Justificativas de Raphael Azevedo

Vila Isabel – 10
Sublime. A histórica parceria de Martinho, André Diniz, Arlindo Cruz, Tunico e Leonel resultou num samba igualmente histórico sobre a vida do homem do campo. Com uma letra simples e poética ao mesmo tempo e melodia envolvente, a composição mostra que é perfeitamente possível ter um grande samba quando o enredo é patrocinado. De fácil assimilação, tem tudo para ser a trilha sonora perfeita para um belo desfile. Até Fernando Pamplona aprovaria.

Portela – 10
Após o sucesso de 2012, os compositores apostaram na mesma "fórmula" e conseguiram fazer outro samba-enredo espetacular. A melodia é contagiante e a letra faz uma belo passeio pela cultura de Madureira. Lamenta-se, no entanto, a troca de algumas palavras da letra original. Tudo ficaria mais fantástico ainda.

Mangueira – 9,9
Lequinho e companhia fizeram um grande samba para o enredo sobre Cuiabá, que cresceu ainda mais na gravação. Vale destacar o resgate na letra de uma tradição mangueirense: a referência ao "Jequitibá". O novo integrante do time de intérpretes, Agnaldo, chama a atenção pelo belo timbre. Já o veterano Luizito brilhou mais uma vez. Seu característico grito de garra exalta o orgulho do mangueirense e empolga, assim como a atuação da Bateria Surdo Um.

Salgueiro – 9,9
É o samba que mais cresceu na gravação. Tem a cara da escola, exalta o orgulho do componente de maneira arrepiante e dá gosto de cantar. A letra acerta ao começar falando da "fama" do Salgueiro no Carnaval para depois entrar propriamente no enredo. A melodia empolga durante todo o samba, que tem tudo para explodir na Sapucaí. O verso "tem banca, moral, respeito" até poderia parecer esnobe em outra escola, mas no Salgueiro ganha contexto e força como a perfeita tradução da potência que é a Academia do Samba.

Unidos da Tijuca – 9,8
Tem um refrão principal que merece destaque com o verso "metade do meu coração é Tijuca e a outra metade Tijuca também". O talento de Bruno Ribas valoriza a melodia, que tem trechos emocionantes. A letra tenta abranger bastante o enredo sobre a Alemanha, mas fica devendo no quesito poesia.

Beija-Flor – 9,8
Acostumada com grandes sambas, a Beija-Flor tem uma boa composição que conta a história do cavalo e exalta a raça Mangalarga Marchador. A viagem através dos tempos cria algumas belas imagens, mas não tem a pegada de anos anteriores. A gravação, no entanto, peca ao trazer o efeito sonoro de um cavalo relinchando. Ficou tosco e virou motivo de piada nas redes sociais.

Imperatriz – 9,7
Por apresentar um tema quase que recorrente no Carnaval, a sensação de déjà vu é latente na letra do samba da Imperatriz. A religiosidade, o índio e as comidas são assuntos já tão cantados, que fica até difícil fazer poesia em cima dos mesmos. Os compositores, no entanto, tiveram mais sucesso na melodia que tem belíssimos trechos, principalmente na segunda parte. Na gravação, faltou mais entrosamento entre Wander Pires e Dominguinhos do Estácio. Ambos pareciam não estar confortáveis no dueto, o que prejudicou o resultado.

Mocidade – 9,7
A homenagem ao Rock in Rio poderia ser feita com mais emoção. A letra do samba da Mocidade não conseguiu traduzir a força do tema talvez pelo excesso de referências. O grande acerto, no entanto, é o refrão do meio, que propõe a união do "pandeiro e guitarra" e ainda exalta a lendária bateria de Mestre André.

São Clemente – 9,6
Faltou o "bububú do bobobó" do ano passado, mas mesmo assim o samba da São Clemente tem qualidades e poderá ajudar e muito a escola no desfile. A letra cita diversas novelas e personagens antológicos, o que faz com que o público se identifique bastante. Nos dias de hoje, isso já é uma vantagem e tanto. Quem lê pela primeira vez a letra já imagina como será todo o desfile. Irreverente, a composição empolga ao homenagear e brincar com o universo das novelas. Tem tudo para crescer na Avenida. O jovem Igor Sorriso, mais uma vez, domina a cena.

União da Ilha – 9,6
A homenagem ao Poetinha poderia ser mais inspirada. No entanto, o samba da União da Ilha tem seus méritos como a referência aos tempos em que Vinícius brincava nas praias da Ilha quando garoto. A letra é abrangente e conta bem a história do compositor.

Inocentes de B. Roxo – 9,5
Dona de um enredo difícil, a escola tem um samba bem descritivo, mas que peca pela falta de criatividade na melodia. A letra conseguiu lembrar o passado da Coreia do Sul e exaltar as modernidades do país ao mesmo tempo. A composição, no entanto, não empolga. Vale destacar a estreia do jovem Thiago Brito no Grupo Especial. Com personalidade, ele faz bonito no dueto com o veterano Wantuir.

Grande Rio – 9,4
Por não ter um grande enredo, a Grande Rio, mais uma vez, sofre no quesito samba. A letra é confusa e pouco criativa. Fica a pergunta: qual é o verdadeiro objetivo da escola? Contar a história do petróleo? Falar dos royalties? De preservação ambiental? A sensação é que a composição não traduziu o enredo com clareza.