Jorge Teixeira fala sobre desafio de trabalhar na Grande Rio e volta da parceria com Cahê

Depois de dez carnavais tendo Renato Vieira à frente de sua comissão de frente, a Grande Rio contratou coreógrafo Jorge Teixeira, que nos últimos dois Carnavais comandou a comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel. Com isso, Jorge voltará a trabalhar com o carnavalesco Cahê Rodrigues, com quem fez parceria na Portela, em 2008. Feliz com a oportunidade, Jorge Teixeira falou ao CARNAVALESCO sobre o novo desafio.

Apesar de nunca ter trabalhado na tricolor caxiense, o coreógrafo disse que sempre teve laços que o ligavam à agremiação da Baixada Fluminense:

– Será um grande prazer. Na verdade é um namoro antigo que eu tenho com a Grande Rio. O Saulo Finelon, um rapaz que trabalha comigo, tem alguns familiares na escola, inclusive o primo dele é autor do samba da escola deste ano e sempre quiseram que fossemos trabalhar lá. De minha parte, tem o Cahê, que é muito meu amigo e com quem eu me dei super bem quando trabalhamos juntos na Portela, há uma sintonia muito grande entre nós. Ele me colocou no Carnaval. Em 2004, quando a Caprichosos falou sobre a Xuxa e ele era o carnavalesco, foram as minhas alunas que desfilaram. Depois ajudamos a levar a Portela de volta ao desfile das campeãs e era uma vontade mútua voltarmos a trabalhar juntos.

Jorge Teixeira fez questão de dizer também que não guarda nenhuma mágoa da Mocidade e analisou o trabalho desempenhado na Verde e Branco de Padre Miguel em 2011, quando não recebeu nenhuma nota dez:

– Foi um tema muito difícil e um trabalho de bastante superação. O Cid Carvalho idealizou a geleira, nos trouxe o tema e disse que queria aquilo. Deu na minha mão e pediu que eu trabalhasse em cima daquilo, não que eu esteja reclamando, foi bom trabalhar com o Cid também. Na verdade idealizei duas comissões diferentes e, infelizmente, o trabalho acabou não dando certo. Ocorreram falhas humanas. Nem sempre o que parece ser realmente é. Os integrantes da comissão eram da seleção brasileira de patinação artística, estavam acostumados a patinar fazendo coreografias em cinco minutos, não em 40. Eles são muito bons naquilo que fazem, mas o nosso erro foi confiar que eles conseguiriam aguentar fisicamente. Não foi o que aconteceu. Na última cabine de julgadores cheguei com dois integrantes a menos. Eles também não conseguiram se adequar aos elementos que levavam, perdemos décimos por isso. Apesar de tudo, foi um aprendizado, um laboratório bom – disse Jorge, que recebeu três 9,9, um 9,7 e um 9,8.

O novo profissional da Grande Rio mostrou também sua preocupação com os rumos do quesito comissão de frente. Ele entende os novos conceitos que o espetáculo exige, mas afirma que viu comissões não fazerem o básico este ano na Marquês de Sapucaí:

– Eu entendo todas as transformações que o Carnaval vem passando. Não podemos ficar pra trás, mas as comissões viraram um show à parte das escolas de samba. Se você colocar algumas comissões em cima de um palco, vai virar um show. Para fazer isso não precisa nem de coreógrafo. Nós temos que tomar cuidado para nós mesmos não ficarmos desempregados. Vi algumas comissões não fazendo o básico, que é apresentar a escola. Não discordo da concepção delas, é maravilhosa, mas não podemos perder a tradição do quesito. O pior disso tudo é que os jurados estão sendo coniventes, me parecem não tão bem preparados para julgar. Teve comissão que passou o desfile todo de costas para a escola, isso não pode acontecer – lembra o bailarino.

A Grande Rio levará para a Marquês de Sapucaí em 2012, o enredo '' Eu acredito em Você. E você?'', de autoria e desenvolvimento do carnavalesco Cahê Rodrigues. A Tricolor de Caxias  busca o primeiro título de sua história no Grupo Especial.