Jornalista Fred Soares estreia coluna no site CARNAVALESCO

Aos que me conhecem, um abraço apertado. Àqueles que nunca me viram ou ouviram falar de mim, um outro abraço apertado. A partir de agora, considerem-se meus amigos, e me permitam uma breve apresentação.

Como muitos de vocês, ignoro completamente o motivo de tanta paixão pelo carnaval e pelas escolas de samba. Só sei que, quando vi, ainda bem garoto, estava numa avenida, vendo todo aquele sonho diante dos meus olhos. Era 1982 e desde então jamais deixei (e jamais deixarei) de ir à Sapucaí. Não simplesmente para assistir a um grande espetáculo, mas para ver toda a glória de um povo que é o meu e que – graças a Deus – defende com unhas e dentes o nosso bem mais precioso – a nossa cultura popular.

O tempo passou, virei jornalista, comecei a viver intensamente as escolas de sambas e agora, cá estou, compartilhando com todos este espaço que, espero, seja bastante duradouro.

Bem, feitas as apresentações, preciso desabafar. Irrita-me demais ouvir frases feitas, os chamados chavões. E uma delas é “ah, não vejo mais desfile de escola de samba, é tudo igual”.

Pra início de conversa, tudo igual é uma pinóia!!!! Qualquer cidadão com, no mínimo, dois neurônios sabe que a coisa não é bem assim.

De cara, a análise não deve apenas se ater aos desfiles dos dias de carnaval. A escola de samba é algo muito maior do que isso. As feijoadas, as festas, os eventos esportivos, as ações sociais evidenciam a enorme importância que ela conquistou inclusive no fomento às relações sociais na cidade.

E quando o assunto é a festa no Sambódromo, aí é até covardia. Se tudo tivesse permanecido na mesma, até hoje teríamos a “ditadura das quatro grandes”.  Jamais veríamos a ascensão de novas potências como Beija-Flor, Imperatriz Leopoldinense e Mocidade Independente a partir da segunda metade dos anos 70 (fato, aliás, exposto em livro do qual dois dos escritores são meus amigos: Fábio Fabato e Alexandre Medeiros).

Se a roda viva do tempo tivesse ficado atravancada, nunca vivenciaríamos o grande Salgueiro rasgar a cartilha de “como se desenvolver um enredo” dos anos 50 e expor para o mundo personagens que viviam à margem da nossa história. Também não teríamos conhecido o fenômeno Joãosinho Trinta, que alterou forma, conceito e execução. Mudanças que culminaram no histórico “Ratos e Urubus”, para mi, até hoje, a maior crítica já feita a “way of life” da sociedade ocidental.

É por tudo isso que, a cada carnaval, o meu espírito se renova. Volto a ser aquele garoto de oito anos que tem a certeza de que vivenciará algo de diferente. Que tem a certeza de que cada carnaval é, na verdade, um reinício das nossas vidas.

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Aos que gostam de ouvir – e de participar – de um qualificado debate de carnaval, aconselho o programa “Gaúcha no Carnaval”, que vai ao ar sábados (depois da jornada esportiva) e domingos  (a partir da meia-noite) no Rádio Gaúcha de Porto Alegre. O comando é de Cláudio Brito.  O link é http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=80645&channel=232&tipoVivo=1

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Minhas saudações atrasadas – e nem por isso menos respeitosas – à Unidos da Tijuca, umas das maiores tradições do samba carioca que, no último dia de 2011, completou 80 anos. Muitos falam da atual fase da escola, uma das potências do samba carioca, mas vale lembrar que a trajetória vitoriosa começou em 1936. Naquele ano, o Borel comemorava sua primeira conquista na elite do samba, o que só se repetiria em 2010.

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