Jaime Cezário diz que enredo do Cubango serve até no Grupo Especial

Disposta a esquecer os problemas com a diretoria da Lesga, ocorridos após o resultado do último carnaval, a Acadêmicos do Cubango deu o pontapé inicial no processo de criação do samba-enredo para o Carnaval 2012. Em reunião realizada na noite desta quarta-feira, na quadra da escola, entre os compositores, a diretoria e o carnavalesco Jaime Cezário, a sinopse do enredo "Barão de Mauá – O sonho de um Brasil moderno!" foi entregue aos poetas cubanguenses. Em seu quarto carnaval na Verde e Branco de Niterói, Jaime Cezário não fez nenhum pedido especial aos compositores e explicou como pretende desenvolver o tema.

– Quando se fala de Barão de Mauá associa-se o nome a indústria naval, mas a indústria naval é a pontinha de um iceberg na vida do Barão. O início dele é como comerciante no Rio de Janeiro, capital do Império, e é por aí que vamos começar o enredo. A partir disso ele começa a desenvolver o seu lado empreendedor. Na época, a maior riqueza do Brasil era a mão de obra escrava. Quem mandava era os grandes senhores que cultivavam café. Então no primeiro momento vamos mostrar o que construiu Mauá comerciante. Depois vamos mostrar a primeira indústria, a maçonaria, a fundição do estaleiro e as iniciativas dele com a Companhia de Navegação do Amazonas. No terceiro setor, a questão econômica. Quando ele cria o Banco Mauá, que deu origem ao Banco do Brasil, e a fundação do banco internacional, que tinha sede em várias capitais ao redor do mundo. Depois vamos fazer uma brincadeira com ele, que foi de revolucionário, um homem que pensava à frente de seu tempo, a barão do Império. Vamos terminar mostrando que algumas de suas ideias se tornaram reais depois, como o Mercosul por exemplo. Além de sua honradez – disse Cezário.

No período imperial, o Barão de Mauá chegou a possuir oito das dez maiores empresas do país. Tanto poder e capacidade administrativa acabaram despertando certa animosidade em torno de seu nome. Jaime explica que ao pedir um empréstimo ao Banco do Brasil, o Barão de Mauá acabou sendo boicotado e viu sua vida econômica declinar. Apesar de ter falido, ele acabou deixando uma grande lição, que serviu para que um mito em torno de sua imagem fosse deixado de lado.

– Ele faliu, mas pagou a todas as pessoas que devia. Deu até suas alianças para honrar as dívidas e deixou uma mensagem muito importante. Tem uma frase dele que ficou famosa: ‘Maior que os bens da riqueza é o meu nome honrado’. Isso inclusive calou a boca de alguns que diziam que ele só pensava em dinheiro. Até o imperador chamou-o para uma reunião após esse episódio, mas ele não quis mais conversa  – explicou o carnavalesco da Verde e Branco de Niterói.

A cidade que abriga a Acadêmicos do Cubango, inclusive, tem uma relação bem íntima com Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. A primeira grande indústria dele, o Estaleiro Ponta da Areia, foi sediada em Niterói. Entusiasmado com a oportunidade de desenvolver o enredo, Jaime Cezário disse que o tema poderia servir até para um desfile do Grupo Especial, tamanha é a diversidade de informações e a relevância cultural.

Adepto da liberdade aos compositores, o carnavalesco explicou o que pretendeu com a sinopse, escrita em conjunto com o pesquisador Marcos Roza.

– Não gosto de travar o compositor. Fizemos uma apresentação para que eles entendam sobre o que falarão, uma sinopse histórica e uma poética, além de uma justificativa para eles verem a razão de a escola ter o escolhido o Barão como enredo. Não sou poeta de samba. Trabalho a minha criatividade na criação de fantasias e alegorias. Dou liberdade para que eles façam a poesia deles. É claro que em outra reunião eles me mostrarão e, se algum deles viajar muito, nós vamos dar uma lapidada.

A melhor colocação de Jaime Cezário no Acadêmicos do Cubango foi o quarto lugar do último carnaval, com o enredo ‘A emoção está no ar!’. Das nove escolas que desfilarão no Grupo de Acesso A em 2012, apenas Cubango e Inocentes de Belford Roxo nunca estiveram no Grupo Especial.