Inocentes faz abertura impactante, mas peca em evolução e problemas em alegorias

Por Gabriel Leal

inocentes_desfile_2018_37-1Numa noite de boas apresentações, a Inocentes de Belford Roxo pisou na avenida como uma das postulantes ao título da Série A. Nem mesmo uma complicação no último carro da Acadêmicos do Cubango, que ocasionou um atrasou de 10 minutos no início de desfile da escola, foi capaz de esfriar a força que a Inocentes preparava para desfilar. A agremiação já havia executado pelo menos quatro passadas do samba, o presidente discursou, pediu que a bateria aguardasse a liberação da Lierj e alguns minutos depois, a Caçulinha da Baixada retomou o seu esquenta.

Comissão de frente

inocentes_desfile_2018_20Sem dúvida, um dos pontos altos do desfile foi a comissão de frente “As abayomi”, muito pela indumentária e pela intensidade e vigor da coreografia. Quatorze bailarinas representaram as bonecas “abayomi” brinquedo feito pelas escravas com retalhos de pano. Elas interagiam com a componente principal que representava uma criança, numa coreografia ágil, sem grandes surpresas e peripécias, mas que realizava a função de apresentar a escola e ser fiel ao que foi proposto.

Mestre-sala e Porta-bandeira

 

inocentes_desfile_2018_26Partindo para o terceiro carnaval na Inocentes de Belford Roxo o casal Peixinho e Jaçanã garantiu o alto nível de qualidade da abertura da Inocentes. Os protetores do pavilhão da Caçulinha da Baixada foram apresentados por Robson e Ana Paula e fizeram uma apresentação correta, com um bom balanço entre movimentos lentos e fluidos e giros com mais velocidade. Uma das apresentações mais seguras da noite e uma das fantasias mais harmônicas e bem acabadas.

Harmonia, Evolução e Fantasias

inocentes_desfile_2018_50-4A escola apresentou um canto regular. As primeiras alas cantavam forte o refrão principal e a primeira estrofe do samba, mas logo deixavam de lado as outras estrofes, destaque para as alas 7 “índios” e para a ala 8 “Engenhos”. As posicionadas após a bateria apresentaram um rendimento menor que a cabeça da escola, principalmente após a segunda cabine de julgadores. A evolução da escola também careceu de fluidez. Houve incidência de um grande buraco na frente do quarto carro “Nos trilhos da histórias” em frente ao módulo 3, aos 39 minutos. As fantasias apresentavam alguns problemas de leitura como a ala 14.

inocentes_desfile_2018_49

inocentes_desfile_2018_77Alegorias e Adereços

A escola apresentou um conjunto alegórico uniforme. Destaque para o carro abre-alas “Olodumaré”. Neste quesito a escola deve ser penalizada por um problema na escultura da quarta alegoria que desmontou nas proximidades do terceiro módulo de julgamento.

Enredo

A escola não apresentou problemas quanto a inversão de alas ou partes faltantes no desfile. O carnavalesco Wagner Gonçalves conseguiu explicar com clareza o que propôs. Garantindo-se na riqueza visual e comunicação com o público que a estética afro proporciona a Inocentes preparou uma abertura impactante, encantando o público com os primeiros números coreográficos, embasados no início afro do enredo. Mas ao passo que o enredo contado transcorria pelos setores da escola, o rendimento bom, caiu para regular.

Um comentário em “Inocentes faz abertura impactante, mas peca em evolução e problemas em alegorias

Os comentários estão desativados.