Laíla considera a Beija-Flor perseguida e Selminha exalta o lado social da escola

 

 

Maior campeã da Era Sambódromo – com sete títulos conquistados – o nome da Beija-Flor de Nilópolis não tem frequentado somente as páginas de cultura e carnaval dos principais sites e jornais do país. Julgamentos à parte, o que muitas vezes não é citado, porém, é o intenso trabalho social feito pela Azul e Branco da Baixada Fluminense. Um projeto que, por vezes, dá a impressão de que é uma escola de samba que abriga uma cidade e não o contrário. Olhar mais o lado que faz da Beija-Flor uma das maiores referências quando o assunto é carnaval e assistência social é o que pede dois dos maiores símbolos da escola: Laíla e Selminha Sorriso

– A Beija-Flor mudou a história do carnaval. Desde os anos 70, a escola desenvolve um projeto social que atende de fato a população de Nilópolis. O nosso projeto mudou a vida de diversos nilopolitanos e a comunidade tem participação direta no maior espetáculo da Terra. Quero saber qual é a escola quem mantém emprego para cerca de 90 pessoas durante o ano inteiro no barracão – disse ele, citando também o Centro Profissionalizante, que funciona na quadra desde a década de 70.

O diretor de carnaval afirma que existe uma perseguição de longa data com a Deusa da Passarela.

 

– Eu quero começar lá atrás. Nos anos 70 a Beija-Flor começou a sua trajetória de títulos. Eu acompanhei todo esse processo e posso falar: sempre tem alguma coisa que inventam de nós, mas não vamos esmorecer. Estamos preparando um grande carnaval e vamos provar mais uma vez a nossa força. Esse título do enredo de Amigo Fiel coube perfeitamente, já que todas essas acusações tem como objetivo atingir um homem que transformou a Beija-Flor – disse ele, possivelmente referindo-se – sem citar o nome – , ao patrono da escola, Anísio Abrãao David.

 

Laíla respondeu também a quem aponta a Beija-Flor como uma escola que sempre conta com a benevolência dos julgadores. Ele lembra os anos em que a agremiação foi prejudicada.

 

– Em 1989 fomos muito injustiçados. Todo o Brasil aclamou a Beija-Flor com aquele carnaval maravilhoso do Joãosinho Trinta e não vencemos. Nos anos 90, com a formação da comissão de carnaval, quantos carnavais nós fomos apontados como favoritos e não vencemos? Disso as pessoas não falam. É muito ruim quando se é profissional do carnaval e as pessoas querem atrelar essa imagem mentirosa a Beija-Flor. Estamos sendo perseguidos há algum tempo e isso é uma falta de respeito com a nossa comunidade. Somos uma entidade carnavalesca e muito organizada, que busca trabalhar da melhor maneira possível. Não precisamos de falcatruas para ganhar o carnaval, temos capacidade.

Umas das maiores representações do trabalho feito pela Beija-Flor junto à comunidade é a porta-bandeira Selminha Sorriso. Ao lado do mestre-sala Claudinho, ela, todos os sábados, de abril a fevereiro, comanda uma escolinha do quesito, mas prefere referir-se ao projeto como '' uma escolinha de vida''.

 

– Sobre o que está sendo falado por aí eu prefiro nem comentar. Sinceramente, isso não me atinge mais. Já fiquei chateada muitas vezes com episódios assim, mas entendi que tudo isso é falado por quem não conhece o que é a Beija-Flor. O samba mudou a minha vida e a Beija-Flor tem grande parte nisso. O projeto que desenvolvemos hoje na escola é uma verdadeira escola de vida. Não que eu tenha a pretensão de ensinar nada a ninguém, mas transmito às crianças não só lições de dança, mas como lidar com a vida, passo experiência. Costumo dizer que o solo da Beija-Flor é sagrado. Só quem vive dentro da escola sabe como o clima é familiar.

De fato, basta uma visita aos ensaios de quinta-feira para observar o fascínio que as crianças e adolescentes da Beija-Flor nutrem por Claudinho e Selminha. Ao término do ensaio, a dupla é rodeada pelos pequenos integrantes da escola, que querem compartilhar experiências de suas vidas e tirar fotos.

 


– São as sementinhas da Beija-Flor. De dentro da escola pode sair um presidente da república. Porque não? O Lula é um exemplo de pessoa que veio do nada e tornou-se um presidente maravilhoso. Temos que transmitir o nosso conhecimento de vida para eles. Vamos além de apenas dançar com o pavilhão da Beija-Flor. Peço que as pessoas olhem com mais imparcialidade para a Beija-Flor – finaliza.
 

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