Luis Carlos Magalhães escreve sobre a nova Lesga

Nada melhor para homenagear o grande artista brasileiro Millor Fernandes, agora falecido, do que usar a sua frase, a minha favorita, para saudar a nova direção da LESGA. Dizia Millor que a maioria das pessoas que clama contra a corrupção está cuspindo no prato que NÃO comeu. E pior é que é verdade, quando o prato se apresenta… muitas dessas pessoas vão lá e…"nhac".
 
E isto se aplica para a vida inteira… sempre que houver espaço para cobiça, para paixão.
 
Trazendo o Millor para a LESGA podemos imaginar que seria "normal", previsível, que todos os dirigentes de escolas que clamaram contra maus resultados agora voltarão esses mau resultados em favor de suas agremiações.

É o que o povo chama de "trocar seis por meia dúzia".
 
Da mesma forma não acredito que o fato de um homem se afastar da presidência de sua escola faz dele um padrão de comportamento e lisura perante todas as demais.
 
A mudança de rumos que se espera vai muito além de discursos e atitudes tomadas no calor dos acontecimentos, no momento em que quem entra sabe exatamente tudo o que se quer ouvir, tanto dirigentes, componentes, gestores públicos e torcedores, internautas e imprensa em geral.
 
O que vai efetivamente trazer credibilidade  e respeito à entidade, seja a LESGA ou a GESLA ou a SELGA, ou qualquer outro nome que venha a ter, será a sequência de atitudes, de posturas, de comportamentos do dia a dia, ato a ato, canetada a canetada no desenvolvimento e na construção do novo carnaval do acesso.
 
A entidade não será, e nenhuma é, o espelho das atitudes  só de seu presidente, ainda que seu comportamento seja o maior indicativo. A entidade será aquilo que seu desempenho coletivo determinar. A firmeza de  atitudes  do dirigente maior será determinante, mas não suficiente para garantir a clareza  de caminhos a trilhar e a transparência que se busca.
 
Esperar que seja feita justiça em um colegiado onde quem disputa não tem voz e quem tem voz não disputa… cá pra nós…
 
A primeira medida será democratizar "aquela" disputa, dando  voz a quem "dela" precisa “naquele momento”. Este o primeiro passo que parece ter sido dado. Se a Ilha está no grupo especial, ela que se meta no grupo especial; se o império está no acesso… o Império tem que se meter é no acesso.
 
Sabemos que há um grupo de jovens dirigentes com boas intenções. E espero muito mesmo deles. Decepcionarão se  vierem a se posicionar de forma a  aguardar apenas   a sua  hora e vez de comer no prato que ainda não lhes era servido. Espera-se agora que tudo isso pertença ao passado e que tais pratos não mais venham à mesa, nem mesmo requentados ou frios.
 
O papel maior, o mais importante, o único verdadeiramente eficaz a ser exercido por quem chega  é instalar nas plenárias da entidade a democracia sem medo. Afastar a democracia com medo, que é sua própria negação. Que dirigentes gritem, se exaltem, se apaixonem em defesa dos interesses legítimos de suas escolas. Que a todos seja dado o direito de ter a “certeza” de que suas escolas foram as melhores, que seus sambas sejam os mais bonitos e que a vitória este ano não lhes pode escapar… porque o carnaval é assim…
 
Mais importante que isto será garantir a cada um deles o direito de apontar o que achou errado, injusto, de dizer enfim na mesa plenária tudo que julgue ser de direito. E que tenham, todos, um por um, como resposta a lisura das intenções, a firmeza dos de critérios de julgamento… a certeza de que o vencedor foi determinado por mérito, à luz do regulamento.
 
Esta a verdadeira "revolução" na LESGA, a verdadeira , a mais importante missão dos que chegam: extirpar a cabeça da serpente, a razão de todos os males; implantar a democracia sem medo. Proponho o seguinte artigo (único) do regimento interno: “NENHUMA ESCOLA TERÁ SEU VOTO MAIS FORTE QUE A OUTRA!”

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