Inspiração virtual

A Estácio de Sá acaba de dar uma virada de 180 graus em seu carnaval. Ao trocar o experiente Chico Spinoza pelo garoto Marcus Ferreira, a escola do morro de São Carlos faz um bem que ainda não se pode medir ao carnaval. Longe de mim estabelecer qualquer comparação entre eles (até porque o peso seria grande demais nas costas do garoto), mas o espaço que a Estácio está abrindo soa como o que a Tijuca abriu para Paulo Barros em 2004. A similaridade, repito, é entre a atitude das escolas e não entre os carnavalescos.

Nada contra o Spinoza, que já provou ao longo dos anos a sua capacidade. Tudo a favor do Marcus, que traz com sua juventude, além de uma motivação infinita, um sopro de novidade à festa. Toda manifestação artística vive do novo e a chegada de um artista diferente a uma escola grande pode acrescentar as novas idéias de que a festa precisa.

O diferencial desta "descoberta" é que Marcus mostrou seu potencial no chamado carnaval virtual. Claro que ele tem experiências em escolas de grupos de acesso, como a Mocidade de Vicente de Carvalho. Lá ele deve ter aprendido a "se virar" num barracão, mas foi na tela do computador que mostrou o que pode realmente criar. Pelo que sei é o primeiro carnavalesco a "saltar" do virtual para o real
(corrijam-me se estiver enganado). E aí está o fato histórico.

O carnaval virtual é uma grande brincadeira, mas é brincando que se fala a verdade. A garotada que faz parte desta brincadeira só pode ser apaixonada pelo carnaval "real". E usa aquele espaço para exercitar seu talento e testar novas idéias. Ali os enredos são muito mais
próximos daquilo que o povo realmente vivencia. Muitos dos temas seriam considerados absurdos para o carnaval da Sapucaí, mas o fato é que eles expressam o que estas pessoas entendem da realidade que as cerca.

Minha última coluna foi exatamente sobre esta busca pela identificação dos enredos com o público do carnaval. É preciso modernizar, trazer temas novos. E o carnaval virtual tem se mostrado uma fonte volumosa de idéias alternativas. Porque não testá-las?

Marcus já tinha feito este marco (sem trocadilho) ao levar para a Unidos de Padre Miguel um enredo que havia desenvolvido na
"Virtuafolia". É um enredo histórico, sobre Tia Ciata, mas mesmo os enredos históricos são abordados de maneira diferente no mundo virtual. Agora ele assume uma potência, ex-campeã do carnaval, escola de tradição e comunidade.

Espero muito desta recepção do "berço do samba" ao mundo virtual. Quem sabe "na era da modernidade…uma nova cidade será"?

NOVAS QUADRAS

Duas escolas do Grupo Especial podem ganhar novas quadras da prefeitura, em lugares diferentes de onde estão hoje.

BOA SORTE

Que a nova direção do Império Serrano consiga superar todas as dificuldades e fazer a escola novamente forte. O carnaval precisa do
Império Serrano!

E OS PASSISTAS?

Algum dirigente pensou em algo para valorizar o samba no pé?