Jornalistas e colunistas analisam saída de Paulo Barros da Tijuca e ida para Mocidade

 

 

O site CARNAVALESCO ouviu seus colunistas, Luis Carlos Magalhães e Ricardo Barbieri, além dos jornalistas Eugênio Leal (Rádio Tupi), Leonardo Bruno (Jornal Extra), Fábio Fabato (site Galeria do Samba), Marcelo de Mello (Jornal O Globo) e Aydano André Motta (Jornal O Globo) sobre a saída do carnavalesco Paulo Barros, da Unidos da Tijuca, para Mocidade Independente de Padre Miguel. 

CARNAVALESCO: O que vocês acharam da contratação do Paulo Barros pela Mocidade? 

Leonardo Bruno: "Paulo Barros acertou em cheio ao escolher a Mocidade. A verde e branco tem a cara da vanguarda e, nos últimos anos, vinha vagando em busca de uma nova personalidade. E agora tem tudo para abraçar com gosto o estilo Paulo Barros. Vale lembrar que a identidade da Mocidade é, historicamente, ligada aos grandes carnavalescos. Foi assim no primeiro título, com Arlindo Rodrigues. Depois a escola se reinventa e incorpora o espírito tropicalista de Fernando Pinto. E, para quem viu carnaval a partir dos anos 90, nada mais Mocidade do que Renato Lage. A escola de Padre Miguel é assim: se reinventa a partir das propostas de seus grandes carnavalescos. E com Paulo Barros, que hoje já pode ser incluído no rol dos gigantes, ao lado de Arlindo, Fernando e Renato, acho que pode acontecer a mesma coisa".

Eugênio Leal: "É uma tentativa do novo patrono de se afirmar no carnaval".

Aydano André Motta: "A Mocidade dá o primeiro passo para voltar à briga pelas vagas nas campeãs. Mas faltam outros passos".

Fábio Fabato: "A Mocidade, desde a sua fundação, é marcada pela vanguarda e por nomes ligados à inovação, como Mestre André e Fernando Pinto. Paulo Barros, inegavelmente, é o grande renovador contemporâneo. Tem tudo, se respeitada a identidade de ousadia e bom acabamento da escola, para dar certo. Além do carnavalesco, a agremiação também vai precisar de uma estrutura de ponta".

Marcelo de Mello: "Acho que o casamento tem chances de dar certo porque a Mocidade gosta de inovar. São muitos os exemplos, sendo o mais marcante o enredo "Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas", de Fernando Pinto, em que as baianas vieram de capacete, uma ousadia naquele ano de 1985. Já se ele fosse para a Portela ou a Mangueira, haveria incompatibilidade de gênios".  

Luis Carlos Magalhães: "A Tijuca pré Paulo Barros não tinha exatamente uma "CARA". Paulo Baros lhe deu essa "CARA". Com a Mocidade é diferente: O QUE MAIS TEM É "CARA". Como será isso. Vai dar "liga" ou vai ficar mais ou menos como água e azeite". RESUMO: a Tijuca era "A" escola "DO" Paulo Barros; a Mocidade será assim também ou será "UMA" escola "COM" Paulo Barros?

Ricardo Barbieri: "Paulo Barros vai estar numa escola revigorada, ansiosa por voltar a brilhar e disposta a tudo para ser outra vez a Mocidade encantadora e vencedora. A escola demonstra que está disposta a investir alto com esta contratação. Já demonstrou pontos fortíssimos neste ano, como o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a busca em voltar a ter a melhor bateria do carnaval, carro de som, samba. Enfim, restam dúvidas acerca dessa mudança envolvendo Paulo Barros: 1 – Ele deixa a escola por que já não encontrava um bom ambiente de trabalho? 2 – Ele se seduziu por nova proposta artística e se encantou com um projeto desafiador? 3 – Ele cedeu a uma proposta financeiramente irrecusável? ou 4- – Todas as opções anteriores. A resposta a estas questões são irrelevantes. Ficam restritas aos fuxicos nas redes sociais. O que importa de fato é que esta Mocidade Independente de Padre Miguel renascida, faz muito bem para os desfiles do Grupo Especial que vai contando com escolas de samba cada vez mais fortes".  

