LCM: Mudar nome da quadra da Portela é precedente de consequências de difícil previsão’

NÃO, NÃO PODE SER VERDADE (3)
 

Das três… uma: ou o presidente Nilo não tem assessoria, tem uma assessoria tipo “fogo amigo” ou não ouve sua assessoria.

Recorro ao mundo imaginário do absurdo só para ser didático. Fico especulando assim: Imaginemos que um dia, uma tarde qualquer, algum assessor tenha chegado no pé do ouvido e dito. “Olha, presidente, tem uma turma enorme de portelenses aí que merece uma atitude nossa para levá-los à loucura de tanta raiva. Temos que botar a cabeça para funcionar e escolher cinco coisas para deixá-los furiosos”.

Imaginemos que o presidente tenha aceitado e, como primeira medida, tirou a alegria da Tia Dodô deixando-a sem sua butique e a Portela sem a capela cujos santos são, por ela Dodô,tão zelosamente cuidados. Já imaginou quantos Portelenses se sentiram contrariados?

A segunda foi afastar o casal de mestre-sala e porta-bandeira para assim enfraquecer a pontuação final da escola tornando mais distante ainda o sonho do campeonato. Sabemos como o Portelense ficou atônito buscando as razões para manobra tão traumática em suas esperanças, sobretudo depois da alegada “RENOVAÇÃO” e depois de ter convidado um casal competente, porém mais que cascudo, que pode representar tudo, menos renovação.

A terceira seria mexer na autoestima Portelense, na alma da escola, em sua ancestralidade, mudando o nome da quadra, tirando o nome do Natal e colocando o seu próprio.

Assim como se a terceira e a quarta medidas enfurecedoras ainda estivessem por vir, aterrorizando a nação pelo que ainda estava por vir até o carnaval.

A terceira medida não pode ter partido do presidente. Não pode ser verdade, mesmo. Nada contra ele especificamente, até a seu favor se a quadra não tivesse nome. Ora, sabemos que a reforma da quadra foi obra e arte da prefeitura municipal não só na Portela como na Ilha, na Imperatriz, no Império Serrano, por enquanto. Mas, mesmo assim, se fosse um anexo, uma piscina, uma quadra de esportes, tudo bem, justa homenagem.

Mas a questão não é essa. Além de ser uma violência contra o tal livro de nossas histórias, a que tanto se refere Monarco, é um precedente de consequências de difícil previsão.

Nem sempre a obra pode ser indicativa do mérito maior, seja ela pública ou privada. A menos que tenha sido custeada com recursos próprios, pessoais.

Só para conduzir o raciocínio vamos pensar na construção do sambódromo.

O maior e melhor momento profissional que tive foi o convívio com Darcy Ribeiro. Aquilo que seria uma pequena passagem pela administração pública acabou se tornando definitivo por influência dele. Por sua coragem, por sua petulância, por seu espírito público e, sobretudo, seu patriotismo. Tal admiração me deixa à vontade para tecer os comentários abaixo.

Na época da inauguração do sambódromo, em uma brincadeira entre amigos, votei contra o nome do Professor em razão de ele não ter tido qualquer relação direta com o samba e com o carnaval; julguei que o nome melhor adequado para a passarela podia até ser o de Mario Filho, por ter sido ele o inventor dos desfiles, não tivesse ele já sido distinguido com a homenagem maior de dar seu nome ao Maracanã.

Poderia também ser Paulo da Portela, por ter sido ele o mais importante entre todos os sambistas, ou Cartola, por ser ele o Pelé do samba: o mais talentoso e genial sambista de todos os tempos.

Poderia ser também passarela Tia Ciata, por ela simbolizar o tanto que ela e as demais tias baianas fizeram pelo samba. Ou Ismael Silva, pela primeira escola de samba. Poderia ser também Hilário Jovino, tido como o maioral, por tudo que fez e por ter desfilado, pela primeira vez ,os ranchos, então natalinos, nos dias de carnaval, dando o primeiro passo para a invenção-referência das escolas de samba.

Citei os dois equipamentos públicos, e alguns dos personagens acima para colocar a seguinte questão.

Tendo feito, quando governador, a reforma que fez no Maracanã Garotinho teria o direito de rebatizar o estádio com seu nome: “Estádio Anthony Matheus”?

E agora, teria o governador Sergio Cabral o direito, depois da reforma para copa, quase reconstrução do estádio, de dar seu nome ao estádio? Estádio Municipal Sergio Cabral Filho, já pensou?

Para ficar mais fácil para nós sambistas, vamos raciocinar em termos do novo, reformado e concluído sambódromo. Teria o prefeito Eduardo Paes o direito de pôr ali uma placa com seu nome, arrancando a placa do Darcy Ribeiro: “Passarela do Samba Eduardo Paes”?

Toda essa parolação aí em cima porque a coluna do Ancelmo Gois, que não é de dar tiro n’água, noticiou que a nova quadra teria o nome do atual presidente. Recebi via facebook a postagem da ata que indicava a mudança por unanimidade.

E agora vem toda essa controvérsia da mudança, ou não, do nome da quadra. Vai ou não vai ter outro nome?

De quem terá sido a iniciativa? Antes que o mundo azul e branco viesse abaixo o presidente desmentiu tudo, segundo odianafolia. Ainda segundo a mesma fonte o conselho confirmara a escolha, acrescentando que tal indicação independia da concordância ou não do homenageado.

Era a anteposição da autonomia do conselho contra a recusa explícita do presidente.

Nessa confusão toda, em meio às tão boas perspectivas para 2013, bom samba, bom enredo, os ecos de 2012, eis o que mais me intriga. O que é para mim, o pior, o mais distante de minha capacidade de interpretar as coisa é que tal mudança não traz absolutamente nenhum benefício ao presidente, nenhum. Ao contrário só lhe traz desaprovação e antipatia.

Veja, por exemplo, você aí desse lado da tela. Você sabia que a quadra tinha o nome do Natal? Eu, por exemplo, confesso aqui que não sabia, nunca soube. Talvez porque nunca tenha ouvido, nunca ouvi ninguém dizer que ia ao samba lá na quadra Natalino Nascimento. Nunca ouvi isso, tanto quanto provavelmente jamais ouviria , se fosse o caso, alguém dizer que ia ao samba na quadra Nilo Figueiredo.

Por isso a medida só faria trazer à tona o nome sagrado de Natal opondo-o ao nome do atual presidente que está aí na luta para conseguir ainda sua primeira vitória.

Não, não pode ser verdade… e tomara que não seja mesmo, já que as outra duas foram.

Até porque a escola precisa agora é de tranquilidade. Tranquilidade e meios para, com base no trabalho anterior, evitar os erros cometidos e entrar na pista pelo menos da mesma e emocionante forma, com a mesma garra e beleza que entrou no carnaval passado.

e-mail para contato: lcciata2@hotmail.com

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