Lins Imperial faz belo desfile sob a comando de Tinguinha e sonha com retorno para Sapucaí

Por Eduardo Fonseca. Fotos: Allan Duffes

lins_imperial_2018_57Nona escola a desfilar na Passarela da Intendente Magalhães, a Lins Imperial trouxe o enredo Zicartola. A escola da Zona Norte fez um belo desfile comandada por Tinguinha, pela entrosada e eficiente comissão de frente e o belo conjunto de fantasias. O desfile só não foi perfeito por conta do vento que atrapalhou a porta-bandeira no módulo 1. A Lins Imperial finalizou seu desfile com 41 minutos com gritos de é campeã.

Antes de começar o desfile o clima era de emoção na concentração. O presidente Jorge Torresmo fez um discurso emocionado gradecendo ao diretor de carnaval Flávio Mello. A Comissão de Frente teve o nome de “Desde a rua dos Andradas ouve -se A Voz do Morro”. Nela foi contada a história das noites agitadas no bar Zicartola. Noites estas regradas a petiscos elaborados por Zica e samba comandado por Cartola. A fantasia era simples, porém, bem acabadas. Foi uma apresentação clássica com muita dança. Os integrantes fizeram a coreografia utilizando como base a dança de salão. As personagens centrais eram Dona Zica e Carola. Personagens masculinos trajaram terno e usavam cartolas. As mulheres vestidos. A comissão foi bastante aplaudida durante toda a avenida.

lins_imperial_2018_40O casal Matheus Manchado e Manoela Cardoso usaram a roupa A “Nós dois, Cartola e Zica”. O mestre sala usou um terno verde e óculos de sol assim como Cartola. A porta-bandeira usou uma bela roupa com plumas verdes e pequenos pingos Rosas na ponta das plumas dando um charme especial a roupa. A saia era cravejada de pétalas de rosa. A apresentação foi quase perfeita. O vento que batia na hora do desfile atrapalhou a apresentação do casal módulo 1. Manoela teve muita dificuldade para controlar a bandeira que chegou a enrolar e a bater no mestre-sala. Contudo, nos módulos seguintes, a porta-bandeira mostrou muita habilidade para lidar com a adversidade e fez boas apresentações nos dois módulos seguintes.

O carro abre-alas representou “Zicartola de portas abertas”. Nele foi representado todo o ambiente interno do bar. Desde mesas e cadeiras a fotografia de artistas que passaram pelo bar. Na frente do carro tinha a frase “Zicartola casa de samba”. Destaque para a secretaria de Cultura do Rio, Nilcemar Nogueira, que havia desfilado uma escola antes no Jacarezinho, e veio a frente da alegoria. A segunda alegoria representou “Zicartola na história viverá”. A escola veio muito bem vestida do início ao fim. Figurinos muito bem idealizados e realizados. Destaque para a ala 13 “Zicartola fechado pelo DOPS” que ajudou a dar um contraste no desfile.

lins_imperial_2018_88A Lins cantou muito o samba durante todo o desfile. Destaque para o Celino Dias, que já foi intérprete de Tradição e Salgueiro, e estava na ala 2 “Eu quero ver o cardápio”. O cantor, além de participar do desfile, ajudou aos componentes da ala a não deixar o canto cair. A escola evoluiu muito bem durante o desfile. Não houve correria e nem travamento das alas. A velha-guarda estava muito bem vestida e elegante. As mulheres usaram vestido rosa e chapéu com pena verde. Já os homens trajaram um terno verde, casaca rosa e bengala. Ala das baianas veio com a fantasia “Refeição caseira”. As mães baianas do Lins trajaram um belo figurino e causaram um bom efeito durante o desfile. A fantasia tinha tons de lilás, rosa e verde.

O samba cantado por Rafael Tinguinha teve um grande desempenho no desfile da Lins. O grande rendimento impulsionou a escola para o belo desfile de canto e evolução. O enredo contou a história do bar comandado por dois grandes baluartes da Mangueira, D. Zica e Carola. Foi dividido em três setores. No primeiro “Zicartola de Portas abertas”, que retratou a abertura do bar Zicartola. O segundo setor chamado de “Caldeirão multicultural” falou da mistura de ritmos, gentes e artes. Encerrando o desfile o terceiro setor recebeu o nome de “A repressão goela abaixo da dor de cabeça e se torna ressaca”. Ele abordou a resistência a opressão que o bar sofreu durante a ditadura.

O enredo se apresentou de forma linear no desfile. Tanto alegorias quanto fantasias de fácil leitura ajudaram a contar de maneira clara a história proposta pela Lins. A bateria de Mestre Adílio que veio vestida de “Universidade do samba” teve um belo desempenho. Desta forma, juntamente o samba e o carro de som ajudou a impulsionar a verde e Rosa a um grande desfile.