CARNAVALESCO: E o que esperam da Tijuca sem o carnavalesco Paulo Barros?

Leonardo Bruno: "A Tijuca agora vai ter que sair de uma enrascada em que ela mesma se colocou: ao ser tão reverente ao estilo Paulo Barros nos últimos anos (até quando ele não esteve lá), ficou refém de sua presença. Nos últimos dez anos, a Tijuca esqueceu totalmente suas características anteriores para se jogar de cabeça na nova proposta. Além disso, trocou muitas vezes os nomes dos seus segmentos, deixando de ter uma "cara própria" no casal de MS/PB, no carro de som, na direção de carnaval. Só mesmo a bateria de Mestre Casagrande, hoje,  podemos identificar como "a cara da Tijuca". Esse é o grande problema hoje da escola: achar sua nova identidade. Que o caminho encontrado pelos tijucanos a partir de agora consiga equilibrar estes dois lados: o estilo de seu novo carnavalesco e o resto do corpo da agremiação".

Eugênio Leal: "Achava que já era hora da escola mudar sua estética. O casamento artístico andava desgastado. Será complicado, entretanto, achar o nome certo para assumir".

Aydano André Motta: "A Tijuca terá chance de mostrar que não é só Paulo Barros. A estrutura que tem – casal, mestre de bateria, o canto dos seus componentes, a harmonia -, decisiva para a vitória em 2014, deve manter a escola entre as principais do desfile. O desafio será encontrar um carnavalesco que não deixe a parte visual virar um problema".

Fábio Fabato: "A Tijuca é hoje a melhor escola em matéria de chão do carnaval. Foi destaque, sobretudo, em harmonia e evolução em 2014. Está pronta para brilhar com ou sem Paulo Barros. A dúvida é: apostar em um novato (como fez com Barros em 2004) ou investir em outro grande nome?"

Marcelo de Mello: "A Unidos da Tijuca não deve desmoronar porque é organizada e pode manter uma boa estrutura. Não podemos esquecer que a escola do Borel é a terceira mais antiga da cidade, fundada em 1931, e não necessariamente vai estranhar um carnavalesco de estilo tradicional".

Luis Carlos Magalhães: "A Tijuca mostrar definitivamente que é uma grande escola de samba com seus segmentos afiadíssimos: bateria, casal, harmonia, evolução, conjunto. E mais, e principal, sambas enredos não tão vinculados ao desenvolvimento "efetivo" do enredo".

Ricardo Barbieri: "A saída de Paulo Barros da campeã Unidos da Tijuca é a notícia de maior impacto pós-carnaval. Quase soa como retrospectiva 2013 quando Rosa Magalhães deixou a campeã Vila Isabel.  Digo “quase” pois esta (entre Paulo Barros e Unidos da Tijuca) era uma parceria que se encontrava no auge (no que diz respeito a resultados).  Foram três campeonatos, três vice-campeonatos e o fortalecimento de uma marca: o inusitado. Ninguém esperava nos desfiles da Unidos da Tijuca, nada menos que “ser surpreendido”. O que será da Unidos da Tijuca após esta importante mudança? Sabemos que é uma escola muito bem organizada, com estrutura consistente e equipe competente.  Deve manter sua capacidade competitiva e contratar outro grande carnavalesco (é o que se espera). Mas, a principal característica de seu sucesso foi a parceria entre o carnavalesco que ousava com a escola que bancava sua ousadia. Resta saber se ele terá a mesma liberdade criativa numa nova escola. Afinal em 2007 também saiu e foi ousar na Viradouro". 

Comente: