandiosos, muito bem elaborados, um trabalho muito bem feito. A nossa preocupação era justamente o canto da escola e a escola cantou o samba até o final do ensaio – disse o presidente Reginaldo Gomes.
 

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Logo de cara já foi possível perceber qual seria o destaque do ensaio da Inocentes. A comissão de frente, formada por quinze homens, apresentava com vibração a coreografia oficial que fará no dia 18 de fevereiro, quando a escola de Belford Roxo tentará a vaga rumo ao Grupo Especial. Os rapazes formavam um jacaré, em plena Avenida, e um dos integrantes simulava um duelo com o animal. Em entrevista ao Carnavalesco, o coreógrafo Patrick Oliveira, revelou alguns segredos do segmento:
 

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– Trouxemos a coreográfia oficial hoje porque viemos para ensaiar, então que seja pra valer. O público merece isso. Estamos treinando todos os dias de meia-noite às cinco da manhã aqui na Marquês de Sapucaí e contamos com a nossa energia para fazer o diferencial da comissão de frente na nova pista de desfile. Já provamos a nossa fantasia, representaremos o Miocossum – a grande lenda da história do minhocão. O carnavalesco Wagner Gonçalves e o presidente Reginaldo Gomes nos deram total liberdade e estrutura para o desenvolvimento do nosso trabalho – disse o coreógrafo.

Apesar da bela apresentação, pareceu faltar orientação à comissão de frente, que extrapolou em todas as cabines o tempo de apresentação, que em média dura no máximo três minutos, chegando a ficar por mais de cinco minutos se apresentando para o primeiro e segundo módulos. Além disso, após as apresentações, a harmonia avançou com a escola, esquecendo, porém que o casal também se apresentaria, resultado: buraco em todos os módulos de julgadores.

Atrás da comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcílio e Cíntia, pareciam ainda não estar totalmente familiarizados com a novidade do Sambódromo. Na primeira cabine passaram ainda tímidos e por pouco a bandeira não enrolou. Já na segunda cabine, o casal parou de dançar exatamente em frente ao local onde no dia do desfile oficial estarão os jurados e na terceira cabine, apresentaram-se para o lado contrário, de costas para os jurados.

– A nova Marquês teve como fato positivo a maior abrangência e contato com o público, em contrapartida, o vento ficou mais intenso e será necessário impulsionar a bandeira de forma forte para que não enrole. Nossos treinos são diários e fazemos musculação e bicicleta para fortalecer os músculos. Também possuimos um coreógrafo que é bailarino do Theatro Municipal e nos auxilia nos passos da nossa dança – revelou a porta-bandeira Cintia.

A escola trouxe para o seu ensaio técnico um pequeno tripé iluminado e com passistas evoluindo. Atrás dele, a primeira ala, que passou praticamente pelas laterais, sem evoluir e restringindo o canto apenas ao refrão. A terceira ala, que era coreografada, levou lenços coloridos com as cores da escola nas mãos dos componentes, que preocupavam-se mais com o passo marcado, do que o canto do samba, inclusive no refrão.

Já a comunidade quase deu conta do recado. A disposição que sobrava em alguns componentes não foram vistas no canto. A escola passou pela Avenida empolgada, porém com o canto bastante irregular, algumas alas quase mudas. Apenas o refrão salvava. Também faltou organização entre as alas, que embolavam-se umas nas outras e os componentes não ocupavam toda a extensão da pista de desfiles, aglomerando-se. A direção de harmonia deixou que tudo acontecesse, embolando os setores e prejudicando a evolução.

O início do ensaio foi bem lento, após a entrada da bateria no segundo recuo, as alas começaram a correr para não estourar o tempo. O presidente da agremiação, também atrapalhou a evolução. Parou a escola por três vezes em frente ao segundo recuo dos ritmistas para que os destaques, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira e a velha guarda fossem reverenciados por autoridades que lá se encontravam. Resultado: muitos buracos se abriram.

A bateria "Cadência da Baixada" comandada por Mestre Washington, também não fez uma boa apresentação neste domingo. Era possível perceber que o toque das caixas não estava padronizado e que na volta da bossa do refrão do meio faltava uma maior precisão. Destaque para os tamborins, afinação e cadência do ritmo. As entrada e saída no box do segundo recuo foram corretas. À frente da bateria, a atriz Luciana Picorelli, reinou pelo primeiro ano na agremiação. Muito segura, Luciana esbanjava simpatia. – Gosteio muito do rendimento da bateria. Ainda temos algumas coisas para melhorar, mas o trabalho está sendo bem feito. Largamos com 147 (batidas por minuto) e depois caiu para 146. No final, conseguimos voltar para 147. Apesar de parecer não sou tão jovem, comecei na Caprichosos e lá aprendi com mestre Cosme e outros que bateria precisa ser cadenciada. Tento colocar isso em prática como mestre de bateria e dou sorte, pois meus ritmistas compraram essa ideia – explicou o mestre.

Com o enredo "Corumbá: Opéra Tupi Guiakuru", do carnavalesco Wagner Gonçalves, a Inocentes de Belford Roxo buscará o título de campeã do Acesso A, no dia 18 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.
 

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