Luis Carlos Magalhães escreve sobre a saída de Lucinha e Rogerinho da Portela

NÃO, NÃO PODE SER VERDADE ! (2)

Sabe aquela história do operário que cai do 57º andar e quando chega no 33º olha lá para baixo e pensa: “até aqui tudo bem!”?.

Pois é assim com a Portela de hoje.

Fazendo uma retrospectiva do percurso do carnaval para cá o que encontramos? O orgulho e a autoestima por termos dado à cidade, ao carnaval, um samba de verdade. Guardarmos na lembrança aquela entrada retumbante na avenida fazendo tantos crerem – inclusive eu – que a hora da vitória havia chegado.

E não veio, sabemos. É consenso que faltou barracão da metade para o fim, uma pena!

Mas o vírus da vitória ficou em todos nós. Com certeza agora teremos outro bom, ótimo samba. Um enredo que nos encanta, uma história “nossa” para contar e, com certeza, tanta gente para nos ouvir, conosco dançar e cantar.

A felicidade maior em esperar a disputa esquentar, ferver, incendiar a quadra para sabermos e termos a certeza que o melhor samba para a escola será vencedor.

Depois esperar fevereiro na esperança-quase-certeza que este ano o dinheiro vai dar, que não vai faltar barracão, que todos os segmentos vão repetir o desfile passado e … e… quem sabe?

Mas, não foi assim. A notícia soou como uma bomba em que não se crê, não se quer crer, não se espera: Lucinha e Rogerinho estão fora.

São expectativas que vão para o chão. Nada simboliza mais uma escola que sua porta-bandeira, ninguém mais querida, idolatrada, tanto pela bandeira que defende, tanto pela mais alta responsabilidade pela mais solitária de todas as notas 10, obtidas ou não.

Fica a conformação de que foi algo inevitável, alguma situação que não conhecemos, mas sabemos incontornável, afinal que razões levariam a direção da Portela abrir mão de sua mais provável nota 10?

Como poderemos esquecê-la, tirá-la da memória daquela noite de carnaval tão formidável que não se completou. Ninguém, Portelense ou não, poderá um dia esquecer o que viu no carnaval de 2012, que dirá cada um de nós enfeitiçados que ficamos.

Elas são assim, sempre tão magníficas, tanta graça, todas a cada ano. Mas há, sabemos, a mão dos deuses do carnaval a tocar uma delas, a cada carnaval, para singularizá-las, diferenciá-las das outras e torná-las rainha única da festa daquele carnaval. E quantas vezes Lucinha, o casal, foi tocada…

Que o novo casal seja benvindo, que encontre acolhida para mostrar sua arte, tomara!

Mas a inconformidade, tanto sabemos, persistirá. O conforto só virá quando vier a público a verdadeira razão de tal desenlace; quando ficar demonstrado ou que foi a melhor saída para o casal, para a escola e para todos nós ou ficar demonstrado que o impasse tenha sido absolutamente incontornável.

A omissão da verdade, o subterfúgio, a semiresposta, o dechavado, o laconismo ou qualquer gesto imperial de autoridade que não respeite a decepção demonstrada será a gota d’água.

Mais grave, mais dolorida, mais que tantas mágoas acumuladas em décadas de esperança vã e gestos incompreendidos.

Sabemos que o presidente tem decisões no mínimo contestáveis, no mínimo. Sabemos que por sua formação familiar, seu sucesso profissional e sua elevada autoestima a porta-bandeira não é de levar desaforo para casa. Sabemos que as relações não eram exatamente as mais cordiais. E aí ?, como deve se portar uma grande liderança de uma grande instituição, bater de frente e resolver suas próprias idiossincrasias ou superá-las em favor da escola?

Como eu me comportaria? E você?

Pelo que conheço dela não aceitará tirar nenhuma porta-bandeira de qualquer escola às vésperas do carnaval? Ficará de fora, irá para São Paulo? Que será dela (deles?), que será de nós.

A cada dia seu fardo, diz o ditado. Aqui, agora nos cabe aguardar que a comunicação da escola divulgue uma nota, ou a fala de seu presidente, para que possamos amenizar tamanha frustração, tamanha decepção. Que a nota ou a fala seja clara, verdadeira, clara, objetiva e, acima de tudo, esclarecedora.

Depois cuidaremos das cicatrizes…

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