Luciana Sargentelli é convidada e aceita voltar à Estácio

 

 

Rio de Janeiro, madrugada do dia 02 para 03 de março de 1992. O carnaval ferve na cidade maravilhosa e uma escola, até então sem título, vai cruzar a avenida Marquês de Sapucaí com um enredo nada popular sobre o Modernismo e a Semana de Arte Moderna de 1922. É a Estácio de Sá. O final dessa história todos já conhecem. A vermelho e branca desbancou a poderosa Mocidade e levou para casa o inédito campeonato, impedindo o tri da verde e branco de Padre Miguel. Até hoje é o único título conquistado pela escola no Grupo Especial.

 

Naquele desfile cheio de nuances curiosas, como uma alegoria que emitia um som simulando o apito de um trem, a passagem de uma bela mulher por um carro alegórico causou angústia e comoção. Era Luciana Sargentelli, filha do lendário Oswaldo Sargentelli, descobridor das mais belas mulatas do carnaval até os anos 90. A passista desfilou em um carro todo acabado em vidro e acabou se cortando, mas o fato não a impediu de desfilar com uma garra incrível e ser um dos destaques do histórico título estaciano.

 

Já se passaram 22 anos desde aquele carnaval, Luciana foi rainha de bateria da própria Estácio, deixou a folia, foi mãe e se formou em Computação. Luciana está agora de volta à escola de seu coração, convidada pelo presidente Leziário Nascimento, durante o evento na Lapa que lançou o livro “Titias da Folia”, que conta um pouco da história de Estácio de Sá, Unidos do Viradouro, Unidos de Vila Isabel e Unidos da Tijuca.

 

Luciana foi convidada pelo organizador da obra, o jornalista e comentarista de carnaval, Fábio Fabato, para participar do evento e lá recebeu com muita surpresa o convite do presidente Leziário para retornar à escola. – Eu estou muito surpresa com esse convite. Não esperava mesmo, estou há tantos anos afastada. A Estácio é minha escola do coração, fui criada ali dentro. Estou muito emocionada – disse a ex-passista em entrevista ao .CARNAVALESCO.

 

A hoje profissional da área de informática participou da homenagem à Estácio ao lado de Dominguinhos do Estácio e o pavilhão da escola e não conseguiu conter as lágrimas quando o samba de 1992 foi entoado por ele e imagens do lendário desfile eram exibidas em um telão. – Eu sempre respeitei essa escola e acompanho sempre que posso – disse Luciana muito emocionada.

 

Sem mágoas com o samba

 

Luciana optou por deixar a folia quando engravidou, mas afirma que o fez sem qualquer mágoa ou ressentimento, apenas soube a hora de deixar os holofotes para quem chegava. – A vida toma caminhos naturais. Achei que era hora de criar minha filha, me dedicar a minha carreira. Eu amo o carnaval e sou muito grata à ele por tudo que me proporcionou.

 

Perguntada sobre a atual fase das musas de carnaval, super malhadas e moldadas em academias, Luciana fugiu de polêmica. – Cada época tem sua característica. Hoje é legal ver os corpos mais definidos, na minha época o que fazia sucesso eram corpos mais naturais, sem silicones ou pernas torneadas. Faz parte – afirmou.

 

Depois daquele carnaval de 1992 Luciana Sargentelli foi a rainha de bateria da Estácio entre 1995 e 1998 e deixou o carnaval em 2003. Agora a ex-passista está de volta para casa, e como diz a letra daquele saudoso samba de 1992, é o brilho da Estácio a desfilar em um buquê de poesia.

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