Ivo Meirelles afirma que disputa de samba na Mangueira voltou a ter credibilidade

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Um dos ícones da tradição do samba, a Estação Primeira de Mangueira, sob a administração de Ivo Meirelles, vem inovando num momento considerado por muitos o mais importante na preparação de um desfile: a escolha do samba. Não é novidade para mais ninguém que o dirigente mangueirense aboliu algumas regras na disputa de samba-enredo da escola que, em sua visão, acabavam não colaborando na hora de escolher o hino da agremiação. Fato é que, mesmo após escolhas criticadas inicialmente pela grande maioria, a Mangueira, desde que Ivo adotou as novas medidas, vem fazendo com que seus sambas rendam bem mais na Marquês de Sapucaí.
 
A queda da obrigatoriedade do pagamento de uma taxa de R$ 200 e a abertura para quem não é compositor da escola na disputa são apenas algumas medidas do pacote, que tem como principal ponto o fato de os sambas não serem mais assinados pelas parcerias. Os compositores da obra vencedora só são conhecidos após a final. A medida visa acabar com o chamado ‘selo de qualidade’, já que alguns compositores que já venceram muitas vezes, não só na Mangueira, mas em outras escolas, acabavam entrando como favoritos na disputa. E isso, muitas vezes, já influenciou na decisão final.
 
Neste sábado, a Mangueira deu o pontapé inicial na disputa de samba-enredo, que pelo terceiro ano consecutivo será disputada nos mesmos moldes. Dos mais de 200 sambas inscritos inicialmente, apenas 38 sobreviveram à primeira audição. Eles foram divididos em cinco chaves e a primeira delas, a chave A, já teve dois sambas cortados na madrugada deste sábado. Os compositores dos sambas 62-A e 67-A terão que tentar novamente no ano que vem. Já as parcerias das obras 61-A, 64-A, 63-A, 66-A e 65-A, que tiveram destaque na noite, continuam na disputa.
 
As eliminatórias acontecerão nos dois locais: quadra da Mangueira e Cacique de Ramos, sempre aos sábados e domingos respectivamente. Ivo Meirelles esteve presente no Palácio do Samba nesta noite e falou com exclusividade ao CARNAVALESCO.
 
– Há muito tempo eu gostaria de ver isso acontecer aqui dentro da Mangueira. Minha intenção é fazer uma disputa de samba justa, com igualdade de condições. O que está sendo avaliado é o melhor samba. E não aquele que traz mais torcida. Peço a Deus que me dê sabedoria para escolher bem o samba e nos ajudar novamente –  afirmou Ivo.
 
Autor de um dos maiores sambas da história da escola, "Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm", de 1986, Ivo Meireles lembra que o trabalho vem rendendo frutos.

– Tirem suas próprias conclusões. Basta ver o que o samba da Mangueira rendeu na Avenida nos últimos dois anos. Eu conheço aquilo que eu faço. Escolho obras com a cara da Mangueira. Não sou paneleiro e nem estou aqui para agradar a ou b. Quero o melhor para a minha escola. Tem gente da minha diretoria que me disse que nem vai torcer pra samba nenhum ganhar para não se decepcionar depois. No ano passado falaram muita bobagem depois da final de samba-enredo e na Avenida vimos o que aconteceu. Acho que a disputa de samba na Mangueira voltou a ter credibilidade. Espero ser feliz na escolha novamente.
 
O samba com que a Verde e Rosa buscará o 18º título de sua história será conhecido na final marcada para o dia 8 de outubro. O enredo da escola para o Carnaval 2012 é "Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira" e será desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho.

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