Justificativas de Luis Carlos Magalhães

Vila Isabel e Portela: Nota 10. Favorecidas por enredos estimulantes, ao contrário de quase todas as demais, as escolas mantêm viva a esperança de que é possível presentear o público e os componentes com sambas grande qualidade.  Em uma única palavra, a  Vila tem um samba ARREPIANTE. De tão bonito chega a lembrar “O CIO DA TERRA”, de Milton Nascimento e Chico Buarque. Desde Sinhá Olímpia um samba não me emociona tanto. O contracanto de Martinho da Vila é  um toque a mais na gravação, um achado. A Portela repete a fórmula gingada e “rodeada” do ano anterior, passeia sobre o tema com extrema leveza rítmica em irresistível convite ao canto e à dança.  A gravação  no CD, no entanto, evidenciou as alterações da primeira parte do samba tornando-a menos melódica, “menos redonda”,  que a forma original. A partir de “TEMPO RODOU NA RODA DO TREM E VEIO” o samba readquire sua força e reencontra  seu formidável balanço melódico não deixando escapar a nota máxima. Fica a expectativa de que o samba cantado coletivamente na pista retome  a integridade de seu imenso vigor original.

Beija-Flor: nota 9.7. O samba sabiamente deixa a parte do Mangalarga quase de lado e aposta na força do tema  “cavalo-cavalo”. É mais um milagre da gravação, nem parece o mesmo samba da disputa.

Mangueira: nota 9.6. Adequadíssimo à proposta do enredo com bons momentos melódicos na segunda. Os Mangueirenses vão gostar muito de cantá-lo, isto é o que importa. O resto, como a gente bem sabe, é com eles.

Salgueiro: nota 9.6. Outro milagre da gravação. Parece outro samba pela forma como foi cantado. Com certeza vai surpreender no desfile, e muito.

Tijuca: nota 9.6. Samba da Tijuca, mais que os outros, só se julga na hora, em razão de seus “segredos”. Dois refrãos fortes e autorreferentes cercados de   Alemanha por todos os lados. Vai caber certinho no dia, mesmo sem grandes virtudes.

Imperatriz: nota 9.6. Tangencia o elevado padrão dos últimos sambas da escola. O samba vem crescendo e vai conquistar seu lugar. O mérito maior foi buscar, com algum êxito, um caminho para o enredo óbvio.

Inocentes: 9.5. Bons momentos melódicos fazem a diferença, ainda que pequena. Considerada e compreendida a dificuldade do tema, surpreendeu pelo produto final bastante razoável.

Ilha/Grande Rio/Mocidade/São Clemente: nota 9.4. As escolas apresentam sambas “suficientes” ao atendimento da proposta de seus enredos, sem grandes virtudes. Nada que possa acontecer de bom ou de ruim  poderá ser atribuído aos sambas. Cumprem sua função, só.