Leandro Vieira explica que mudança no samba da Mangueira é para cutucar o prefeito

mangueira_final2018_-45O carnavalesco Leandro Vieira explicou a alteração feita pela Estação Primeira de Mangueira no samba-enredo feito pelos compositores Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal e que no sábado foi aclamada como campeã para o Carnaval 2018. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, durante a final de samba, o artista já tinha revelado que o samba seria alterado. “Nós temos uns pequenos ajustes, adicionaremos uma pitadazinha de crítica, uma brincadeirinha melhor, coisa pouca”, disse Leandro ao repórter Fiel Matola.

Nesta segunda-feira, a Mangueira divulgou as mudanças. A principal é que gerou forte repercussão nas redes sociais está no refrão principal. A escola colocou a palavra universal e Leandro Vieira explicou ao CARNAVALESCO.

– Não é a igreja que é universal, mas a Mangueira. Se o nosso enredo tinha nome, agora tem nome e sobrenome. É uma temática de clara oposição ao bispo licenciado que hoje por acaso é o prefeito dessa cidade. A intenção com essa mudança nada tem a ver com qualquer igreja, mas com a universalidade da escola – frisou.

A Mangueira informa também que o universal é em letra minúscula, ou seja, não é diretamente para Igreja Universal do Rei de Deus. A outra alteração está na primeira parte do samba. O verso “Outrora marginalizado já usei papel barato” passou para “Outrora marginalizado já usei cetim barato”.

Confira a nova letra do samba da Mangueira:

Chegou a hora de mudar
Erguer a bandeira do Samba
Vem a luz à consciência
Que ilumina a resistência dessa gente bamba
Pergunte aos seus ancestrais
Dos antigos carnavais, nossa raça costumeira

Outrora marginalizado já usei cetim barato
Pra desfilar na Mangueira

A minha escola de vida é um botequim
Com garfo e prato eu faço meu tamborim
Firmo na palma da mão, cantando laiálaiá
Sou mestre-sala na arte de improvisar

Ôôô somos a voz do povo
Embarque nesse cordão
Pra ser feliz de novo
Vem como pode no meio da multidão

Não… Não liga não!
Que a minha festa é sem pudor e sem pena
Volta a emoção
Pouco me importam o brilho e a renda
Vem pode chegar…
Que a rua é nossa, mas é por direito
Vem vadiar por opção, derrubar esse portão, resgatar nosso respeito
O morro desnudo e sem vaidade
Sambando na cara da sociedade
Levanta o tapete e sacode a poeira
Pois ninguém vai calar a Estação Primeira

Se faltar fantasia alegria há de sobrar
Bate na lata pro povo sambar

Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal
Pecado é não brincar o Carnaval!

Eu sou Mangueira meu senhor, sou universal
Pecado é não brincar o Carnaval!