Integrantes do carnaval de San Luis participam de oficinas na Cidade do Samba

A realização do carnaval brasileiro na a cidade argentina de San Luis vai se expandindo a cada ano. Depois da divulgação da criação da primeira escola de samba local, foi a vez de um grupo de argentinos vir até o Rio de Janeiro aprender como se constrói um desfile de escola de samba. Durante essa semana, no barracão da Mocidade Independente de Padre Miguel, um grupo de aderecistas de nosso país vizinho passou algumas horas aprendendo as técnicas de produção de fantasias e alegorias. Já no palco do pátio central da Cidade do Samba, cinco passistas argentinas observaram atentamente as lições que Nilce Fran, coordenadora da ala de passistas da Portela, as ensinava.

A vinda do grupo ao Brasil faz parte da iniciativa do governo de San Luis em conjunto com a Ganga Zumba Produções, que organiza o carnaval de San Luis, mas a participação da Amebrás (Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil) é de suma importância para a execução do projeto.
 
– É um contrato feito entre a Ganga Zumba Produções e o Governo de San Luis, que consiste não só na realização do carnaval, mas também no desenvolvimento de projetos de capacitação profissional para a população de baixa renda. Depois de dois anos de workshops de carnaval lá, os melhores foram selecionados para fazerem essa viagem ao Rio e conhecerem o trabalho no barracão das escolas de samba daqui – explica Célia Domingues, presidente da Amebrás.

Umas das diretoras da escola de samba que está em processo de formação este ano em San Luis, Mariela Percara, falou sobre a experiência.
 
– É maravilhoso, incrível! Nunca havíamos imaginado que iriamos ter essa oportunidade e estamos aproveitando ao máximo. Tanto as meninas do adereço, quanto as passistas. Nos dois primeiros anos eu participei como desfilante e este ano me chamaram para trabalhar na organização do carnaval. Estamos aprendendo como se estrutura uma escola de samba, os personagens importantes e a organização administrativa. Estamos formando uma escola de samba única em toda a província, com pessoas que moram em San Luis e em localidades próximas. É a primeira vez que isso acontecerá e estamos muito animados.
 
As dez aderecistas foram guiadas e monitoras por funcionários da Amebrás e ainda visitarão os barracões de Porto da Pedra e Mangueira nesta semana. O grupo não escondeu a empolgação com o andamento dos trabalhos no barracão da Verde e Branco de Padre Miguel, principalmente no momento em que esculturas estavam sendo colocadas nas alegorias.
 
– Eles estão muito interessados. Isso ajuda bastante. Eles querem fazer o carnaval deles, mas tiram o nosso como referência. É difícil fazerem um carnaval como o nosso em qualquer lugar do mundo. Eles perceberam o quanto podem ganhar, não só financeiramente, mas também culturalmente e em entretenimento para o carnaval. Nós passamos técnicas, a vibração do carnaval, mas a nossa intenção é fazer com que eles valorizem a cultura deles. Respeitamos as raízes e a logística deles. Só para se ter ideia, lá não existe praticamente nenhum material do que é usado aqui. Pra deslocar todo o material para lá é muito complicado. É uma burocracia muito grande – afirmou Célia Domingues.
 
Este grupo de dez aderecistas e cinco passistas chegou ao Rio de Janeiro nesta segunda e ficará até o dia 14, quando outro grupo, com mais cinco passistas e dez ritmistas chegarão á cidade para receberem aulas. As aulas de percussão serão ministradas pelos percussionistas André Henrique e Cláudio Junior.

Assim como já ocorreu em 2011, dois mil componentes de escola cariocas partirão para a cidade de San Luis em março deste ano. Eles formarão duas escolas de samba e a terceira será formada por argentinos.