Justificativas de Fred Soares

UNIDOS DA TIJUCA – À exceção de 2012, mantém a linha dos anos anteriores que marcaram o grande crescimento da escola. É um samba feito para o desfile, com o enredo bem retratado na letra e uma melodia que cresce principalmente no momento dos refrãos – bem animados, diga-se de passagem.  Nota 9,6

SALGUEIRO – Saiu até melhor do que a encomenda. A competente sinopse do carnavalesco permitiu que os compositores realizassem uma letra bem descritiva, embora sem grande primores poéticos. A melodia é forte, bem animada, com uma excelente sacada: “Tá na galeria, em museus / Imagine teve gente se achando mais que Deus”. Nota 9,6

VILA ISABEL – Um clássico para a discografia do carnaval. A prova de que um time de grandes compositores é senha para um golaço em termos de samba-enredo. A começar pela letra. Está na cara que houve um cuidado todo especial tanto na enlação das idéias como na procura de palavras que se encaixassem melhor na melodia. O uso dos regionalismos, que pode descambar para a pieguice, foi feito na medida certa. O desenho melódico também foi executado como se fosse uma obra de arte. No melhor momento, na segunda parte do samba, há uma queda proposital (É preciso investir, conhecer…/progredir, partilhar, proteger) que encaminha para uma crescida excepcional (De noite, vai ter cantoria / E está chegando o povo do samba / É a Vila / Chão da poesia, celeiro de bamba)  até a chegada do ótimo último refrão. Nota 10

BEIJA-FLOR – Pra mim, era pule de dez que esse enredo não renderia um bom samba. Mas o resultado foi um dos melhores da safra. Um tema de origem proporcionou alguns bons momentos poéticos, como “Com asas surgiu do infinito, tão claro mito../ A joia rara de Alá” ou “Sou um puro sangue azul e branco, / um acalanto… a mais sublime criação! / Sou eu o seu cavalo de batalha, / se a memória não me falha…/ Chegou a hora de gritar é campeão!”. A melodia foge da linha clássica que a Beija-Flor costumava trazer. Optou-se pela valentia, como se chamasse o componente “para a briga”. Nota 9,7

GRANDE RIO – Um enredo meramente político não oferece muito para os compositores. Resultado: uma letra que só em alguns momentos se percebe ser alusiva à luta do estado do Rio pela manutenção da legislação dos royalties do petróleo. A melodia evita que o samba vá por água abaixo, dando esperanças de que, bem ensaiado, ainda possa proporcionar um bom resultado. Nota 9,2

PORTELA – Um outro primor de samba-enredo. Uma letra incansavelmente trabalhada, como belíssimas soluções, como “Bate o sino na capela / Que é dia de santo, sinhá / Tem mironga de jongueiro / O tambor me chamou pra dançar”. Mas o ponto forte é realmente o conjunto melódico. Uma variação que deve ter deixado o diretor de bateria sorridente de orelha a orelha. Só me preocupa uma coisa: essa intensa variação de melodia aliada à letra de difícil interpretação possa causar problemas no desfile. Mas não posso julgar o que está por vir. Portanto, a nota é 9,9

MANGUEIRA – É o quarto ano seguido que a Mangueira emplaca um grande samba. Absolutamente dentro dos padrões da casa, chama a atenção pelas bonitas soluções poéticas. E olha que um traduzir na letra de um samba a cidade Cuiabá não é tarefa das mais fáceis.  Trechos como “Ao paraíso, emoldurado em cintilante céu azul / Bendita sejas terra amada! / O coração da América do Sul” são realmente de se tirar o chapéu. Nota  9,8

UNIÃO DA ILHA – Talvez a maior surpresa nas disputas de samba para 2013. Emplacou acima de tudo pela melodia que não é daquelas que provocam uma explosão de êxtase, mas, sim, uma reação de se cantar o tempo todo. A letra não tem o mesmo padrão, sem grandes recursos poéticos. Mas o resultado final é interessante e, se bem ensaiado, pode proporcionar uma boa apresentação à escola.  Nota 9,5

MOCIDADE – Quem leu o enredo da Mocidade viu que o tema foi muito bem destrinchado pelo carnavalesco. E, em termos de descrição, a letra do samba da escola até cumpre o seu papel. Mas é exageradamente descritivo, sem grandes sacadas que fugissem da simples proposição do enredo. A melodia também não tem grandes destaques, com exceção para o refrão do meio que permite uma bela tabelinha com a bateria. Nota 9,4

IMPERATRIZ – Um bom samba cuja gravação do CD fez deixar a desejar. Mas acho um samba muito bem construído, principalmente com relação à letra. O time de compositores é bom e conseguiu soluções como “O índio, então… / Não se curvou diante a força da invasão, / Da cobiça fez-se a guerra, / Sangrando as riquezas dessa terra!” ou ainda “Oh! Mãe… Senhora, sou teu romeiro, / A ti declamo em oração: / Oh! Mãe… Mesmo se um dia a força me faltar, / A luz que emana desse teu olhar / Vai me abençoar!”. A melodia, ao estilo lençol, também é boa. Ficou desvalorizada na gravação. Mas tem tudo para crescer. Nota 9,5

SÃO CLEMENTE – Se a avaliação ficasse só no contexto da qualidade musical, a São Clemente perderia algum conceito. Mas se levarmos em conta as características da escola, vê-se que o samba de melodia simplória, sem grande rebuscamento na letra, mas com dois refrãos bem animados tem o seu valor. A aposta é essa, na animação que esta junção pode proporcionar na Avenida. Nota 9,4

INOCENTES DE BELFORD ROXO – Mais um samba em que os compositores tiraram leite de pedra. Adorei a melodia, daquelas que dá vontade de cantarolar o tempo todo. Assim como na Imperatriz, de estilo lençol. A letra também abusa de bons momentos, como o da parte final: “Coréia do Sul / Suas águas cristalinas são o espelho / Na cadência das Baixada / Deságuam no meu Rio de Janeiro”. Nota 9,7